Telecomunicações PT quer partilhar conteúdos desportivos e rede de fibra

PT quer partilhar conteúdos desportivos e rede de fibra

Paulo Neves garantiu que a PT não quer os conteúdos numa "óptica de exclusividade". E adiantou que a partir desta sexta-feira a PT vai disponibilizar uma oferta comercial da sua rede de fibra para os concorrentes.
PT quer partilhar conteúdos desportivos e rede de fibra
Pedro Elias
Sara Ribeiro 11 de março de 2016 às 00:39

A PT Portugal vai disponibilizar uma oferta comercial da sua rede de fibra óptica para os concorrentes que estiverem interessados. A garantia foi dada na quinta-feira pelo presidente executivo da operadora, Paulo Neves (na foto), durante o jantar-debate da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações.

 

"Não, não queremos manter a fibra só para nós", disse Paulo Neves. "A partir de amanhã [sexta-feira] vamos ter uma oferta "wholesale" para os nossos concorrentes", adiantou.

 

Recentemente a PT anunciou que iria expandir a sua rede de fibra óptica a mais três milhões de casas até 2020. Um anúncio que não foi bem recebido pela rival Vodafone, que esperava que o investimento fosse partilhado no âmbito do acordo de partilha de casas assinado entre as duas operadoras.

Paulo Neves anunciou que a partir do próximo mês a PT iria fazer o "'deployment'" [alargamento da cobertura] "nas ilhas" dos Açores e da Madeira.

 

No que toca aos conteúdos, Paulo Neves sublinhou que "são uma parte importante do negócio", que é "muitas vezes o factor de escolha dos clientes". 

 

Por isso, a PT quer estar presente em toda a cadeia de valor: na distribuição, na aquisição de direitos televisivos e "mais tarde até na produção, não pomos essa hipótese de parte", revelou.

 

No campo concreto dos direitos desportivos, o presidente da operadora adquirida pela Altice em Junho de 2015, esclareceu que quer "que os clientes tenham todos os conteúdos. Mas não quer dizer que queiramos esses conteúdos só para nós. Queremos numa óptica de não exclusividade", sublinhou Paulo Neves.

 

No final do ano passado a Meo e Nos travaram uma batalha pelos direitos televisivos dos jogos dos clubes portugueses. A Nos fechou contrato com o Benfica,  incluindo a distribuição da BTV, com o Sporting e outros oito clubes da primeira liga. A Meo, até agora, anunciou que fechou acordo com o FC Porto, contrato que inclui a distribuição do Porto Canal.

 

Paulo Neves não vê "guerra nenhuma" e sublinha que "aqueles conteúdos desportivos que sejam considerados essenciais não devem ser exclusivos", "incluindo o Porto Canal".

 

Recentemente, a Meo cortou o sinal deste canal à plataforma da Nos, alegando que a operadora não apresentou nenhumas "contrapropostas concretas".

 

Como a Nos vai passar a deter os direitos da BTV a partir do dia 1 Julho, no seguimento do acordo com o clube da Luz que também inclui os jogos em casa, a Meo defende que estava "empenhada em encontrar uma solução para esta situação, servindo numa base de reciprocidade os interesses de ambos os operadores, no respeito estrito pelas mais elementares regras de mercado", de acordo com um comunicado divulgado no dia 10 de Fevereiro.

 

 Uma decisão contestada pela operadora liderada por Miguel Almeida, que acusou a Meo de ser "irrazoável" e "inflexível", tendo mesmo avançado com uma providência cautelar no mês passado.

(Notícia actualizada às 11:26 com mais informação)

 

Esta quinta-feira, Paulo Neves comentou que a PT "disponibilizou a comercialização dos direitos do Porto Canal" à Nos e que "fez uma proposta concretíssima". E deixou o aviso à rival:" ainda está de pé".


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