02 de setembro de 2018 às 15:54
4 – Sem compensações, com cativações

A CP não recebe desde 2014 indemnizações compensatórias, destinadas a cobrir custos em que a empresa incorre pela prestação de serviço público. Nesse ano recebeu 17,8 milhões, o que já representava uma redução relevante comparativamente com os cerca de 34 milhões do ano anterior.

 

A empresa apresenta consecutivamente resultados líquidos negativos, assim como um nível de endividamento elevado. Apesar de ligeiras reduções, os prejuízos eram no final de Junho último de 55,3 milhões de euros e a dívida ascendia a 2,6 mil milhões. A CP regista ainda um capital próprio negativo de mais de 2,2 mil milhões de euros. Só este ano o Estado já realizou aumentos de capital de quase 55 milhões de euros.

 

A afectar o funcionamento da empresa pública estão ainda as cativações aplicadas pelo Ministério das Finanças. Ainda que não haja dados concretos para a CP, aos transportes ferroviários sob a tutela do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas (o que exclui os metros) foram congeladas, até Junho, despesas com aquisição de bens, serviços e projectos no valor de 95,3 milhões de euros, de acordo com os dados da execução orçamental. Montante que significa um aumento de 20 milhões de euros nas cativações à ferrovia face aos dados divulgados em Abril, quando os cativos a este sector eram de 75,3 milhões, não tendo feito o Governo qualquer descativação de verbas.