Web Summit Os 10 temas que marcaram o Web Summit

Os 10 temas que marcaram o Web Summit

O Web Summit terminou e regressa no próximo ano. Entretanto, veja alguns dos principais temas que dominaram o evento.
Os 10 temas que marcaram o Web Summit
Bruno Simão/Negócios

Os problemas da rede de Paddy Cosgrave

 

A sessão de abertura do Web Summit ficou marcada por um pequeno imprevisto quando Paddy Cosgrave tentou fazer uma partilha do seu telemóvel e não conseguiu. Só à segunda tentativa, depois ter feito a ligação à rede da Meo, que a par da Cisco tinha o contrato da rede wi-fi para o evento, é que foi bem sucedido. O que levou o responsável do evento a pedir um aplauso para a Portugal Telecom e a desejar "melhor sorte à Vodafone para a próxima vez". 

Uma mensagem que não foi bem recebida pela Vodafone. Num comunicado emitido no dia seguinte, a operadora liderada por Mário Vaz rejeitou ter culpa do problema técnico, explicando que Cosgrave estava ligado à rede wi-fi e não à da Vodafone. E até enviou um vídeo e fotografia para provar a que rede o telemóvel estava ligado.

Apesar deste incidente, no geral, não houve praticamente problemas com a rede wi-fi durante os quatro dias do evento, ao contrário das edições do Web Summit em Dublin.

O metro


O Web Summit trouxe a Lisboa mais de 53 mil pessoas, o que teve um reflexo na circulação na cidade. O Metro de Lisboa foi um desses casos. No primeiro dia pela manhã, a enchente era tão grande na linha vermelha (que faz a ligação entre São Sebastião e o Aeroporto, passando pelo Oriente) que muitas pessoas não conseguiram apanhar o primeiro metro que passava, tendo de esperar para tentar entrar no seguinte.

Nos outros dias, as composições continuavam cheias mas, ainda assim, a viagem foi, aparentemente, um bocadinho mais calma para muitos. Também por causa da afluência, o Metropolitano decidiu encerrar a estação de Arroios (linha verde) para permitir a circulação de comboios com seis carruagens.

Em termos de infra-estruturas – um dos motivos apontados no passado para o evento ter saído de Dublin – Paddy Cosgrave, CEO do Web Summit, referiu que havia ainda espaço para crescer no próximo ano. "Há muito espaço de crescimento, nestas instalações que foram construídas para a Expo. Não estamos a usar todas as instalações. Vamos usar mais no próximo ano".

 

Vitória de Trump dominou as conversas e os discursos

 

O dia 9 de Novembro (quarta-feira) ficou marcado pela vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, um tema que dominou as conversas e até os discursos de muitos participantes nas conferências.

 

No palco central, o dia arrancou mesmo com um painel dedicado ao resultado das eleições – "US Election Fallout" – em que Bradley Tusk foi orador. O ex-adjunto de Mike Bloomberg reconheceu que Trump pode parecer um "palhaço" por vezes, mas que "não é estúpido" e tinha uma mensagem a dar. Tusk acredita que o mesmo político republicano rentabilizou "a raiva" de uma parte da população "que está muito lixada" com os governantes do país.  

 

Numa das intervenções mais comentadas do dia, o empreendedor norte-americano Dave McClure levantou-se durante a sua intervenção e gritou: "Vocês não estão f... neste momento?".

"Toda esta m... de eleição foi um embuste, não podemos estar aqui sentados como se nada se tivesse passado. Fomos roubados, violentados, enganados. Vocês não estão f... neste momento? O que é que se passa com vocês para não estarem zangados?", disse o empreendedor, lançando para o ar, enraivecido, uma garrafa de água.

A realidade do mundo virtual

A realidade virtual e aumentada está na agenda das empresas tecnológicas. E, como tal, também esteve em destaque em algumas conferências do Web Summit e stands. O tema chama a atenção de muitos, como foi visível pelas filas à frente do espaço da Nos para experimentar uma solução de realidade aumentada que a operadora está a desenvolver. No entanto, como várias empresas sublinharam, estas tecnologias ainda estão numa fase muito inicial, daí ser difícil de prever até onde poderão chegar.

 

Também os "chatbots" tiveram destaque no palco do Web Summit. E contaram com um convidado de peso: o responsável do Facebook por esta área, David Marcus. A rede social tem sido uma das tecnológicas com maior sucesso nesta área, que permite ter assistentes virtuais personalizados através do messaging. Como o vice-presidente da área de produtos de "messaging" do Facebook explicou, o objectivo passa por "construir um modelo em que todas as empresas tenham centro de atendimento através do Messenger", acabando com os telefonemas e emails.

 

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No que diz respeito ainda às tendências para o futuro tendo como base estas tecnologias, Sophia foi uma das grandes atracções do Web Summit. O robô, criado por Ben Goertzel, junta inteligência artificial e robótica e consegue interagir em linguagem natural.

