PME Saúde dá vida a novas empresas
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Saúde dá vida a novas empresas

Há vários desafios no mundo da saúde. Muitos deles despertam oportunidades de negócio. E surgem projectos que dão origem a empresas, que nascem logo a olhar para o mercado internacional.
Alexandra Machado 26 de Abril de 2012 às 12:15
Saúde | O envelhecimento da população garante novas oportunidades de negócio que as empresas cada vez abordam.


As ciências da vida estão no radar das empresas de capital de risco, dos "business angels" (investidores particulares) e dos fundos de investimento. Ainda que em 2011 não tenha sido uma no relevante em investimentos de capitais de risco neste sector em Portugal, há vários projectos que estão a ser desenvolvidos em colaboração com algumas destas empresas, nomeadamente as sociedades veículo criadas com "business angels".

Na Europa, as capitais de risco investiram, em 2011, um total de 4,9 mil milhões de euros no sector das ciências da vida, num montante global que atingiu os 45 mil milhões de euros. Em Portugal, segundo os últimos dados a APCRI (Associação Portuguesa de Capitais de Risco), 2011 foi um ano recorde em termos de investimentos, totalizando 423 milhões de euros, mas as ciências da vida não estiveram no centro das atenções, embora todos os anos sejam apontadas como alvos.

Em Portugal, no entanto, crescem os novos projectos ligados às ciências da vida, sendo grande parte "spin-offs" de instituições de investigação nacionais ou com ligações a estas. No entanto, um estudo do ISEG, para o Health Cluster Portugal, avança que "o investimento angariado por essas 'start-ups' fica muito aquém das médias internacionais e tem origem essencialmente em fontes nacionais". De facto, Orfeu Flores afiança que "o sector da biotecnologia tem sido demasiado depende de capitais de risco públicas e do programa QREN (Quadro de Referência Nacional)".

Crise desmotiva?
O momento de crise, que obriga o Estado a cortar também na saúde, está a desmotivar os empreendedores. Em contraponto, Raquel Sousa, fundadora da Increase Time, diz que o actual momento até pode favorecer investimentos nesta área. É que, explica, investir em novos meios de diagnóstico e de tratamento poderá contribuir, também, para esse corte de custos. Esta versão optimista não é, no entanto, partilhada para todos. Daniela Couto, fundadora da Cell2B, admite que o momento possa limitar os investimentos. Mas estas duas empresas são mesmo exemplos de projectos que nascem num período de crise.

Joaquim Cunha, director executivo da Health Cluster Portugal, acredita que a realidade tem demonstrado que as empresas não se deixam intimidar pela crise e "procuram encontrar janelas de oportunidade nos momentos de maiores dificuldades".

Não é apenas a exigência de maior eficiência que conduz a novas oportunidades. Também os desafios com o envelhecimento da população garantem novas áreas de negócio. Ou, ainda, o maior conhecimento de áreas médicas.

Investigação dá frutos
A investigação universitária também contribui para o maior número de "start-ups" nas ciências da vida. Também é pela investigação que tem passado a afirmação portuguesa nesta área a nível internacional.

Havendo tantos projectos a sair do meio universitário e de institutos de investigação, é de esperar que o reconhecimento internacional chegue também às empresas. E tem chegado. Aliás, há vários exemplos de companhias de base tecnológica da saúde criadas em ligação com a investigação. Pode-se, nestes casos, incluir a Alfama, a Crioestaminal, a CGC, a Biopremier, a Bioteca, a Biotrend, a Biotecnol, entre outras.

Joaquim Cunha - como aliás as empresas contactadas pelo negócios - acredita que nos próximos anos será visível um aumento do número de empresas portuguesas a operar o mercado global da saúde. Aliás os números expressam isso mesmo. Em 2011, já se exportaram 900 milhões de euros de produtos e serviços ligados à saúde.

Para Joaquim Cunha Portugal dispõe de várias condições para ser bem sucedido lá fora: empresas já globalizadas, universidades que apostam na inovação, instituições de investigação & desenvolvimento de "nível excelente", hospitais com elevado desempenho e de recursos humanos altamente qualificados. "Assim, é razoável ambicionar que Portugal possa encontrar neste sector uma afirmação, quer no mercado interno, quer no competitivo mercado externo", conclui.




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