A notícia de que Elvira Fortunato ganhou o primeiro prémio de Engenharia do European Research Council é uma excelente notícia para Portugal.
Mas não pelas razões noticiadas: a excelência do seu trabalho (sem dúvida notável). Quem dedique algum tempo a analisar o que está a ser feito, na área da investigação, por algumas universidades (e empresas), sabe que há muita coisa boa na forja. Na electrónica, no "software", nos "materiais", na biotecnologia, na medicina... Investigação que, mais tarde ou mais cedo, merecerá o reconhecimento da comunidade científica e do mercado. Sim, do mercado: investigação sem benefícios para a sociedade não serve para nada.
A surpresa não foi o prémio de Elvira, mas o facto de ela estar a desenvolver o seu trabalho em Portugal. Porque a insuficiência de boas condições de investigação em muitas instituições e a deficiente ligação entre Universidade e empresas têm levado a um preocupante "brain drain" (fuga de cérebros) do País.
É por isso que o esforço de instituições de sucesso, na investigação (Nova, Aveiro, Minho, Ipatimup, Instituto Gulbenkian de Ciência...), devia ser copiado por outras universidades. Porque só assim conseguiremos "fixar" cérebros em Portugal. E não estamos a falar de fontes financia mento, mas de Visão... e Processos.
P.S. – A queda de 19,4% na produção automóvel em Junho vai afectar o PIB do 2º trimestre. Agradeçam aos camionistas.