Energia Henrique Gomes: “Teve-se medo de perturbar a privatização da EDP”

Henrique Gomes: “Teve-se medo de perturbar a privatização da EDP”

Ao Diário de Notícias, o antigo secretário de Estado da Energia de Passos Coelho, que esteve apenas nove meses no cargo, critica a forma como este Executivo se deixou influenciar pelo “lóbi da energia”.
Henrique Gomes: “Teve-se medo de perturbar a privatização da EDP”
Bruno Simão/Negócios
Negócios 08 de junho de 2017 às 09:09

O antigo secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, considera que "o lóbi da energia tem condicionado os governos", tendo sido responsável pela sua saída do Executivo.

Numa entrevista ao Diário de Notícias desta quinta-feira, 8 de Junho, Henrique Gomes, que foi secretário de Estado da Energia no Governo de Pedro Passos Coelho durante nove meses, avança críticas em diferentes direcções.


Nos seus planos, um dos elementos que não chegou a avançar foi uma contribuição extraordinária a sector de energia e a revisão dos contratos que garantem uma remuneração fixa às eléctricas, como os CMEC que estão na base na investigação agora em curso à EDP.


"Teve-se medo de perturbar a privatização [da EDP]. Não se fez uma medida estrutural, importantíssima, que resolveria o equilíbrio do sistema eléctrico por, quase, um prato de lentilhas", posiciona.


Recusando-se a comentar as investigações à EDP, Henrique Gomes não deixa de apontar o dedo ao modo como a sua privatização foi feita. "No caso da energia, a preocupação era fazer dinheiro de qualquer maneira, por pouco que fosse", diz.


O antigo secretário de Estado da Energia recorda o caso de um relatório encomendado à Universidade de Cambridge e que, poucas horas depois de chegar ao gabinete do primeiro-ministro, já era do conhecimento da EDP.


"À hora de almoço, estava a almoçar com a minha equipa, começámos a receber chamadas da EDP a perguntar que relatório era aquele. Passados uns dias, o relatório era desvalorizado porque tinha erros e porque não era porque não era por ser em inglês que seria bom", conta ao Diário de Notícias.




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