Tecnologias Conheça o helicóptero mais luxuoso que nunca irá voar

Conheça o helicóptero mais luxuoso que nunca irá voar

O FCX tem apenas um assento de piloto, mas nenhum instrumento. Os controlos de voo seriam comandados através de um capacete de realidade aumentada.
Bloomberg 15 de março de 2017 às 16:31

Na maior feira da indústria de helicópteros, que se realizou na semana passada, estavam estacionadas dezenas de aeronaves num espaço de 28 mil metros quadrados no centro de convenções de Dallas, nos EUA. Contudo, apenas uma atraía uma multidão constantemente, com mais de 1.000 pessoas reunidas em torno do FCX-001 da Bell.

 

Assim como as fabricantes de carros lançam modelos conceptuais nos salões de automóveis, a Bell Helicopter Textron decidiu no Verão passado construir um helicóptero para exibir as suas tecnologias mais inovadoras, disse Scott Drennan, director de inovação da Bell, que tem sede em Fort Worth, Texas, EUA.

 

Os desenvolvimentos conseguidos pela empresa, amplamente conhecida pelos helicópteros UH-1 "Huey" usados pelos militares norte-americanos no Vietnam, provavelmente aparecerão em helicópteros daqui a muitos anos. 

O FCX-001, exibido ao público no evento Heli Expo 2017, de três dias, é mais uma afirmação do que um protótipo de um sector que sofreu profundos recuos nos campos de petróleo e gás. O conceito FCX transporta entre 8 a 12 passageiros, mas não foi pensado para voar. Em vez disso, apresenta diversos recursos de tecnologia que provavelmente migrarão para modelos de produção nos próximos anos, explicou Drennan.

 

"O objectivo era permitir que a equipa criativa nos deixasse mais perto de nossos limites físicos e de engenharia ou transformasse o nosso ponto de vista de tal forma que a perspectiva ficasse realmente diferente", disse o mesmo responsável. "E então os engenheiros trariam esses modelos criativos mais para perto dos limites da engenharia e da física."

 

Rotor simples

Os helicópteros tradicionais possuem dois rotores, um no tecto e outro na cauda. A Bell prevê que no futuro será usado apenas um devido à tecnologia "anti-torque" que está em ascensão e que tornará as pás traseiras menores obsoletas. Essa técnica deverá reduzir o nível geral de barulho do helicóptero - uma consideração importante para os compradores e para os órgãos reguladores, disse Drennan. Os engenheiros da Bell consideram o conceito promissor e tencionam começar a testar a abordagem "seriamente" no terceiro trimestre, adiantou o mesmo responsável.

 

Pás que se transformam

A capacidade de alterar as pás do rotor durante voos para a frente oferece duas grandes vantagens - eficiência de combustível e um perfil de barulho geral menor. Mas existe um enorme obstáculo: os desafios de engenharia que surgem com a mudança da forma da pá em voo. Essa técnica poderá demorar muitos anos para chegar à fase de produção.

 

Motor híbrido

O FCX é baseado na ideia de misturar um turbo-eixo convencional para o rotor principal com um motor eléctrico para mover o sistema anti-torque da cauda. Os dois ficariam desacoplados, permitindo que o sistema traseiro se desligasse se necessário.

 

Fuselagem que capta energia

A Bell está a estudar fibras de carbono avançadas e outros materiais que podem ajudar a captar energia vibracional e convertê-la em electricidade para o motor.

 

Deck de voo virtual

O FCX com dois motores tem um único assento de piloto, mas nenhum instrumento. Os controlos de voo seriam comandados através de um capacete de realidade aumentada, parecido com a tecnologia empregada em avançados jactos de combate. Os computadores de voo lidariam com parte das manobras de rotina e mais perigosas envolvidas num voo seguro, explicou Drennan. Os passageiros também usariam um capacete semelhante para comunicação e entretenimento. De alguma forma, um helicóptero como o FCX voaria de forma autónoma.


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