Redes Sociais Afinal, audição de Zuckerberg no Parlamento Europeu vai ser pública

Afinal, audição de Zuckerberg no Parlamento Europeu vai ser pública

Pressionado por vários grupos políticos, o presidente do Parlamento Europeu pediu ao CEO do Facebook para que a audição fosse pública. Zuckerberg aceitou.
Afinal, audição de Zuckerberg no Parlamento Europeu vai ser pública
Tiago Varzim 21 de maio de 2018 às 10:02
Esta terça-feira, às 17h15, Mark Zuckerberg vai ser questionado no Parlamento Europeu. Uma audição que, inicialmente, seria à porta fechada. Contudo, perante as críticas de vários grupos políticos europeus, o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, pediu a Mark Zuckerberg que o encontro fosse público. O CEO do Facebook aceitou. 

"Discuti pessoalmente com o CEO do Facebook, o senhor Zuckerberg, a possibilidade de transmitir o encontro", escreveu Tajani no Twitter esta segunda-feira, anunciando depois que o norte-americano aceitou o pedido. "Agradeço-lhe pelo respeito mostrado perante o Parlamento Europeu", acrescentou o presidente do Parlamento Europeu. O encontro decorre esta terça-feira em Bruxelas às 18h15 (17h15 em Lisboa) e terá a duração de uma hora e 15 minutos. 
A ida de Zuckerberg ao Parlamento Europeu foi anunciada na semana passada após várias semanas de negociações com a equipa do Facebook. O objectivo do encontro é "clarificar assuntos relacionados com o uso de dados pessoais", nomeadamente o escândalo da Cambridge Analytica. Nessa altura, questionada pelo Negócios, fonte oficial do gabinete de Antonio Tajani disse que o encontro seria privado, no mesmo formato da conferência de líderes do Parlamento Europeu, seguido de uma conferência de imprensa.

O encontro à porta fechada foi logo alvo de críticas pela esquerda europeia e pelos liberais, além de ter recebido a oposição de uma comissária europeia. Os Verdes europeus chegaram mesmo a propor que o encontro fosse transmitido na internet: "Os europeus não são utilizadores do Facebook de segunda classe", comentou a eurodeputada dos Verdes, Ska Keller. A mesma exigência foi feita pelos socialistas europeus pela voz do novo líder parlamentar, Udo Bullmann. "Porque não um directo no Facebook?", chegou a questionar Guy Verhofstadt, o líder dos liberais europeus (ALDE). Agora vai ser possível.

A principal voz contra o formato do encontro foi a comissária europeia da Justiça, Vera Jourová, que, no Twitter, tinha deixado uma confissão: "Pena que isto não vá ser uma audição pública"."Existem mais utilizadores europeus doFacebook do que há nos EUA e os europeus merecem saber como é que os seus dados estão a ser geridos", argumentouJourová, que recebeu uma resposta imediata deTajani, também noTwitter: "Não é o seu trabalho controlar ou criticar o Parlamento Europeu".

A pressão das críticas acabou por forçar Tajani a pedir a Zuckerberg para fazer uma audição pública, o que foi aceite pelo CEO do Facebook. O norte-americano vai responder aos eurodeputados cerca de mês e meio após ter estado no Senado e Congresso dos EUA durante longas horas. Estima-se que 2,7 milhões de europeus tenham sido afectados pelo caso Cambridge Analytica, incluindo 67 mil portugueses

Segundo o anúncio da semana passada, existirá ainda uma audição conjunta com o Facebook e outras partes interessadas para fazer uma análise aprofundada dos aspectos relacionados com a protecção de dados pessoais. Um dos temas em destaque será o "potencial impacto nos processos eleitorais na Europa". 

Além de ir ao Parlamento Europeu, Zuckerberg aceitou o convite de Emmanuel Macron para um encontro noEliseu, mas rejeitou o convite do Parlamento britânico. 

(Actualizado com mais informação)




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