Aviação Bateria de portátil sobreaquecida pode derrubar um avião

Bateria de portátil sobreaquecida pode derrubar um avião

Se um único aparelho electrónico pessoal aquecer demais e pegar fogo na bagagem despachada num avião, é possível que o sistema de extinção de incêndio da aeronave seja insuficiente para evitar um incêndio descontrolado, segundo uma nova pesquisa do governo dos EUA.
Bateria de portátil sobreaquecida pode derrubar um avião
Bloomberg
Bloomberg 05 de agosto de 2018 às 13:00

Os órgãos reguladores pensavam que os incêndios pontuais das baterias de lítio seriam debelados pelo gás retardador de chama exigido para os compartimentos de carga dos aviões de passageiros. Mas testes realizados pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) mostraram que os sistemas de controlo não são capazes de extinguir um incêndio numa bateria combinado com outros materiais altamente inflamáveis, como o gás de uma lata de aerossol ou cosméticos normalmente transportados pelos passageiros.

 

"Pode causar um problema que comprometeria a aeronave", sublinha Duane Pfund, coordenador do programa internacional da Administração de Segurança de Materiais Perigosos e Oleodutos dos EUA (PHMSA, na sigla em inglês), num fórum em Washington sobre segurança da aviação. A PHMSA regula materiais perigosos em aviões, a par com a FAA.

 

A pesquisa ressalta os riscos crescentes das baterias de lítio, cada vez mais usadas para alimentar de tudo um pouco, de telemóveis a vídeojogos. Os carregamentos a granel de baterias de lítio recarregáveis são proibidos em aviões de passageiros.

 

As descobertas feitas no ano passado pela FAA levaram o governo dos EUA a defender que a Organização da Aviação Civil Internacional das Nações Unidas pedisse a proibição, na bagagem de porão, de aparelhos electrónicos maiores que um telemóvel. O esforço foi insuficiente, diz Pfund.

 

"De uma forma ou de outra, temos de lidar com esses perigos", considera Scott Schwartz, director do programa de produtos perigosos da Associação de Pilotos de Empresas Aéreas (Alpa, na sigla em inglês), a maior associação de pilotos da América do Norte.

 

A Alpa não assumiu uma posição formal a respeito da proibição das baterias de lítio nas malas de porão e existe o receio de que muitos passageiros simplesmente a ignorem. A associação pretende que, no mínimo, haja mais campanhas de consciencialização para diminuir a possibilidade de os passageiros colocarem baterias sobressalentes e aparelhos electrónicos nas malas despachadas.

 

Apesar de os incêndios em itens da bagagem de mão também criarem riscos durante os voos, a experiência mostrou que estes podem ser extintos com água. Mas durante o voo a tripulação não consegue chegar às malas que estão no porão, por isso deve confiar nos sistemas de extinção de incêndio do avião.

 

Os testes da FAA concluíram que o gás anti-incêndio halon instalado nos compartimentos de carga dos aviões não extinguiria o fogo de uma bateria de lítio, mas evitaria que a chama se espalhasse para materiais adjacentes, como papelão ou roupa.

 

No entanto, houve latas de aerossol que explodiram nos testes mesmo depois de serem banhadas pelo gás halon, concluiu a FAA. "Existe o potencial de o evento resultante superar a capacidade de resposta do avião", informou a FAA, em comunicado às empresas aéreas, no ano passado.