Telecomunicações Altice exclui fusão “iminente” em França

Altice exclui fusão “iminente” em França

A dona da Meo afasta o cenário de movimentos de concentração no mercado francês. E acredita que tem “bastante espaço” para o plano de optimização das suas contas devido à valorização que foi feita dos seus activos.
Altice exclui fusão “iminente” em França
Bloomberg
Sara Ribeiro 02 de agosto de 2018 às 14:55

A Altice vê com bons olhos eventuais movimentos de consolidação no mercado francês. "A consolidação pode ser uma oportunidade", sublinhou Alain Weill, presidente executivo da Altice Europe , durante a conferência telefónica com analistas esta quinta-feira, 2 de Agosto. Porém, garante que é uma hipótese que não está em cima da mesa, "não há nenhuma operação iminente", acrescentou.

Os rumores sobre eventuais fusões no mercado francês ganharam força em Maio depois do regulador do sector ter mostrado abertura a operações do género. A alteração do discurso do regulador francês aconteceu depois das operadoras terem cumprido com as exigências do regulador, tendo investido milhares de milhões de euros nas suas redes.

Durante a conferencia com os analistas, no seguimento da apresentação das conta do segundo trimestre, o administrador financeiro da Altice Europe, Dennis Okhuijsen, sublinhou que não prevê que o investimento operacional (opex) tenha grandes oscilações até ao final do ano. "Não cremos que vá ter grandes subidas", sustentou.

Após a divulgação dos resultados, as acções da Altice negociarem em forte queda devido ao facto da empresa ter cortado as estimativas para a totalidade do ano, em resultado dos custos mais acentuados para angariar novos clientes no mercado francês. Os responsáveis explicaram que isto se deve essencialmente aos custos de reorganização que estão previstos até ao final do ano.

Dennis Okhuijsen garantiu, contudo, que no geral a empresa tem "bastante espaço para o plano de optimização" de custos em curso desde o ano passado. Isto porque "estamos verdadeiramente surpreendidos e satisfeitos com a avaliação que fizeram dos nossos activos", apontou, referindo-se às torres de comunicações mas também à infraestrutura de redes. Só com a venda do negócio de torres de telecomunicações em França e Portugal o grupo de Patrick Drahi prevê encaixar 2,5 mil milhões de euros.

No segundo trimestre o EBITDA da Altice Europe, onde está integrada a unidade portuguesa, caiu 10% no trimestre, para 1,32 mil milhões de euros, o que ficou ligeiramente acima dos 1,30 mil milhões de euros estimados pelos analistas inquiridos pela Bloomberg. As receitas desceram 2,3% e a dívida líquida ficou estável em 31,7 mil milhões de euros.

Em Portugal, através da Meo, fechou o segundo trimestre deste ano com receitas de 516 milhões de euros, o que corresponde a uma queda de 5,4% face ao período homólogo e uma subida de 1,8% contra os primeiros três meses deste ano.




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