02 de setembro de 2018 às 15:55
Constrangimentos, desafios e pressões

Supressões, atrasos, falta de manutenção do material circulante. As perturbações no serviço da CP puseram ao longo do mês de Agosto a empresa pública na agenda mediática. Neste início de Setembro, Carlos Gomes Nogueira vai dar explicações aos deputados sobre os constrangimentos que estão a resultar na degradação do serviço prestado, que há quem chame de crise na ferrovia.

O diagnóstico já foi feito pelo presidente da CP junto do Governo, em privado, e na Assembleia da República, em público. Em Julho passado, numa conferência sobre transportes públicos que teve lugar no Parlamento, Carlos Nogueira deixou claro que "a falta de investimento na infra-estrutura e no material circulante justifica a situação actual". Nessa intervenção, em que remeteu respostas mais detalhadas para a audição na comissão de economia que se realiza esta terça-feira, o responsável reconheceu também que "vai demorar a corrigir a situação pela falta de investimento atempada".

 

O estado da CP

A CP conta transportar este ano mais 8 milhões de passageiros do que em 2017, num total de 130 milhões. Isso "se o material circulante responder", afirmou.

 

A idade média da frota da CP é de 55 anos e o concurso internacional para a compra de novos comboios continua por lançar. Para ir respondendo à procura, resta à empresa alugar comboios à espanhola Renfe e pôr a sua Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário a reparar os veículos que existem. Mas também aqui há problemas. Desde 2010 até agora a EMEF perdeu 33% do efectivo. E a contratação de novos trabalhadores qualificados e engenheiros tem sido negada à empresa. Só em Julho passado houve autorização para o recrutamento de 102 trabalhadores.

 

"Tivéssemos nós capacidade de ter material circulante e iríamos muito mais longe", disse Carlos Nogueira.

 

O presidente da CP responsabilizou ainda a qualidade da infra-estrutura ferroviária – para a qual o Governo lançou o plano Ferrovia 2020, ainda com poucas obras no terreno – pelo desempenho dos comboios da empresa. E identificou outros desafios, desde o rejuvenescimento dos quadros - porque "a pirâmide etária da CP é como a do país" - à digitalização - para que dois terços da venda de bilhetes passe a ser feita por via digital. E lembrou que a liberalização "é já amanhã".