Indústria Maia acolhe a única fábrica de relojoeira suíça no estrangeiro

Maia acolhe a única fábrica de relojoeira suíça no estrangeiro

A Azurea, fabricante de componentes mecânicos para as indústrias de alta relojoaria, tem três fábricas na Suíça e emprega 30 pessoas na unidade industrial maiata.
Maia acolhe a única fábrica de relojoeira suíça no estrangeiro
A inauguração da nova fábrica na Maia contou com a presença do CEO da Azurea, Daniel Uhlmann (segundo à esquerda).
Rui Neves 05 de abril de 2018 às 22:03

De forma bastante discreta, a suíça Azurea inaugurou, há cerca de duas semanas, a sua nova fábrica na Maia, a única que detém no estrangeiro. Num investimento de três milhões de euros, ocupa quatro mil metros quadrados de construção numa área de 11 mil e emprega 30 pessoas.

"Produzimos peças de relojoaria para a mecânica dos relógios manuais, pinhão (veio dentado), rodas, eixos e conjuntos", contou ao Negócios o COO ("chief operating officer") da empresa. Sem revelar indicadores económico-financeiros, Vincent Skrzypczak detalhou que a unidade maiata "possui 20 máquinas de torneamento, duas fresadoras e uma máquina de erosão a fio", um parque tecnológico que "permite produzir 2,5 a 3 milhões de peças por ano".

Tem mais de 100 anos este grupo suíço especialista na produção de componentes mecânicos de ultra precisão para as indústrias de alta relojoaria e de aparelhos de metrologia. Implementou uma estrutura de produção integral para garantir a independência da empresa e reduzir o tempo de ciclo, através de três fábricas em território helvético, e escolheu Portugal para instalar o seu quarto pólo industrial.

"Contrariamente à imagem transmitida, a Suíça é confrontada com numerosos problemas industriais", que decorrem da "crescente desindustrialização que marca o nosso país", começou por explicar o COO da Azurea maiata quando questionado sobre a internacionalização industrial do grupo.

"O franco forte, a evolução demográfica, os custos [sobretudo laborais] e o desenvolvimento do sector terciário em detrimento do secundário obrigou-nos, pouco a pouco, a procurar soluções alternativas", explicou Vincent Skrzypczak. Como para a Azurea "não era concebível" instalar-se "num país europeu com as mesmas tendência que a Suíça, como, por exemplo, a Alemanha, ou, até certo ponto, a França", escolheu o nosso país.
"Portugal é bem conhecido na Suíça por constituir a terceira comunidade de estrangeiros – são 270 mil, com os quais temos excelentes relações tanto profissionais quanto humanas. Temos muitos portugueses que trabalham connosco", enfatizou o mesmo gestor, concluindo que, "nestas condições, foi fácil a nossa escolha por Portugal". As "ajudas governamentais" e "os conhecimentos técnicos" nacionais também pesaram na decisão.

A Azurea chegou à Maia em 2012. Instalou-se no complexo do Tecmaia, num investimento inicial de quatro milhões de euros e com apenas sete trabalhadores. O grupo suíço decidiu, entretanto, reforçar a aposta na sua única fábrica no exterior, deslocalizando-a para instalações maiores e mais bem situadas na zona industrial da cidade.

Fundada em 1914, a Azurea é detida pelos empresários Frôté, Rollier e Uhlmann (que esteve na inauguração da fábrica maiata), e emprega 200 pessoas.

Investimentos de dois mil milhões

Os investimentos suíços em Portugal ascendiam aproximadamente a dois mil milhões de euros, no final do ano passado, enquanto no sentido inverso o valor é comparativamente residual, fixando-se nos 47,2 milhões de euros, de acordo com dados do Banco de Portugal. Em termos anuais, o investimento helvético  em termos líquidos no nosso país em 2017 foi de 94,9 milhões de euros (contra 225,1 milhões no ano anterior) e o de Portugal na Suíça de 36,5 milhões, o que traduz um crescimento homólogo de  37,3%. Já segundo números do INE, as exportações de produtos portugueses para a Suíça subiram 8,6% em 2017, para 580 milhões de euros, tendo as importações deste país estabilizado nos 270 milhões. Exportamos muitos automóveis e alimentos e importamos sobretudo medicamentos e relógios.




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