Tecnologias Start-up de Leiria conquistou o estúdio de som de Star Wars

Start-up de Leiria conquistou o estúdio de som de Star Wars

A Sound Particles deseja “mudar a forma como se faz som em cinema”. Grandes estúdios em Hollywood já adoptaram a tecnologia.
Start-up de Leiria conquistou o estúdio de som de Star Wars
Bloomberg
Wilson Ledo 27 de novembro de 2017 às 22:00
O que têm em comum os filmes "Carros 3", "Gru – O Mal Disposto 3", "Wonderwoman" ou "Batman v Superman"? O seu som tem tecnologia da portuguesa Sound Particles.

Nuno Fonseca, hoje com 42 anos, apercebeu-se há uma década que os efeitos visuais mais interessantes que tinha visto no cinema utilizavam uma tecnologia chamada "sistema de partículas". E achou que podia aplicar a mesma lógica ao som.

"Em 2012 tinha acabado o doutoramento e, como ninguém tinha pegado nessa ideia, comecei a desenvolvê-la. Na prática, o que o software faz é desenvolver conceitos de computação gráfica e efeitos visuais mas para a área do áudio, da pós-produção para cinema, televisão, videojogos, realidade virtual", conta ao Negócios. Tal permite simular milhares de sons em simultâneo, facilitando a criação "em poucos minutos" de cenas épicas.

De outra forma, esse trabalho de desenho de som poderia levar dias ou semanas. A partir da incubadora D. Dinis, em Leiria, foram-se dando outros passos. Ainda antes de lançar o software ou criar a Sound Particles em 2016, Nuno Fonseca começou os primeiros contactos com estúdios de Hollywood. Ainda o produto não estava acabado.

"Uma das primeiras respostas que tive foi do Skywalker Sound, criado por George Lucas, a maior empresa de som para cinema em todo o mundo, que me convidou para fazer uma palestra. No espaço de seis meses, acabei por ser convidado para fazer palestras em todos os grandes estúdios e apresentar o software".

São cerca de 40 os filmes que já utilizaram esta solução portuguesa de som. Nuno Fonseca assegura que para o ano novas produções chegarão às salas de cinema e, perante a existência de mais trabalho, prevê já dedicar-se ao projecto a tempo inteiro. A equipa é composta por mais quatro pessoas. Com um volume de vendas na ordem dos 70 mil euros, a Sound Particles anseia "mudar a forma como se faz som em cinema", "um pouco aquilo que a Pixar fez com a animação: de algo manual para algo computacional, com todas estas funcionalidades, aplicada ao som".

Apesar de estar a "ponderar várias hipóteses de investimento", marcou presença no último Web Summit em Lisboa com o objectivo de "procurar ‘smart money’ [dinheiro inteligente]. Algum investidor que traga algum conhecimento do mercado".

Para que não restem dúvidas, apresenta o último argumento de peso: a Sound Particles é uma das candidatas aos Óscares científicos da Academia norte-americana, que distinguem a parte técnica do cinema.



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