Tecnologias Humanos estão a perder importância no maior mercado do mundo

Humanos estão a perder importância no maior mercado do mundo

O mercado cambial, de 5,1 biliões de dólares por dia, está a perder o seu toque humano.
Humanos estão a perder importância no maior mercado do mundo
Reuters
Bloomberg 08 de novembro de 2017 às 16:15

Os humanos estão a perder importância no maior mercado do mundo. Esta é a conclusão dos responsáveis por equipas de negociação cambial consultados pelos organizadores da conferência TradeTech FX, em Miami. Dos 100 entrevistados da América do Norte, 94 disseram que pretendiam automatizar mais as suas operações de câmbio nos próximos três anos.

O mercado está a adoptar o trading electrónico e algorítmico e a Coalition Development estima que entre 2012 e 2016 os bancos reduziram as equipas da linha da frente de vendas, trading e análise em cerca de um quarto no mercado de câmbio do Grupo das 10 economias mais desenvolvidas do mundo.

A automação também ganhou preferência depois de alguns dos maiores bancos do mundo se terem envolvido em escândalos de manipulação cambial que resultaram em mais de 10 mil milhões de dólares em coimas. Ainda no mês passado, um ex-executivo do HSBC foi o primeiro indivíduo condenado por "front-running" depois de as revelações terem desencadeado investigações em todo o mundo.

"Estes escândalos só aceleraram o avanço" em direcção à tecnologia que permite que os investidores executem pedidos online e obtenham preços melhores com mais rapidez, disse Paresh Upadhyaya, gestor de portfólio da Amundi Pioneer Asset Management, que gere cerca de 83 mil milhões de dólares. "Isso deixa as pessoas um pouco nervosas e faz com que aceitem mais as regras", disse Upadhyaya, que também tem assento no conselho consultivo da conferência e participou do estudo.

A análise mostra que os participantes do mercado ainda têm espaço para ampliar a parcela do trading independente dos humanos, já que 62% dos participantes automatizaram um quarto dos seus fluxos ou menos. Apenas 8% afirmou que a automação representava mais da metade dos fluxos.

"É uma tendência irreversível", salientou Upadhyaya. "O foco na gestão de recursos é claramente a melhor execução para os nossos accionistas e também é importante manter as despesas baixas."

Outras conclusões da análise TradeTech FX, realizada no terceiro trimestre:

- As maiores prioridades das mesas de trading cambial, além da melhor execução, são: reavaliar relações entre corretoras e contrapartes (54% dos entrevistados), encontrar métodos alternativos para obter liquidez (49%) e reduzir custos (47%);

- A regulação teve um efeito positivo geral sobre os mercados de capitais na última década (64% dos entrevistados concordam);

- Londres perderá o status de capital global de câmbio após o Brexit (77% dos entrevistados concordam).


(Texto original: Humans Are Becoming Less Important in the World's Biggest Market)




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mais votado Anónimo Há 2 semanas

Digam lá qual a "labor force participation rate" dos EUA. Nos EUA está em níveis mínimos só comparáveis aos da década de 1970. Se analisarmos por género, o indicador está no nível mínimo absoluto para o género masculino desde pelo menos o registo oficial referente a 1948. O capital substitui-se ao trabalho a passos largos, firmes e felizmente irreversíveis.

comentários mais recentes
bucks Há 2 semanas

Brave new world.
Até atingirem os que estão no alto e os substituirem por robots.

Anónimo Há 2 semanas

Mas isto é o que a esquerda anda a dizer há mais de uma década... "A regulação teve um efeito positivo geral sobre os mercados de capitais na última década (64% dos entrevistados concordam);" Afinal alguém me explica porque é que a social democracia ficou refém dos neo-liberais corruptos?

Anónimo Há 2 semanas

Já se sabe desde há muito que o factor trabalho tende a ser substituído pelo factor capital à medida que a inteligência artificial se desenvolve. O cérebro humano vale cada vez menos quando é usado única e exclusivamente para comandar os membros e nada mais do que isso. É como aquela história do pensar-se com o membro ou órgão de baixo e mais nada - vale pouco e leva a vidas de pouco valor. E mesmo para raciocínios mais complexos e menos braçais, a competição movida pelas máquinas será cada vez maior. Encarem a valorização imparável do mercado de acções como sendo o reflexo do fim da boçalidade, da mediocridade, da futilidade e da banalidade e a entrada noutro patamar da evolução civilizacional e humana. Muitos artistas ficaram desagradados, mas é a vida.

Anónimo Há 2 semanas

Digam lá qual a "labor force participation rate" dos EUA. Nos EUA está em níveis mínimos só comparáveis aos da década de 1970. Se analisarmos por género, o indicador está no nível mínimo absoluto para o género masculino desde pelo menos o registo oficial referente a 1948. O capital substitui-se ao trabalho a passos largos, firmes e felizmente irreversíveis.

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