Aviação Rui Moreira: "O aeroporto do Porto é um 'hub' da Ryanair", não da TAP

Rui Moreira: "O aeroporto do Porto é um 'hub' da Ryanair", não da TAP

O presidente da Câmara Municipal do Porto quer que a companhia portuguesa volte a definir o aeroporto Francisco Sá Carneiro como um centro estratégico da sua operação. "Não existe 'hub' no Porto", lamentou.
Rui Moreira: "O aeroporto do Porto é um 'hub' da Ryanair", não da TAP
Bruno Colaço / Correio da Manhã

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, considerou esta segunda-feira, 8 de Fevereiro, que o aeroporto Francisco Sá Carneiro não constitui um centro estratégico para a operação da TAP e espera "um sinal" de mudança nesse sentido.

"O aeroporto do Porto é um ‘hub’ [plataforma giratória] da Ryanair", posicionou o autarca durante uma conferência de imprensa. Deste modo, Rui Moreira quis demonstrar o desinvestimento da TAP na cidade.


"Temos de parar a drenagem [no aeroporto Francisco Sá Carneiro]", apelou, recordando que esse cenário também se verifica em Faro, Funchal e Ponta Delgada.


Recentemente, a companhia portuguesa anunciou o corte de rotas entre a cidade Invicta e Bruxelas, Milão, Roma e Barcelona. É essa decisão dos privados do consórcio Atlantic Gateway, formado por Humberto Pedrosa e David Neeleman, que o autarca espera ver agora anulada com a reconfiguração da privatização fechada este fim-de-semana.


"A primeira condição para que haja um ‘hub’ no Porto é não perdermos aquilo que temos", garantiu Rui Moreira aos jornalistas. Além desta redução de rotas, o autarca informou da intenção da TAP em eliminar o voo nocturno entre o Porto e Gatwick, em Londres.


O político considerou que "não existe ‘hub’ da TAP no Porto" como se assistiu no passado. "A TAP, se quer ser um parceiro estratégico do país, isso implica que continue a prestar um serviço público", acrescentou.


Este fim-de-semana, Governo e Atlantic Gateway fecharam um acordo para que o Estado volte a ter 50% da empresa. Pedrosa e Neeleman ficam com 45% da transportadora, recebendo 1,9 milhões de euros por esta redução face aos 61% com que fecharam acordo em Junho de 2015.


O primeiro-ministro António Costa já garantiu que o Governo actuará "a nível estratégico" e não na gestão quotidiana da empresa, embora tenha admitido margem para intervir sobre a manutenção do ‘hub’ no Porto.


Questionado sobre uma eventual reversão na decisão de eliminar quatro rotas a partir do Porto, o ministro do Planeamento e Infra-estruturas não foi tão categórico. Pedro Marques considerou que essa é uma opção que cabe a quem gere a empresa.

tome nota
Porto à procura de soluções Apesar de batalhar nesta frente da TAP, o Porto está à procura de soluções. Esta segunda-feira, 8 de Fevereiro, em declarações à Antena 1, o presidente da Asssociação Comercial do Porto, Nuno Botelho, deu conta da existência de conversas com a Lufthansa, Swissair e Turkish Airlines.

A mesma associação já tinha criticado o acordo alcançado entre o Governo e o consórcio Atlantic Gateway, classificando-o como uma "parceria público-privada" de consequências "preocupantes" para o Norte, uma vez que a mesma não garante o serviço público na região.

O presidente da Câmara adiantou, entretanto, que têm sido feitos contactos "com outros operadores para repor as ligações" que foram canceladas.

No seu site, a autarquia deu ainda conta do "desinvestimento" da TAP na cidade. "Actualmente, há apenas 16 rotas exploradas pela TAP a partir do Porto e, com o desaparecimento das quatro que o Governo anunciou ficarão a existir apenas 12, contra perto de uma centena a partir de Lisboa".

A Câmara do Porto referiu ainda que a "TAP transporta para Lisboa três milhões de passageiros que não querem ir para Lisboa", referindo-se aos passageiros em trânsito, que passam pelo aeroporto da Portela.  "Muitos deles têm como destino o Porto e enchem os 49 voos semanais da companhia portuguesa para a Invicta, bem como os 21 da Ryanair", explicou. 

(Notícia actualizada às 13:35 com mais informação)




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