Start-ups Web Summit: IVA quase levou Lisboa a perder o evento

Web Summit: IVA quase levou Lisboa a perder o evento

Lisboa esteve quase a perder a realização do Web Summit devido a uma questão do IVA, na véspera da assinatura do acordo, confidenciou à Lusa o antigo governante Leonardo Mathias, que liderou o processo da candidatura portuguesa.
Web Summit: IVA quase levou Lisboa a perder o evento
Bruno Simão/Negócios
Lusa 07 de Outubro de 2016 às 07:59
Questionado se ficou alguma noite sem dormir por causa da candidatura, o ex-secretário de Estado Adjunto e da Economia afirmou: "a última foi talvez a pior".

O anúncio de que Lisboa tinha vencido estava marcado para 23 de Setembro, de manhã, mas na véspera, cerca das 23:30, "o Turismo de Lisboa decidiu que não pagava o IVA" de um montante que Leonardo Mathias já não se recorda.

"E isso representaria ainda um montante relevante", explicou, adiantando que na altura "não tinha ligação directa" a este organismo.

"Foi um trabalho absolutamente extraordinário do João Cotrim de Figueiredo [na altura presidente do Turismo de Portugal] pela noite fora a tentar, por um lado, convencer o Turismo de Lisboa que se todos os organismos intermédios pagavam IVA porque é que eles não pagavam", prosseguiu.

Mas "o senhor amuou" e afirmou que "não pagava, não pagava, não pagava. Não saía dali" e era preciso resolver o impasse.

Em alternativa, "tentámos entre o Turismo de Portugal e a AICEP encontrar uma forma de atenuar: Lisboa não pagaria esse IVA, tinha que ser pago pelos outros" e "só às três e meia da manhã enviei um SMS" ao vice-primeiro-ministro da altura, Paulo Portas, "a dizer: não há problema, temos assinatura amanhã às 8:00", continuou Leonardo Mathias, que apenas dormiu "umas horitas" nessa noite.

"Nessa noite teve para não haver Web Summit por causa de um IVA do Turismo de Lisboa, portanto, o absurdo é total", salientou.

A situação só ficou resolvido porque a AICEP e o Turismo de Portugal aumentaram a dotação.

Mas muitas mais peripécias aconteceram durante o processo de candidatura.

Leonardo Mathias partilhou ainda outra história, aquela em que um dia, a meio da proposta, recebeu um telefonema do comendador Rocha de Matos, responsável da FIL, a dizer que alguém se tinha enganado e dado a data errada da realização do Web Summit.

Havia um problema, entre 07 e 10 de Novembro estava já agendada uma exposição automóvel e a cimeira das tecnologias estava marcada para essa data, mas em 24 horas a questão acabou por ficar resolvida.

Outra das curiosidades foi quando se descobriu que a Holanda acompanhava passo a passo cada proposta que Portugal fazia, o que levou a que as comunicações entre Paddy Cosgrave, presidente e fundador do Web Summit, e Leonardo Mathias passassem a ser feitas através de sinal encriptado.

"Essa foi uma das minhas vitórias, tive dossiês se calhar tão ou mais complicados, mas deu-me um particular gozo com outros, mais fortes, mais ricos, 'soit-disant' [como se diz] melhores, e ganhámos", concluiu Leonardo Mathias.



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mais votado alberto.sousa.18007218 Há 3 semanas

É fartar vilanagem. É roubar á descarada. Depois querem turismo? Ide fazer turismo para o raio que vos parta, a todos. Se fosse turista, nunca poria os pés neste pais. A ganancia impera nesta terra abençoada, que poderia, pelo facto de ser calma, de povo acolhedor e clima ameno, sem problemas de terrorismo, ser visitada, por milhões, de turistas, que agora irão pensar, várias vezes, deslocarem-se a esta terra de ladrões. Eu pensaria sériamente, se prefiro ser roubado.!
NOVA ORDEM MUNDIAL, É PRECISA URGENTE

comentários mais recentes
Vitor Melo Há 3 semanas

Ligação directa... mt bom

Jorge Tavares Há 3 semanas

IMPOSTOS E REPRESENTAÇÃO POLÍTICA Na "democracia" portuguesa, só se é "cidadão" para pagar impostos, taxas, portagens e "rendas". Quando se olha para a representação política que deveria ser o outro lado da moeda, não se vê nada. Nem sequer o direito básico de cidadania que é poder escolher o candidato em que se prefere votar para nos representar no parlamento. Na prática, os políticos elegem-se a si próprios! Nunca foram verdadeiramente sujeitos ao escrutínio democrático; organizaram o Estado para enriquecer à custa dos cidadãos em vez de trabalhar para os cidadãos. É hora dos portugueses se levantarem contra esta ditadura de partidos e exigir os direitos políticos proporcionais a este peso fiscal: possibilidade dos cidadãos concorrerem a deputado por direito próprio e listas eleitorais abertas à ordenação pelos eleitores, por meio de votos em nome.

Oscar Pereira Há 3 semanas

como pequenos? aquilo é composto de pequenos e o mais pequeno deles todos é o Turismo de Portugal assim tipo uma direcção geral do estado, que "por acaso" o "chefe" foi nomeado por este governo pois o anterior era "fássista"

Antonio Carreira Há 3 semanas

Se pagassem como os pequenos este país não estava como está

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