A elite política nacional na FIL


Nem só de empreendedores viveu o Web Summit. A política também marcou presença. António Costa esteve na cerimónia de abertura e visitou o certame na quarta-feira. O Presidente da República esteve na mega conferência de empreendedorismo e tecnologia no último dia (quinta-feira) e considerou que o evento foi "um sucesso espectacular". Além disso, representa uma "oportunidade" para mostrar Portugal no mundo. Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, e João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria, - que esteve presente em todos os dias do evento - acompanharam Marcelo Rebelo de Sousa.

O antigo secretário de Estado Leonardo Mathias também se dirigiu à FIL e ao Meo Arena. Em entrevista à Lusa em Outubro, o antigo governante, que esteve envolvido no processo de candidatura para trazer o evento para Lisboa, disse que o Web Summit lhe tinha oferecido um bilhete.

Carlos Moedas, Comissário Europeu com a pasta da inovação, além de ter estado num dos painéis visitou também o certame na companhia de Paddy Cosgrave.

 

Em termos políticos, outro dos temas marcantes teve lugar na manhã de quinta-feira, no rescaldo das eleições nos Estados Unidos. Lisboa foi invadida por cartazes com o selo da autarquia de Lisboa, escritos em inglês, apelando à construção de pontes, e não de muros. Um deles estava colocado perto do Meo Arena, onde decorria o Web Summit. "No mundo livre, ainda podes encontrar uma cidade para viver, investir e construir o teu futuro. Construindo pontes, não muros.

 

A mensagem já era suficiente para dar que falar. Mas o cartaz continha uma gralha. A palavra "bridges" (pontes) tinha uma consoante trocada – "brigdes". 

 

"Opening Bell" do Nasdaq no palco central do Web Summit

 

Num dia de agitação nos mercados financeiros, após a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, a cerimónia de abertura do Nasdaq teve lugar no palco central do Web Summit, em Lisboa. Foi o quarto ano consecutivo em que o "Opening Bell" aconteceu neste evento. Nos três anos anteriores, foi em Dublin, na Irlanda.

 

Antes da cerimónia, o CEO do Nasdaq, Bob Greifeld, falou sobre a vitória do candidato republicano, salientando que "foi eleito como presidente, não como ditador".

Os craques da bola


Luís Figo e Ronaldinho, dois antigos jogadores de futebol, marcaram presença neste evento. E Luís Figo, segundo a Lusa, explicou que as plataformas de online estão a transformar a forma como os talentos no futebol estão a ser descobertos. As novas tecnologias estão também a permitir que jovens de todo o mundo tenham as mesmas oportunidades do mundo do futebol. Ronaldinho, antigo internacional brasileiro, investe em start-ups tecnológicas.


O director do Manchester United, Richard Arnald, que esteve também em Lisboa, contou que o clube britânico gera um "fervor" nas plataformas digitais "ao nível das principais religiões", de acordo com a agência noticiosa.

Também houve derby no Web Summit. O benfiquista Rui Costa e o sportinguista Bruno de Carvalho marcaram presença em dias diferentes para falarem de futebol, tecnologia, passado, presente e futuro.


Presença feminina no evento foi a maior de sempre

 

Na conferência de imprensa onde fez um balanço do Web Summit, em Lisboa, Paddy Cosgrave destacou a percentagem de participantes do sexo feminino, afirmando tratar-se, certamente, "da mais elevada do mundo" num evento de tecnologia.

 

"No ano passado, menos de 20% dos participantes eram mulheres. Até foi uma proporção muito alta, comparando com anos anteriores. Este ano, 42% eram mulheres, mais do dobro do ano passado", anunciou o CEO do Web Summit.

 

No ano passado, em Dublin, os responsáveis do evento decidiram lançar a iniciativa "Women in Tech" que trouxe 5.000 mulheres com bilhetes a preço especial, tudo para "ultrapassar a enorme divisão entre géneros na tecnologia".

Evento à prova de hackers

A segurança e privacidade foram outros dos temas que fizeram parte da agenda do evento que decorreu em Lisboa. Mikko Hypponen, especialista em segurança informática, foi um dos oradores no último dia do evento. Durante a sua intervenção falou sobre os desafios da segurança num mundo cada vez mais digital e adaptou esta realidade às eleições norte-americanas. Criticando o facto de parte do processo ter sido feito online, o especialista acredita que tentaram piratear as eleições. "Não penso que o governo russo tenha pirateado [as eleições], mas acho que tentaram", defendeu.

  

Pastéis de nata e café


No Web Summit foram consumidos 97 mil pastéis de nata, de acordo com a organização. E terão sido acompanhados por litros de café. Inclusivamente, na conferência de imprensa em que fez um balanço destes dias, Paddy Cosgrave brincou dizendo que "Portugal era conhecido por algumas start-ups como a Farfetch, a Codacy e a Uniplaces. Agora é conhecido por mais start-ups, pelo bom tempo e pelo café".


Estiveram na primeira edição do Web Summit 53.056 pessoas, de 166 países. Quanto às start-ups foram 1.490 de todo o mundo e mais de 1300 investidores. Para a concretização deste evento foram precisos 37 mil quilómetros cabos de fibra. 




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