Indústria Britânicos entram no lítio em Portugal

Britânicos entram no lítio em Portugal

Em menos de um ano é a segunda multinacional a entrar em Portugal à procura de lítio para uso em baterias na zona de Barroso, depois da australiana Dakota Minerals.
Britânicos entram no lítio em Portugal
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 25 de maio de 2017 às 13:55

A empresa mineira Savannah, sediada em Londres, tornou-se no mais recente operador a entrar na prospecção de lítio em Portugal, o mineral metálico usado no fabrico de baterias usadas na electrificação automóvel e doméstica.


A companhia anunciou esta quinta-feira, 25 de Maio, a compra de uma posição maioritária de 75% na Slipstream Investments, a empresa que detém os direitos de exploração de quartzo, feldspato e lítio na Mina do Barroso, concelho de Boticas, Trás-os-Montes.

Em causa, de acordo com um comunicado colocado no site da companhia, está uma área de 542,12 hectares (5,42 quilómetros quadrados), além de quatro zonas em que falta ainda obter licenças e que totalizam mais 1.018 quilómetros quadros: Covas do Barroso, Serra d’Arga, Barca d’Arga e Tâmega.

A mina terá já um plano mineiro aprovado, além do estudo de impacte ambiental e licença válida por 30 anos desde a data de concessão, até 2036. E será "um dos mais avançados projectos de desenvolvimento de lítio na Europa com maior potencial de rapidamente passar à fase de produção."

Multinacionais no Barroso

Em menos de um ano é a segunda multinacional a entrar em Portugal à procura de lítio para uso em baterias na zona de Barroso, depois da australiana Dakota Minerals. Segundo dados da Direcção Geral de Energia e Geologia, citados pelo Público esta semana, o recurso inferido para a região do Barroso/Alvão é de 14 milhões de toneladas de minério com  teor médio de 1% de lítio.

"A Savannah Resources Plc está a preparar-se para se tornar num produtor substancial de lítio para baterias com a compra de um activo próximo da fase de produção em Portugal. (…) Acreditamos que a prospecção na Mina do Barroso pode transformar a indústria europeia do lítio ou a indústria de veículos eléctricos, ao tornar-se no primeiro produtor de lítio de qualidade para baterias na Europa," lê-se no comunicado.

O documento refere ainda que o teor de lítio identificado nas sondagens já realizadas (mais de 6% de óxido de lítio) indica a elevada possibilidade de produção de concentrado limpo daquele mineral. Até ao final de 2018, a empresa espera tomar a decisão de avançar para produção.

Negócio pode superar 6 milhões de euros

Se vier a ser comprovada a viabilidade de extracção – nomeadamente o potencial de 7,5 milhões de toneladas de mineral com um teor de óxido de lítio não inferior a 1% - as três fases de pagamento ao vendedor levarão a cifrar este negócio em 10,1 milhões de dólares australianos (6,72 milhões de euros à cotação actual), entre pagamentos em dinheiro (2,66 milhões de euros) e em acções (60 milhões de novas acções, avaliadas em cerca de 4 milhões de euros).

A primeira transacção já implicou o pagamento pela Savannah de 1 milhão de dólares australianos (cerca de 665 mil euros à cotação actual), além da emissão de 20 milhões de novas acções. Não são avançados valores para investimentos futuros na exploração. 

A 14 de Março deste ano, o Diário da República dava conta que a Imerys Ceramics Portugal tinha transmitido a sua posição contratual na Mina do Barroso para a Slipstream Resources Portugal Unipessoal, Lda, sediada em Braga e de origem australiana. Os trabalhos anteriormente desenvolvidos no local previam o uso de minerais na produção de cerâmicas (em que o lítio ajuda a baixar o ponto de fusão das pastas, reduzindo o gasto de energia) e não no mercado de baterias.

Portugal depois de Moçambique, Omã e Finlândia 

A Savannah tem, além da operação agora comprada em Portugal, projectos em curso em Moçambique (na Mutamba, em consórcio com a Rio Tinto, para a exploração de areias pesadas e extracção de metais como ilmenite, rútilo e zircão), em Omã (exploração de ouro e cobre) e na Finlândia, onde desenvolve dois projectos também de prospecção de lítio.

O maior accionista da empresa é a Al Marjan, com 29,9% do capital. A Savannah está cotada em Londres, na AIM, onde de acordo com a Bloomberg apresenta uma capitalização bolsista de 30,2 milhões de libras. Na sessão desta quinta-feira, os títulos seguem inalterados nos 5,875 pence, em máximos de três meses, depois de ontem terem subido 4,44%.

De acordo com o Público, no ano passado a Direcção Geral de Energia e Geologia recebeu 30 pedidos de direito de prospecção e pesquisa de lítio, representando um conjunto de 3,8 milhões de euros de investimento numa área de 2.500 quilómetros quadrados.




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