Redes Sociais Apple e Samsung envolvidas em novo escândalo de privacidade do Facebook

Apple e Samsung envolvidas em novo escândalo de privacidade do Facebook

Ao longo da última década, a rede social liderada por Mark Zuckerberg permitiu a dezenas de fabricantes de telefones e tablets acederem a dados pessoais dos utilizadores, incluindo os que negaram explicitamente a partilha de informações com terceiros.
Apple e Samsung envolvidas em novo escândalo de privacidade do Facebook
Reuters
António Larguesa 04 de junho de 2018 às 12:46

O Facebook fez acordos com pelo menos 60 fabricantes de aparelhos electrónicos, como a Apple, Samsung, Microsoft, BlackBerry ou Amazon, estabelecendo parcerias ao longo da última década – algumas delas ainda em vigor – que envolvem a partilha de dados pessoais dos mais de dois mil milhões de utilizadores desta rede social.

 

Segundo o The New York Times, a companhia liderada por Mark Zuckerberg deu-lhes acesso a informações como o relacionamento amoroso, a religião, as inclinações políticas ou os eventos em que vão participar. Mais: o estatuto de parceiros permitiu que acedessem até a dados sobre os "amigos" de um utilizador, mesmo aquele tenham negado a permissão para a partilha de informação com terceiros.

 

"É como mandar instalar novas fechaduras nas portas e descobrir depois que o serralheiro também deu chaves a todos os seus amigos para que eles possam entrar e vasculhar as suas coisas sem ter de pedir permissão", ilustrou um consultor e investigador na área da privacidade, Ashkan Soltani. O jornal falou com especialistas e antigos engenheiros da empresa tecnológica, que mostraram surpresa pela forma como foram anuladas as restrições sobre a partilha de dados pessoais.

 

Este é apenas o mais recente escândalo envolvendo o Facebook, que desde Abril está a responder pelo uso indevido de dados de milhares de utilizadores em todo o mundo, entre eles cerca de 67 mil pessoas em Portugal, por parte da Cambridge Analytica. Esta consultora que trabalhou na eleição de Donald Trump ou na campanha do Brexit usou a informação recolhida para criar um poderoso programa informático para prever e influenciar as escolhas dos eleitores.

 

Numa primeira reacção incluída no artigo, publicado esta segunda-feira, 4 de Junho, o vice-presidente do Facebook, Ime Archibong, argumenta que "estas parcerias funcionam de forma muito diferente da maneira como os criadores de aplicações móveis usam a plataforma". Ao contrário dos fornecedores de jogos ou serviços para a rede social, como os 200 que decidiu suspender por uso indevido de dados, o gestor alegou que os parceiros que criam e desenvolvem os próprios dispositivos só podem usar os dados para oferecer versões que melhorem a "experiência do Facebook" para esses utilizadores.

A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) anunciou na semana passada que vai avançar com uma acção em tribunal contra o Facebook para garantir que os portugueses com conta naquela rede social sejam "indemnizados pelo uso massivo e indevido dos seus dados", após Zuckerberg falhar a promessa feita às associações de consumidores de Portugal, Brasil, Bélgica, Espanha e Itália de que iria avaliar a atribuição de uma compensação.




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