Media Nuno Santos diz-se vítima de cilada da Administração da RTP

Nuno Santos diz-se vítima de cilada da Administração da RTP

“Todo este caso se afigura um pretexto para obter e, depois, justificar o meu afastamento”, diz o antigo director de Informação da RTP.
Negócios 29 de novembro de 2012 às 18:18

Nuno Santos acredita que foi vítima de uma cilada que visava criar condições para a sua demissão da direcção de Informação do canal público.

Em resposta ao “resumo” das conclusões do inquérito interno, ontem divulgado pela Administração da RTP liderada Alberto da Ponte, o antigo director de Informação refere que o processo foi conduzido de forma “tendenciosa”, o que o leva a concluir que “todo este caso” em torno da disponibilização de imagens à PSP da manifestação violenta ocorrida no passado dia 14, em frente à Assembleia da República, “se afigura um pretexto para obter e, depois, justificar o meu afastamento”.

“O resultado do ‘inquérito’ estava à partida condicionado”. “Há semelhanças flagrantes entre os tópicos do ‘resumo’ agora dado a público e aqueles que me foram referidos, antes da abertura do ‘inquérito’, pelo Presidente do Conselho de Administração. Aliás, a declaração deste órgão a anunciar a minha demissão contém já estas conclusões, antes do “inquérito”, refere Nuno Santos num depoimento enviado às redacções e que disponibilizou no seu Facebook.

Um inquérito interno da RTP concluiu que Nuno Santos autorizou a PSP a ver as imagens dos incidentes em frente ao Parlamento, dia de geve-geral.

Segundo o relatório do inquérito, entregue na quarta-feira à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), a 14 de Novembro a PSP pediu junto da RTP (subdirecção de produção de informação) a escolha e cedência das imagens dos incidentes do dia da greve, recolhidas pela RTP, bem como o seu visionamento nas respectivas instalações.

E porque é que o queriam demitir? “Durante os últimos vinte meses foi possível trabalhar na Informação da RTP com inteira liberdade e total independência perante todos os poderes e forças políticas, o que só pode ter causado incómodos. Trabalhar com inteira liberdade e total independência não é um detalhe desprezível nestes tempos incertos para o jornalismo e no clima que se vive na empresa e no país”, escreve o antigo director de Informação, agora substituído por Paulo Ferreira, o até agora editor de Economia, antigo director-adjunto do Negócios.

Nuno Santos lamenta não ter sido ouvido num inquérito que tira conclusões sobre a sua actuação e afirma que o “resumo do inquérito” ontem divulgado contem “graves falsidades e lamentáveis juízos de valor” . “Não autorizei em momento algum, e quero deixar isso bem claro, o visionamento de “brutos” sobre os incidentes de 14 de Novembro”, repete. E insiste: como os inquiridores da RTP dependem do Conselho de Administração, é “evidente a necessidade de uma entidade imparcial apurar a verdade”.




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