Cartões de fidelização é no mundo digital
30 Setembro 2010, 11:37 por Alexandra Machado | amachado@negocios.pt
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A virtualização dos cartões de fidelização permite às empresas emissoras um conjunto alargado de serviços. É essa a aposta da Cardmobili
O prémio| Helena Leite, presidente da Cardmobili, recebe o prémio da Vodafone para melhor “start-up” móvel.
O começo deu-se em 2009, com a primeira versão de teste. O Porto foi a cidade escolhida para três empreendedores, que já tinham dado provas de sucesso (ver bilhete de identidade), iniciarem um projecto designado Cardmobili. De Portugal, a passagem rápida para os Estados Unidos da América e Canadá, mercados "fãs" de cartões de fidelização e de cupões de descontos.

Munida de números, a Cardmobili acredite no potencial de negócio. Nos Estados Unidos da América existem, em circulação, dois mil milhões de cartões. No ano passado foram utilizados quatro mil milhões de cupões desconto. Em Portugal, a empresa com maior número de cartões-cliente é a Modelo Continente, com três milhões. Nos Estados Unidos, os maiores retalhistas têm entre 30 e 60 milhões de aderentes aos seus programas de fidelização. Conseguir captar uma destas insígnias como sua cliente é o passaporte para a massificação do serviço Cardmobili. O verdadeiro "boom".

Mas como funciona? A ideia é simples. Ou parece. Por trás está uma equipa de desenvolvimento que está nesta fase a tentar patentear partes do programa nos Estados Unidos. Voltando ao funcionamento, a ideia é que os consumidores passem para uma base virtual todos os seus cartões de fidelização - o de milhas da transportadora aérea, o da loja onde faz as suas compras alimentares, onde compra os seus livros, o do seguro de saúde, entre tantos outros. Adicionada à base virtual (no "site" www.cardmobili.com), descarrega-se uma aplicação para o telemóvel - já disponível nos principais sistemas operativos e nas principais lojas de aplicações móveis, devendo ser uma aplicação-demonstração do novo Windows Mobile 7- e assim ficam os cartões sempre à mão. Tudo isto é gratuito para o utilizador. O negócio para a Cardmobili está nos serviços que consiga vender às empresas emissoras desses cartões. Para este ano, as receitas deverão ficar nos 200 mil euros, projectando-se para o próximo exercício superar o milhão.

Em Portugal, já há parcerias firmadas. A mais recente é com a LDC (Loja do Condomínio), sendo a Cardmobili responsável pelo cartão digital, além de toda a gestão de mensagens aos clientes para informações e outras funções. Um cartão 100% digital, que é o sonho da Cardmobili: acabar com os carões de plástica e de papel. A Loja do Condomínio chega a 100 mil lares, lembra Helena Leite, realçando que, em Portugal, a Cardmobili tem cerca de 20 mil utilizadores.

Além das negociações para aumentar os negócios nos três países onde a empresa está já presente, Helena Leite, presidente da Cardmobili, garante que a expansão está, também, a ser feita na Europa, nomeadamente no Reino Unido e Holanda. Brasil e México podem ser os países para a fase seguinte, depois de estabilizar o mercado europeu. Em 2011, pode ser que a América Latina aconteça.

Na realidade, a aplicação pode ser utilizada em qualquer país, mas a Cardmobili só assume estar num mercado a partir do momento em que faz o trabalho de campo que passa: pela construção da base de dados de cartões de fidelização existente nesse país, pela comunicação da existência do serviço e pelo contacto com as empresas emissoras para que aceitem dos seus clientes o cartão virtual e para que haja perspectivas de integração de mais serviços.



Bilhete de Identidade



A Cardmobili nasceu em 2009 e tem como sócios António Murta, Jorge Brás e Carlos Oliveira, três empreendedores portugueses que fizeram das melhores vendas de empresas por si criadas em Portugal. António Murta e Jorge Brás criaram a Enabler, vendida à indiana Wipro. Carlos Oliveira fundou a Mobicomp, vendida, mais tarde, à Microsoft. Reuniram-se, mais tarde, para criar a Cardmobili, que tem hoje 12 pessoas, na maior parte programadores.

Para este ano projecta vendas de 200 mil euros, para em 2011 atingir o "break even" realizando receitas já acima do milhão de euros.



Exposição mediática disparou com prémio da Vodafone



O núcleo de candidatos foi sendo reduzido à medida que o concurso chegava ao fim. Da lista inicial de 160 empresas foram escolhidas 20 semi-finalistas. Depois, numa outra ronda foram seleccionadas as cinco melhores de cada um dos países, para finalmente se escolher as finalistas - uma por cada país a concurso (Portugal, Reino Unido, Espanha e Holanda).

A Cardmobili foi a portuguesa seleccionada para disputar a final com a espanhola Malcolm, a holandesa Akvo Phone e a britânica Roulette Cricket. O concurso da Vodafone foi criado para escolher a melhor "start-up" da área móvel a nível internacional.

Na final, a vitória foi mesmo para a Cardmobili. Um galardão que permitiu à empresa portuguesa arrecadar 100 mil euros. Mas, como Helena Leite, presidente executiva, revela: o dinheiro é importante, mas a projecção foi o principal benefício. A Cardmobili entrou, pela primeira vez, nas páginas do "New York Times", exemplifica. "O prémio é o reconhecimento internacional e da indústria", afirma a mesma responsável, que garante ter este concurso permitido o contacto da Cardmobili com muitos intervenientes no mercado, nomeadamente investidores.

Acaba, por isso, por se traduzir numa "certa validação da ideia de negócio e seu potencial", conclui.



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