Tecnologias Presidente da Google encontra-se amanhã com Papa Francisco

Presidente da Google encontra-se amanhã com Papa Francisco

O sumo pontífice já afirmou que a internet é "um dom de Deus", mas também apelidou a acumulação de dados como "poluição mental". A agenda do encontro entre o chefe da Santa Sé e um dos rostos das novas tecnologias não foi revelada.
Presidente da Google encontra-se amanhã com Papa Francisco
Ana Serafim 14 de Janeiro de 2016 às 13:50

Ao vivo e a cores, em tempo real, de carne e osso. Assim deverá ser a conversa que o Papa Francisco e Eric Schmidt, o chairman executivo da gigante tecnológica Alphabet, que inclui o Google, protagonizam amanhã, sexta-feira, no Vaticano.


Segundo a imprensa internacional desta quinta-feira, 14 de Janeiro, o sumo pontífice e o empresário vão reunir-se durante 15 minutos, embora a agenda do encontro não tenha sido confirmada.

Citando fontes anónimas, o Financial Times avança que Schimdt poderá ir até à cidade-Estado a título pessoal, para falar sobre problemas ambientais, causa para a qual tem feito donativos através da sua fundação e que também é querida do Papa, sobretudo o combate à mudanças climáticas.

Já o The Guardian noticia, citando uma fonte próxima do assunto, que na reunião também participará Jared Cohen, agora na liderança da Google Ideas e co-autor, com Eric Schmidt, do livro "A nova era digital – Reformulando o futuro das pessoas, das Nações e da Economia".


Na verdade, essa também poderá ser uma temática abordada no diálogo que conectará o mundo da tecnologia com a Santa Sé.

Nos últimos tempos, o chefe da igreja católica tem criticado o descontrolo dos mercados. E raras foram as vezes que – pelo menos oficialmente – manifestou proximidade com Wall Street ou Silicon Valley e Bay Area, as mecas da alta finança e da revolução tecnológica.

Do seu pontificado, constam apenas alguns encontros com magnatas como Steve Schwarzman, fundador da Blackstone, quando esteve nos EUA, no ano passado.

Mas emanam várias análises sobre o mundo da tecnologia, a voracidade do digital, o impacto nas novas tecnologias no comportamento humano.

 

Numa mensagem divulgada a 1 de Junho de 2014, dia mundial das comunicações, o Papa Francisco considera que "a internet pode oferecer maiores possibilidades de encontro e de solidariedade entre todos; e isto é uma coisa boa, é um dom de Deus". Mas também aponta "aspectos problemáticos", argumentando que "a velocidade da informação supera a nossa capacidade de reflexão e discernimento". "A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas", realça.


Já na Carta Encíclica "Laudato Si", o Papa reflecte também sobre a tecnologia, assumindo que, "às vezes, resolve um problema criando outro". A "verdadeira sabedoria", opina, "não se adquire com uma mera acumulação de dados, que, numa espécie de poluição mental, acabam por saturar e confundir".

E, prossegue, "tendem a substituir as relações reais com os outros, com todos os desafios que implicam, por um tipo de comunicação mediada pela internet", gerando "emoções artificiais, que têm a ver mais com dispositivos e monitores do que com as pessoas e a natureza", cuja oferta é "sufocante".

Não se sabe que argumentos usará amanhã Eric Schmidt, que conduz os destinos de gigantes como o Youtube, Android ou Google Search, para contrariar esta visão de Francisco. Ou sequer se vai tentar fazê-lo.


Mas sabe-se, contudo, que o Papa também tem aproveitado os benefícios das redes sociais. A sua conta no Twitter em inglês, onde se faz ouvir com frequência, tem 8,4 milhões de seguidores.




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comentários mais recentes
Maria Valentina Umer 14.01.2016

What has the catholic religion/Vatican in common with Google? Both try to dominate the world. The intellectuals in this world should be aware of manipulations by these very different organizations, who, however, have the same goal: domination of the masses.

Maria Valentina Umer 14.01.2016

A Igreja Católica foi sempre um negócio. O Vaticano é um banco mafioso com padres pedófilos e homosexuais, cada um a fazer-se ao poder dentro desta organizacao medieval. Papa Francisco e a sua ``igreja`` nao tem nada a ver com Google e os seus chefes. A máfia continua, na igreja e nos negocios.

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