Indústria Itália supera EUA nas compras de têxteis portugueses

Itália supera EUA nas compras de têxteis portugueses

A qualidade nacional está a substituir muita produção italiana, mas os ventos de Espanha continuaram a não soprar de feição em Fevereiro, estagnando o crescimento das exportações da indústria têxtil e de vestuário.
Itália supera EUA nas compras de têxteis portugueses
Paulo Duarte/Negócios
António Larguesa 10 de abril de 2018 às 17:47

A Itália ultrapassou os Estados Unidos da América (EUA) na lista de melhores destinos para a indústria portuguesa de têxtil e vestuário. O crescimento de 27% das compras transalpinas nos dois primeiros meses do ano, equivalente a um acréscimo de 11 milhões de euros, foi mesmo decisivo para manter "no verde" as exportações do sector.

 

Depois da quebra global de 1% registada no arranque de 2018, em Fevereiro as vendas ao exterior progrediram 2% em termos homólogos, para 433 milhões de euros. No somatório dos dois primeiros meses do ano, as exportações totalizaram 871 milhões de euros, mais 0,6% do que no mesmo período do ano passado, com Itália a entrar no "top5" ao mesmo tempo que os EUA "só" cresceram 2,7%.

 

O que pode explicar esta subida de quase 30% para os clientes em Itália, face ao ano em que as vendas fora de portas superaram um máximo de 16 anos? "O reconhecimento da alta qualidade do têxtil português, que se equipara ao italiano, e que agora complementa muita produção, deste nível, que a Itália foi deixando de realizar", respondeu ao Negócios o director-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP).

 

Se Itália vai manter ou reforçar essa posição "ainda é cedo para dizer", salvaguardou Paulo Vaz, lembrando que "as tendências definem-se com seis a oito meses consolidados em cada ano". "Diria que durante 2018 deverão disputar o quinto lugar no ranking, mas depende de muitos factores, que ainda não estão perfeitamente definidos", acrescentou.

 

Paulo Vaz, director-geral da ATP, equipara a qualidade do têxtil português ao italiano.
Paulo Vaz, director-geral da ATP, equipara a qualidade do têxtil português ao italiano.
Ricardo Castelo

 

A análise por segmentos realizada pela ATP a partir das estatísticas de comércio internacional do INE, publicadas esta segunda-feira, 9 de Abril, mostram ainda que o vestuário caiu a um ritmo menor em Fevereiro, mas ainda assim recuou 2,7% no acumulado de Janeiro e Fevereiro. Em sentido inverso, as matérias-têxteis e a rubrica têxteis para o lar e outros artigos têxteis confeccionados aumentaram as vendas em 7,5% e 3,9%, respectivamente.

 

O crescimento do têxtil, a montante, pode significar que, a prazo, esse desempenho se transmite ao subsector do vestuário, uma vez que os ciclos se sucedem. O porta-voz da principal associação do sector calcula que os intervalos de ciclo podem ser de três a cinco meses, pelo que "os primeiros sinais poderão surgir apenas após as férias" do Verão.

 

Espanha sem bons ventos

 

Embora também haja recuos homólogos no Reino Unido (-2,9%) e na Bélgica (-2,8%) na tabela dos dez melhores mercados, o destino que mais caiu nos dois primeiros meses do ano, num movimento comum a ambos, foi Espanha: -8,8% que renderam menos 24 milhões de euros de exportações e limitaram a progressão neste indicador. O efeito da crise da Catalunha e alguma redução conjuntural nas compras da Inditex são as razões apontadas pela ATP.

 

Se pudermos dispersar mais as nossas exportações, sem perda de valor absoluto, diria que [a quebra nas compras espanholas] é algo que não nos deve preocupar. Paulo Vaz, director-geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal

 

"O mês de Fevereiro já revelou uma quebra mais mitigada do que Janeiro, o que acredito se vá ainda atenuar para os meses que irão chegar. Seja como for, a Espanha já um destino que concentra um terço das nossas exportações, pelo que se pudermos dispersar mais as nossas exportações, sem perda de valor absoluto, diria que é algo que não nos deve preocupar, mas até motivar, pois a dispersão do risco, sobretudo quando a concentração é desproporcionada num só cliente, é sempre positiva quando se opera nos mercados externos", concluiu Paulo Vaz.




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