Indústria Governo assegura que quer aumentar a produção do eucalipto

Governo assegura que quer aumentar a produção do eucalipto

Em resposta às críticas dos industriais de pasta e papel, contra a proibição de plantação de eucalipto, o Ministério da Agricultura garante que continuará a apoiar o sector, nomeadamente através da atribuição de fundos nacionais e comunitários destinados à exploração florestal.
Governo assegura que quer aumentar a produção do eucalipto
Correio da Manhã
Negócios com Lusa 21 de abril de 2017 às 17:55

O Governo garantiu esta sexta-feira, 21 de Abril, que pretende "aumentar a produção e a produtividade do eucalipto" e que continuará a apoiar o sector do celulose e do papel, em reposta às críticas feitas pela CELPA - Associação da Indústria Papeleira.

Em anúncios publicados na imprensa, a CELPA defendeu que a proibição de plantação de novas áreas de eucalipto é um "enorme prejuízo para a economia portuguesa", parte de uma "ideia errada e preconceituosa" e não tem fundamentação técnico-científica.

"Em primeiro lugar, o Governo não concorda, obviamente, com essa declaração. Contrariamente ao que é dito, o Governo pretende aumentar a produção e a produtividade do eucalipto, permitindo que se façam novas plantações de eucalipto em áreas de maior produtividade, por contrapartida à redução de áreas de fraca produtividade", disse à Lusa o Ministério da Agricultura, quando questionado sobre as críticas da associação às propostas do executivo em relação à floresta.

O gabinete de Luís Capoulas Santos acrescentou que a indústria da celulose e do papel é "fundamental para a economia nacional", pelo que apoia e "continuará a apoiar o sector, nomeadamente através da atribuição de fundos nacionais e comunitários destinados à exploração florestal, incluindo os povoamentos de eucalipto".

"O Governo pretende, simultaneamente, travar a expansão da área de eucalipto, que se tornou já a espécie dominante na nossa floresta, e aumentar a disponibilidade de matéria-prima para a indústria da celulose", acrescenta.

A Associação da Indústria Papeleira critica, nos anúncios publicados, a decisão governamental de proibir a plantação de novas áreas de eucalipto com base numa "ideia errada e preconceituosa", a qual considera que "pode pôr em causa o futuro da fileira florestal e dos cerca de 400 mil proprietários e produtores florestais portugueses".

"A fileira industrial baseada no eucalipto tem sabido aproveitar os recursos naturais de que o país dispõe [...] utilizando uma espécie bem adaptada, e tem-no feito de forma exemplar, responsável e com total respeito pelo ambiente", argumentou a CELPA, defendendo que a proibição "prejudica os produtores florestais, provoca perda de competitividade da indústria da pasta e papel e contrai a economia do país".

 

Em contrapartida, a associação garante que a proibição "reduz as áreas com gestão, promove o abandono e o crescimento de áreas de matos e incultos e aumentará o risco de incêndio (49% da área ardida nos últimos 15 anos são matos ou incultos e 13% são eucalipto)", "não se resolve o problema das demais espécies" e deverá fazer aumentar as importações de madeira.

Segundo refere, Portugal importa cerca de 150 a 200 milhões de euros por ano de madeira de eucalipto (valor que tenderá a aumentar), "riqueza que poderia ser distribuída pelos milhares de produtores e prestadores de serviços florestais a actuar no sector florestal" no país.

Dando cumprimento ao acordo com Os Verdes, o Governo avançou com uma proposta de lei que altera o regime jurídico aplicável às acções de arborização e rearborização, que põe um travão à expansão da área de eucalipto.




A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
J . LOPES 26.05.2017

Quém fala trocar eucaliptos por chopos,so' conhece planices, não fa'z a ninima idéia o que é a montanha.
As montanhas do sul, são muito secas .Sobreiros medronheiros eucaliptos , sim , chopos so' no vale.
Tome conhecimentos , depois fale.KK.

J.LOPES 26.05.2017

Ha' aqui 2 Ano'nimos,mas diferem,um diz, Pais de Bananas, tem razão, serras monchique e caldeirão,estão
de mato.Então que vam para la' viver os inimigos do eucalipto, arrancar mato à mão como se fazia à
70 anos .BLA' BLA'.

Anónimo 25.04.2017

antes um enorme prejuízo para a economia do que um enorme prejuizo ambiental... o planeta é de todos e o lucro dos eucaliptos é só de alguns poucos... é preciso limitar, reduzir e adaptar as industrias a um modelo sustentável ... sei que é dificil mas não pensem só em vocês CELPA

Pedro Silva 24.04.2017

O Eucalipto não é só uma peste que desertifica os terrenos, como aliás se vê nas serras do interior; ele é também uma cultura totalmente obsoleta. O choupo, por exemplo, tem o mesmo potencial em celulose mas possui potencial duplicado em aglomerados de madeira, com muito maior valor acrescentado.

ver mais comentários
Saber mais e Alertas
pub