Telecomunicações Patrick Drahi: "Pago o mínimo [de salários] que puder"

Patrick Drahi: "Pago o mínimo [de salários] que puder"

Patrick Drahi confessou que não gosta "de pagar salários". Em Portugal, segundo o sindicato que representa os trabalhadores da PT Portugal, a Altice comprometeu-se a "respeitar os valores salariais em vigor" na dona do Meo.
Patrick Drahi: "Pago o mínimo [de salários] que puder"
Reuters
Sara Ribeiro 20 de setembro de 2015 às 14:19
A Altice, dona da PT Portugal, é conhecida pela  gestão apertada em termos de custos quando assume a liderança de uma empresa. E o seu fundador, Patrick Drahi, não esconde esta política de cortes de despesa, até nos ordenados.

Numa conferência realizada na última quinta-feira à noite, depois de terem anunciado a compra da operadora norte-americana Cablevision, o presidente da Altice confessou: "Eu não gosto de pagar salários. Pago o mínimo que puder", acrescentou.

Para Patrick Drahi, há "muitas pessoas muito bem pagas" na Cablevision, empresa até agora da  família americana Dolan.

Para Jorge Felix, do sindicato que representa os trabalhadores da PT (STPT), torna-se " preocupante que o principal dono da Altice,  que por sua vez é dona da PT Portugal, tenha esse pensamento", disse ao Negócios. No entanto, sublinha que "até à data nada nesse sentido foi feito pela nova administração ou houve qualquer indicação que assim pensasse", no que diz respeito à dona do Meo.

O dirigente da STPT relembra que neste momento está a decorrer a reorganização da PT Portugal, "da qual ainda não foi dada informação às ERCT [estruturas sindicais dos trabalhadores]".

No final de Julho, a  administração liderada por Armando Pereira, também accionista da Altice, anunciou que iria reduzir o  número de directores de  72 para 42. Uma das medidas deste processo de reorganização.

Jorge Felix adianta ainda que "há compromissos assumidos pela Altice perante o nosso sindicato e estão escritos, em que a mesma  afirma que irá respeitar os princípios contratuais em vigor, nomeadamente os valores salariais, e que tudo fariam para manter a estabilidade laboral e o respeito pelos trabalhadores e a negociação com os sindicatos". Por isso, "esperamos que assim seja pois não gostaríamos de entrar em litígio e conflitualidade com a administração", alerta.

A Altice tem estado no centro de algumas críticas por parte de sindicatos e associações devido a esta política de cortes. Em França, quando comprou a SFR, surgiram algumas notícias a contestar as medidas de cortes aos fornecedores. O mesmo aconteceu em Portugal, quando comprou a dona do Meo em Junho, e enviou cartas a alguns fornecedores a propor cortes na ordem dos 30%. 
Mais compras nos EUA?
"Todas, basicamente". Esta foi a resposta de Patrick Drahi, quando questionado sobre que operadora gostaria de comprar depois do recente acordo com a Cablevision. O fundador da Altice considera que pode "aumentar o tamanho" do seu negócio nos EUA, tendo visto "mais oportunidades de consolidação". E deixou a dica de que "em algum momento" gostaria de ter uma operadora móvel norte-americana.



A sua opinião147
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo Há 4 semanas

Mais um chulo.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

precisava que lhe cortassem o pescoço.

JE SUIS TRES FUU Há 4 semanas

esqueceste é que se não pagas ordenados decentes, se calhar não há dinheiro para comprarem os teus produtos...

Anónimo Há 4 semanas

A razão do descalabro da economia ocidental...O capitalismo não funciona sem consumidores, o que estes e outros fazem é os remover, retirar do mercado.

Anónimo Há 4 semanas

O Homem pode dizer o que quiser.Tem dinheiro.E todos vocês, são uns crédulos de uns tesos que ajudaram este e tantos outros a enriquecerem. O que vai acontecer? Nada.O Povo é manso.

ver mais comentários
pub