PME Cuidados a ter com o plano de negócios
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Cuidados a ter com o plano de negócios

O "plano de negócios" é uma das ferramentas mais importantes para o seu novo ou actual negócio. No entanto, neste artigo quero apenas concentrar-me em alertar para os cuidados a ter com um plano de negócios, quando o fazemos...

Há três erros muito vulgares que se cometem quando se elabora um plano de negócios. Cada um deles pode comprometer gravemente a viabilidade de um novo projecto. Saiba como evitá-los.

O "plano de negócios" é uma das ferramentas mais importantes para o seu novo ou actual negócio. No entanto, neste artigo quero apenas concentrar-me em alertar para os cuidados a ter com um plano de negócios, quando o fazemos pela primeira vez, para uma nova ideia, negócio ou projecto.

São três os cuidados a ter na elaboração de um plano de negócios, para a subsistência do nosso recém-criado negócio:

1. O "factor tempo". Se está a iniciar um negócio, o tempo é o maior responsável pela assertividade dos números aí considerados. Exemplo: considere que para facturar 100 mil euros em seis meses, necessita de investir 80 mil euros. À partida, parece que é um negócio rentável, mas, na verdade, pode não ser. Porquê?

Um dos primeiros erros que cometemos, é pensar que vamos vender a um ritmo superior ao real. Se, na realidade, os 100 mil euros não forem atingidos ao fim de seis meses, isso vai gerar impactos. Se temos 80 mil euros de custos nos primeiros seis meses de actividade, isto pode significar que temos um investimento inicial de, por exemplo, 20 mil euros, seguido de um custo operacional de 60 mil euros dividido por seis meses, ou seja, de 10 mil euros por mês.

Caso o nosso objectivo inicial de vendas não se tenha concretizado no período de seis meses, mas sim num período de doze meses, então o nosso custo operacional total passou a ser de 120 mil euros, mais 20 mil euros de investimento inicial, ou seja, um custo total de 140 mil euros. As vendas situaram-se nos mesmos 100 mil euros previstos, mas o resultado foi negativo em 40 mil euros.

Quero com este exemplo alertar para o "factor tempo" no alcance das vendas previstas no seu plano de negócios, que pode levá-lo de um cenário positivo a um negativo. Esta pode ser uma das causas de falência do projecto no primeiro ano de actividade, especialmente quando os promotores iniciam negócios apenas com o capital que julgam ser necessário para o arranque do seu negócio, ou seja, os 80 mil euros do exemplo citado.

Seja conservador nos números, reflicta as vendas progressivamente no seu plano de negócios, começando com poucas vendas, e assumindo um crescimento suave nos primeiros meses. Não se esqueça que o custo é real desde o primeiro mês, o que pode trazer-lhe um défice acentuado, caso não considere o tempo adequado para alcançar as vendas previstas.

2. Cobranças a empresas. Hoje em dia, muitas das empresas pagam a 60 ou a 90 dias, o que cria um desequilíbrio importante no mapa de tesouraria. Voltando ao exemplo anterior, mesmo que as vendas corram de acordo com o planeado, atingindo 100 mil euros dentro dos primeiros seis meses, e caso só tenhamos os 80 mil euros para iniciar o nosso negócio, o facto de recebermos a 90 dias pode significar que num determinado mês não vamos ter dinheiro para pagar as despesas correntes, o que põe em risco a continuidade da empresa. Se vendermos os 100 mil euros no mês cinco, só cobramos no mês oito, ou seja, estaremos dois meses sem dinheiro. Faça um mapa de tesouraria, repercutindo o valor da venda no mês da cobrança. Veja agora se existem meses com rupturas financeiras.

3. As taxas e serviços obrigatórios associadas a uma empresa. Existem custos para a constituição de empresas, contabilidade organizada, seguros de trabalho ou segurança social associada às remunerações. Informe-se com um contabilista de todas estas taxas e serviços, porque podem acrescentar entre 10% a 20% sobre o custo mensal inicialmente estimado. Para o exemplo citado, poderíamos estar a falar de oito mil a 16 mil euros a mais no custo total durante os primeiros seis meses.

Termino com o meu caso. No passado sempre que pensava em montar um negócio, apenas calculava o total de vendas, a que subtraía o total de custos. Nunca considerava o factor tempo. No entanto, fiquei muito surpreendido quando esses números foram correctamente trabalhados por uma consultora que me apoiou, no plano de negócios, identificando que o valor que tinha estimado para a viabilidade do projecto tinha ficado cerca de 2,5 vezes abaixo do real. Se não é financeiro, não faça o plano de negócios sozinho, porque poderá involuntariamente inviabilizar o seu negócio, desde muito cedo.

Dicas
1. Considere sempre mais tempo do que idealiza para concretizar as suas vendas. Seja exagerado no tempo que necessita e não optimista, porque tempo é dinheiro. E, se não tem tempo para concretizar as suas vendas, só lhe resta ter dinheiro para continuar no mercado.

2. Estabeleça o pior cenário de cobranças. Considere 90 dias para não ter más surpresas. Mais de 90 dias devem ser considerados no caso de cobranças ao Estado, ou empresas que tenham políticas de pagamento superiores àquele prazo. Informe-se a quantos dias paga aquele que será o seu cliente mais importante, no início da sua actividade.

3. Informe-se sobre as taxas e serviços obrigatórios. Recorra a um contabilista, verifique em portaldaempresa.pt ou dirija-se à Loja da Empresa, cujas moradas pode encontrar na Internet.



Quero que os meus artigos sejam úteis para si.
Por isto, proponho que me envie para o "e-mail"
jng@negocios.pt, com o assunto "Manual do Empreendedor", todas as suas questões, dúvidas ou experiências sobre os cuidados a ter num plano de negócios.
*Fundador e presidente da Zonadvanced




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