Tecnologias Receitas e lucros da Yahoo superam estimativas no primeiro trimestre

Receitas e lucros da Yahoo superam estimativas no primeiro trimestre

A tecnológica norte-americana liderada por Marissa Mayer registou um volume de negócios e um resultado líquido nos primeiros três meses de 2017 acima das expectativas do mercado.
Receitas e lucros da Yahoo superam estimativas no primeiro trimestre
Bloomberg
Carla Pedro 19 de abril de 2017 às 02:02

As vendas da Yahoo  excluindo as receitas partilhadas com outros websites parceiros (ou seja, o custo com a aquisição de tráfego) ascenderam a 833,8 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2017, o que correspondeu a uma queda de 3% face ao período homólogo do ano passado. No entanto, estas receitas superaram as estimativas dos analistas, que apontavam para uma média de 812 milhões.

 

Por seu lado, o volume de negócios incluindo as receitas partilhadas aumentou 22,1%, para 1,33 mil milhões de dólares, contra 1,09 mil milhões um ano antes, segundo as contas apresentadas pela empresa após o fecho das bolsas do outro lado do Atlântico. Os analistas questionados pela Thomson/Reuters apontavam para 1,23 mil milhões, pelo que este resultado superou o consenso de mercado.

 

Já o lucro por acção sem itens extraordinários atingiu, entre Janeiro e Março, 18 cêntimos de dólar (um aumento de 125% face aos 8 cêntimos do período homólogo) - quando o valor médio projectado pelos analistas da Thomson/Reuters era de 14 cêntimos.

 

O resultado líquido atribuível à Yahoo – que conta com itens extraordinários – foi de 99,4 milhões de dólares, ou 10 cêntimos por acção, quando no mesmo período do ano anterior a tecnológica tinha reportado prejuízos de 99,2 milhões de dólares (10 cêntimos de perdas por acção).

 

A CEO, Marissa Mayer, tinha anunciado em Janeiro que a conclusão da venda das principais operações web da Yahoo [que tem sido um negócio "core" da empresa e que inclui o serviço de email, motor de busca e portal de notícias] à Verizon Communications, que deveria ficar concluída no primeiro trimestre, tinha adiada para o segundo trimestre, por haver ainda pormenores a tratar.

 

Entre os pormenores estava uma redução do preço da oferta de compra, com os piratas informáticos a "darem uma ajuda" à Verizon, que em Fevereiro disse estar perto de conseguir renegociar a compra das operações de Internet da Yahoo com um "desconto" de 250 milhões de dólares devido aos ataques de hackers que roubaram os dados de mais de mil milhões de utilizadores da tecnológica.

 

Em Julho do ano passado, quando a Yahoo anunciou ter chegado a acordo para vender as suas operações de Internet à Verizon, o valor estabelecido era de 4,8 mil milhões de dólares. No entanto, quando em Dezembro passado a tecnológica veio dizer ter sido alvo do roubo de dados de mais de mil milhões de utilizadores, a Verizon colocou o negócio em causa.

 

O roubo de dados por parte de hackers - incluindo nomes, datas de nascimento, números de telefone e passwords que estava encriptadas - ocorreu em Agosto de 2013 e grande parte dos mesmos foi vendida na "dark web". 



A Yahoo deu conta, em Dezembro de 2016, deste vasto ataque informático, dizendo que só no mês anterior é que tinha ficado a par do acontecido. Entretanto, correu a informação de que terá havido mais intrusões em 2014 e 2015.

 

Este caso deu o mote à Verizon para questionar o valor do acordo. Em Fevereiro passado, foi avançado que a operadora de telecomunicações estaria perto de conseguir renegociar o acordo, reduzindo em cerca de 250 milhões de dólares o preço inicialmente acordado. Mas acabou por conseguir um desconto maior. Com efeito, a Verizon conseguiu reduzir a sua oferta original em 350 milhões, para 4,48 mil milhões de dólares.

 

Hoje, no seu relatório e contas, Mayer reiterou a perspectiva quanto ao prazo para a conclusão do negócio, dizendo esperar que a aquisição esteja concluída em Junho.

 

No passado dia 10 de Janeiro, Mayer anunciou que iria renunciar ao cargo de CEO após a conclusão desta venda à operadora Verizon. Além de Mayer, mais cinco directores deixarão a empresa, incluindo o co-fundador David Filo.

Depois da operação, a nova empresa, que ficará com os activos que não serão vendidos à Verizon - como as participações na Alibaba e na Yahoo Japan, avaliadas em 40 mil milhões de dólares – mudará de nome para Altaba e irá reduzir o conselho de administração a cinco membros.

 

O mercado não está a reagir grandemente, pelo menos por enquanto, aos números divulgados esta noite. As acções da Yahoo seguem praticamente inalteradas na negociação fora de horas da bolsa nova-iorquina, a cederem 10 cêntimos para 47,46 dólares, depois de terem encerrado a sessão regular desta terça-feira a ganhar 0,03% para 47,56 dólares. 


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