Tecnologias Banca contrata “nerds” para proteger aquisições de ataques cibernéticos

Banca contrata “nerds” para proteger aquisições de ataques cibernéticos

Executivos e investidores estão a contratar um grupo inusitado para os ajudar a fazer negócios: “nerds” de informática.
Banca contrata “nerds” para proteger aquisições de ataques cibernéticos
Reuters
Bloomberg 28 de junho de 2017 às 15:20

Empresas e fundos de investimento estão a acrescentar mais uma camada de análise às aquisições e passaram a investigar os riscos de segurança cibernética a que os alvos estão sujeitos, porque os ataques mundiais a computadores aumentam a consciencialização sobre estas ameaças.

 

Este contexto está a provocar o aparecimento de ofertas de trabalho criadas especificamente para as aquisições por diversos actores, de consultoras como a Deloitte a fornecedores de software como a Intralinks Holdings.

 

"Existe o risco de comprar uma casca vazia", pagando-se em excesso por um alvo cujas patentes foram espionadas e copiadas, ou cujos dados confidenciais de clientes foram roubados, disse Michael Bittan, chefe da unidade de Serviços de Risco Cibernético da Deloitte na França. "A segurança cibernética não tem a ver com obter técnicas, mas com o impacto comercial e, em última instância, com as avaliações. Isto tornar-se-á um dos pilares das decisões sobre fusões e aquisições."

 

O surgimento da especialização em segurança cibernética para fusões e aquisições ocorreu depois de um ataque à Yahoo! em 2014 que afectou cerca de 500 milhões de contas, prejudicando a reputação da empresa e fazendo com que a Verizon Communications reduzisse a sua oferta de compra para a empresa em 350 milhões de dólares. Existe a preocupação de que os vírus informáticos possam ser instalados e que permaneçam inactivos até depois de um acordo, o que faria com que o comprador tivesse de lidar com o roubo de dados de clientes, de segredos industriais ou com pedidos de resgate.

 

Na Deloitte, a equipa francesa da Bittan iniciou o serviço há cerca de três meses e já conquistou aproximadamente uma dúzia de clientes. A unidade mundial de segurança cibernética da Deloitte, como um todo, registou 850 milhões de dólares em vendas durante o ano fiscal terminado em Maio de 2016 e tem o objectivo de fechar o ano de 2020 com 1,8 mil milhões de dólares.

 

"Desistir de transacções"

A maioria dos executivos tentaria reduzir significativamente a avaliação de uma transacção em caso de violação de dados de alto perfil, segundo um estudo realizado no ano passado pela operadora de bolsa NYSE. Cerca de 85% dos executivos entrevistados no estudo disseram que descobrir grandes vulnerabilidades na fase de auditoria de uma aquisição provavelmente afectaria a decisão final sobre dar continuidade à operação ou desistir.

 

"Essa tendência crescerá - mais empresas vão desistir de transacções ou desvalorizar o alvo", disse Grace Keeling, chefe de comunicação da Intralinks, que realizou uma pesquisa parecida. A empresa, que fornece salas virtuais de armazenamento para clientes como o Credit Suisse Group durante a realização de negócios, informou que a maioria dos entrevistados do seu estudo reduziria a avaliação em até 20% em caso de violação no alvo.

 

Título original em inglês: Bankers Are Hiring Security Experts to Help Get Deals Done




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