Aviação O adeus da Air France ao Boeing 747, a "Rainha dos Céus"

O adeus da Air France ao Boeing 747, a "Rainha dos Céus"

O icónico Boeing 747 está a preparar-se para deixar de voar. O avião que cruzou os céus nos últimos 46 anos só tem pedidos de produção para os próximos dois anos e a Air France já marcou uma homenagem.
O adeus da Air France ao Boeing 747, a "Rainha dos Céus"
Air France
André Vinagre 14 de Janeiro de 2016 às 00:01

A companhia aérea francesa Air France vai eliminar o Boeing 747 da sua frota e, para comemorar os mais de 40 anos que o Jumbo Jet fez parte da família Air France, a transportadora organizou dois voos especiais para homenagear o avião. O Boeing 747 vai voar pela última vez com a Air France a 14 de Janeiro, depois da última viagem de longo curso com a Air France concretizada a 10 e 11 de Janeiro. O voo AF 439 saiu do México, tendo chegado a França no dia seguinte.

"A Air France saúda com emoção a partida dos Boeing 747 da sua frota de longo-curso, depois de mais de 40 anos de viagens idílicas do Jumbo Jet", refere a companhia no seu site, convidando os seus clientes para dois derradeiros voos do conhecido avião.

 

Os voos de despedida do Boeing 747 na Air France vão acontecer esta quinta-feira, 14 de Janeiro, e vão sair do aeroporto de Charles de Gaulle, em Paris, (um às 9h e outro às 11:30 horas locais, mais uma que em Portugal), sobrevoando França até regressarem ao mesmo aeroporto.

 

Além dos voos, as despedidas do 747 fazem-se também de visitas especiais ao Air and Space Museum, em Paris, nos dias 16 e 17 de Janeiro, onde os visitantes podem descobrir por dentro o último Boeing 747 a voar pela Air France.

 

O primeiro voo do B747 pela Air France ocorreu em Junho de 1970 entre Paris e Nova Iorque. Desde então, a companhia operou 52 Boeing 747, mas não encomendou os mais recentes B747-8, trocando-os pelos B777 e os Airbus A380.

 

 

Foi a 9 de Fevereiro de 1969 que o 747 fez o seu primeiro voo, sobrevoando a cidade norte-americana de Everett, em Washington. Este dia marcaria uma "nova dimensão" na aviação, como dizia na altura a empresa. Depois deste, seguiram-se 1.539 aparelhos construídos entre 1969 e 2015.

 

Comercialmente, o primeiro voo ligou Nova Iorque a Londres no dia 22 de Janeiro de 1970 e foi operado pela transportadora norte-americana Pan American Airways, que acabou por apresentar falência em 1991.

 

 

O Boeing 747, que ficou conhecido como Jumbo Jet ou "Rainha dos Céus", é um aparelho de fuselagem larga. A "corcunda" no convés superior, onde se situa o "cockpit", e a primeira classe faz com que seja um dos aparelhos mais facilmente reconhecíveis do mundo. Este traço distintivo fez, na altura, com que o aparelho tivesse mais de o dobro da capacidade do Boeing 707, um dos aviões com mais capacidade nos anos 60.

 

O aparelho tem quatro motores, atinge velocidades de quase mil quilómetros por hora e tem um alcance de 13.450 quilómetros. O avião pode transportar mais de 450 passageiros ou 122 toneladas de carga. O modelo 747 tem uma envergadura de 60 metros, um comprimento de 70 metros e pesa mais de 330 toneladas.

 

A "Rainha dos Céus" é utilizada para fins comerciais, para transportar carga, para fins governamentais e militares e dois aparelhos até foram modificados para fins aeroespaciais, transportando um protótipo do vaivém espacial "Enterprise" que orbitaria a Terra no final dos anos 70.

 

De acordo com o site Aviation Safety Network, o Jumbo Jet esteve envolvido em 131 acidentes ou incidentes, provocando 3.742 mortes. Ainda assim, poucos acidentes foram causados por problemas técnicos do aparelho. O mais grave dos acidentes aconteceu em Tenerife, Espanha, em 1977, onde dois Boeing 747 colidiram, provocando um total de 583 mortos.

 

O 747 atingiu rapidamente o estatuto de estrela na aviação mundial, aparecendo em filmes como "Airport 1975", "Murder on Flight 502" e no filme de 1990 Die Hard 2 – Assalto ao Aeroporto". Até na filosofia o Boeing 747 foi utilizado por Richard Dawkins no livro "The God Delusion", que tenta provar a inexistência de Deus dizendo que "a probabilidade de formas de vida superiores existirem é comparável à probabilidade de um tornado varrer um ferro-velho e montar um Boeing 747 com os materiais existentes".

 

Agora, o icónico Boeing 747 pode estar em vias de extinção. A fabricante norte-americana só tem encomendas para continuar a produção do avião até 2017. O célebre Jumbo Jet tem vindo a perder espaço para outros aparelhos, como o Boeing 777 ou o Airbus A350, aviões que podem cobrir praticamente a mesma distância de voo do 747 consumindo menos combustível.

 

Devido à redução nas vendas do 747, a Boeing tem vindo a diminuir a produção deste aparelho. Nos últimos dois anos só foram vendidos três aviões e a fabricante já confirmou que, a partir de Março, vai começar a montar apenas um 747 por mês, naquela que parece ser a despedida de um dos mais icónicos aviões de sempre.




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mais votado investidor1 Há 1 semana

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investidor1 Há 1 semana

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AntonioTrindade Há 1 semana

Mais, o vai-vem espacial Enterprise nunca orbitou a Terra. Serviu apenas para testes de aterragem, tanto mais que não dispunha nem de motores nem protecção térmica, como tal nunca sobreviveria à reentrada na atmosfera

AntonioTrindade Há 1 semana

Se vão escrever um artigo sobre um ícone como o Boeing 747, ao menos, acertem nos factos! Os dois aviões que "foram modificados para fins aeroespaciais" não serviram apenas para transportar o vai-vem espacial Enterprise... Eles foram usados sempre que era preciso transportar qualquer um dos vai-vens através dos Estados Unidos, pois nem sempre o vai-vem aterrava na mesma base aérea. A última vez que estes foram usados foi quando os vai-vens espaciais foram transportados para vários museus nos Estados Unidos.

Resposta de investidor1a AntonioTrindade Há 1 semana

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Xornalismo luso Há 1 semana

Coitadinho do 747 que só tem só tem pedidos de produção para os próximos dois anos, é começar já agora a despedir-nos que os próximos 20 a 30 anos de operação destes últimos aparelhos vão ser breves.

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