Redes Sociais Zuckerberg pede desculpa à Europa: "Não fizemos o suficiente"

Zuckerberg pede desculpa à Europa: "Não fizemos o suficiente"

O CEO do Facebook pediu desculpa aos europeus na audição pública no Parlamento Europeu. Zuckerberg assumiu os erros, mas mostrou-se confiante no futuro, dando o exemplo das eleições francesas e alemãs.
Zuckerberg pede desculpa à Europa: "Não fizemos o suficiente"
"Não fizemos o suficiente para que estas ferramentas não fossem usadas de forma errada", admitiu Mark Zuckerberg no Parlamento Europeu.
Reuters
Tiago Varzim 22 de maio de 2018 às 17:58
"Foi um erro. Peço desculpa por isso." As palavras são de Mark Zuckerberg que está esta terça-feira, dia 22 de Maio, a ser questionado no Parlamento Europeu. O CEO do Facebook repetiu a estratégia adoptada no Senado e Congresso norte-americano: assumiu o erro, pediu desculpa aos utilizadores e explicou o que está a fazer para não errar novamente. Na Europa, Zuckerberg deu o exemplo da acção da rede social nas eleições alemãs e francesas. 

"Não fizemos o suficiente para que estas ferramentas não fossem usadas de forma errada", admitiu Mark Zuckerberg no Parlamento Europeu, numa declaração inicial, antes de os grupos políticos o questionarem. O líder da rede social disse mesmo que a sua empresa não estava "suficientemente preparada para deter a dimensão dos ataques informáticos" de que foi alvo em momentos de eleições. 

Contudo, admitindo os erros, Zuckerberg apontou também os casos europeus que diz terem sido positivos. Foi o caso das eleições alemãs em que o Facebook trabalhou lado a lado com o Estado para lutar contra notícias falsas. Já nas eleições francesas, também no ano passado, o norte-americano disse que o sistema de prevenção do Facebook detectou e eliminou mais de 33 mil contas falsas.

"O nosso compromisso com a Europa é muito forte", garantiu, destacando várias áreas onde a empresa está implementada na Europa e o nível de investimento que está a ser feito em recursos humanos e tecnologia para prevenir novas situações como o escândalo da Cambridge Analytica. Zuckerberg deixou claro que "a segurança dos utilizadores será sempre mais importante do que maximizar os nossos lucros".

Numa segunda declaração, após as perguntas dos eurodeputados, Mark Zuckerberg explicou que o Facebook começou por delegar na sua comunidade o alerta de situação erradas. No entanto, agora, "com uma maior responsabilidade", a estratégia mudou: o líder da rede social diz que a empresa está pro-activamente a usar ferramentas de inteligência artificial para resolver problemas. Ainda assim, Zuckerberg admitiu que o Facebook "nunca será perfeito, especialmente em momentos de eleições", uma vez que os "inimigos" têm as mesmas ferramentas.

Um dos focos para o próximo ano serão as eleições europeias, um tema sensível no Parlamento Europeu uma vez que os movimentos populistas e anti-europeístas têm ganho terreno. O norte-americano garantiu que não irá "tomar decisões sobre que conteúdo é permitido tendo como em conta opiniões políticas". "Somos um serviço que permite vários tipos de discurso político", disse, referindo que quer "todas as ideias" no Facebook. 

As respostas e as medidas

Numa audição com cerca de hora e meia, Mark Zuckerberg deixou várias respostas e medidas, semelhante ao que tinha dito no Congresso e no Senado norte-americano. Soube a pouco para os grupos políticos que, no final da audição, queixaram-se da falta de respostas. O próprio admitiu isso e comprometeu-se a responder por escrito nos próximos dias. O que disse Zuckerberg por pontos: 

1. As ferramentas de inteligência artificial implementadas pelo Facebook permitem identificar, em 99% dos casos, o conteúdo de organizações terroristas como o Daesh ou a Al-Qaeda, além de identificar, por exemplo, no Facebook Live, situações de bullying e de suicídio;

2. O Facebook não se opõe à regulação digital, mas deixa a questão: "Qual é a regulação correcta?" Mark Zuckerberg diz que a empresa quer estar envolvida nessa discussão;

3. Zuckerberg recusou a ideia de que a sua empresa tem um monopólio, assinalando que todos os dias surgem concorrentes. O CEO acrescentou que o Facebook aumentou a concorrência entre as empresas por dar acesso a ferramentas de marketing às pequenas e médias empresas. E garantiu que pagou todos os impostos obrigatórios por lei;

4. Quanto ao Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), o líder da rede social assegurou que num prazo de três dias, até 25 de Maio, o Facebook estará a cumprir todas as novas regras europeias, tendo uma "grande equipa" a trabalhar no assunto;

5. Zuckerberg não afastou o cenário de casos como o da Cambridge Analytica voltarem a acontecer, mas deixou a garantia de que a empresa está a fazer uma investigação aprofundada, o que vai durar meses. Para já, fica a promessa de que as alterações introduzidas em 2014 e outras já este ano (por exemplo, se não usar uma aplicação durante três meses terá de voltar a dar acesso aos seus dados) vão afastar a possibilidade do caso se repetir no futuro;

6. A rede social está a construir uma ferramenta semelhante à que os navegadores de internet (browsers) têm para eliminar o histórico e os 'cookies'. Zuckerberg admitiu que, assim, a experiência dos utilizadores no Facebook "será pior", mas que estes estarão mais protegidos;

7. Argumentando que as notícias falsas têm maioritariamente razões económicas e não políticas, a empresa compromete-se a banir os sites ligados a esse tipo de notícias sensacionalistas que monetizam o 'clickbait'. Além disso, será possível ver todos os anúncios pagos por uma página de Facebook, independentemente do público que pretendam atingir. 



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