Media Pedrógão Grande: Direcção de informação da TVI "não recebe lições de ninguém"

Pedrógão Grande: Direcção de informação da TVI "não recebe lições de ninguém"

A direcção de informação da TVI garantiu hoje que "não recebe lições de ninguém sobre sensibilidades profissionais", reagindo assim à abertura de um processo de averiguações por parte do regulador da Comunicação Social a uma reportagem daquela estação.
Pedrógão Grande: Direcção de informação da TVI "não recebe lições de ninguém"
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 19 de junho de 2017 às 23:41

O Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) anunciou hoje a abertura de um procedimento de averiguações a uma reportagem emitida na edição de domingo do "Jornal Nacional da TVI" sobre o incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande.

 

Num comunicado hoje divulgado, a direcção de informação da TVI considera "perfeitamente normal e inquestionável" a abertura de um processo de averiguações sobre a cobertura jornalística dos acontecimentos em Pedrógão Grande, no entanto questiona por que é que essas averiguações incidem apenas numa reportagem emitida no domingo no Jornal das 8, esclarecendo que "o Jornal Nacional da TVI acabou em 2009". "Isso é algo que já não se entende e carece de uma explicação por parte do regulador", defende.

 

"Porquê a TVI? Porquê só a TVI? E o que de especial havia nessa reportagem que motiva a ERC justificar-se com uma sintonia 'com a sociedade portuguesa' que nunca ninguém viu? Ou de ensaiar julgamentos morais com critérios que não são explicados, mas que, no entender dos conselheiros, serão suficientes para calibrar o que os próprios consideram ser 'uma sensibilidade profissional a toda a prova'", questiona a direcção de informação, garantindo que "não recebe lições de ninguém sobre sensibilidades profissionais", "nem do regulador, que se deve limitar ao cumprimento do seu dever e da missão que lhe foi fixada pelas leis da República".

 

A direcção de informação alega que "há órgãos de comunicação social que decidiram revelar as fotos de crianças que morreram nos incêndios" e que "outras televisões abriram os seus principais serviços noticiosos mostrando corpos espalhados no chão", mas que "não têm sido essas as opções editoriais" da TVI.

 

Os responsáveis pela informação do canal garantem que a TVI "tem procurado respeitar a dor de quem sofre, sem a esconder".

 

Apesar de a ERC não referir qual a reportagem em causa, em relação à qual recebeu "mais de 100 participações que contestam o plano televisivo em que aparece um dos cadáveres da tragédia", a direcção de informação admite que deverá tratar-se de "uma reportagem 'live on tape' que a jornalista directora-adjunta da estação [Judite de Sousa] realizou em aldeias onde nem bombeiros ou equipas de resgate tinham sequer ainda chegado".

 

Num dos locais onde a jornalista realizou a reportagem "estava efectivamente um cadáver, estendido há muitas horas e tapado com um lençol branco-- a pior das metáforas da incapacidade da assistência civil atender todas as populações que foram implacavelmente atacadas pelas chamas". Para a direcção de informação da TVI, "esta circunstância confere um evidente relevo informativo, que não compete ao regulador definir".

 

O fogo, que deflagrou às 13:43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

 

O último balanço oficial dá conta de 64 mortos e 135 feridos. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

 

Além de Pedrógão Grande, existem quatro grandes fogos a lavrar nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco. A cobertura noticiosa do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande levou também o Sindicato dos Jornalistas (SJ) a pronunciar-se.

 

Num comunicado hoje divulgado, o SJ condenou o sensacionalismo da cobertura noticiosa dos incêndios, recordando que "não deve ser perturbada a dor" das pessoas envolvidas e instou os órgãos reguladores, nomeadamente a ERC e a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista, "a agirem" perante os casos que não cumpram as regras deontológicas.




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mais votado Anónimo 20.06.2017

A cmtv e a tvi 24 são dois canais ávidos pelo fogo, para transformarem a desgraça humana em espectáculo televisivo. Têm um comportamento incendiário!
A figurinha deprimente e caquética da senhora Judite à frente de um cadáver, transmitiu a imagem de um cadáver em pé, à frente de outro deitado.

comentários mais recentes
Modi 21.06.2017

Ponham a Judite no gabinete, paguem-lhe o salário mas não a deixem aparecer à frente da câmaras pois está a contribuir para o descrédito da emissora. Sei que perdeu um filho, mas o desgosto deu-lhe para querer ser uma Barbie. É a forma de vestir, de falar de conduzir as notícias. Comparem com o prossionalismo da Clara de Sousa.

Antunes 20.06.2017

A "informação" deste canal fica cortada em minha casa durante uns anos... é a gota de água para quem quer concorrer com a "CMTV"

ahah 20.06.2017

" a TVI não recebe lições de ninguém" para além do português manhoso, duas negativas na frase, lembro-me por exemplo da noticia sobre a resolução do Banif que originou a corrida aos levantamentos apressando descalabro do dito. Na nossa (?) televisão vale tudo para garantir audiências.

CAMALEAO COMUNISTA 20.06.2017

POLUIS ESTE FORUM COM A TUA PROPAGANDA IMUNDA!
DIZES QUE "O JORNALISMO NAO PODE SER O QUARTO PODER"?
CLARO, O QUE TE ENSINARAM NO POLITBURO EH QUE O UNICO JORNALISMO PERMITIDO EH O DE ESQUERDA.
ISSO NAO EH DEMOCRACIA, EH TOTALITARISMO - E TU SABES!

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