Gerir os presentes que são dados aos filhos na época de Natal é uma tarefa difícil de concretizar, principalmente se a família é grande.
A Leonor tem sete anos, ainda acredita no Pai Natal mas sabe que, além dos que são "oferecidos" pelo senhor de encarnado, recebe muitos presentes de toda a família. A idade dos irmãos mais velhos, a Maria Ana, com 15, e o Rodolfo, com 14, e a dimensão da família fez com que fosse impossível esconder a realidade de que não é só o Pai Natal que dá prendas.
"Quantos presentes recebem no Natal?", perguntou o Negócios aos três irmãos e ao primo João. A resposta foi evasiva: "para aí uns 20 ou, talvez, 15". Seja como for são muitos, tantos que é difícil quantificar.
Tal como muitas mães, Luisa Lavrador debate-se todos os anos com o mesmo problema nesta altura. "Não gosto de educar os meus filhos para serem consumistas", diz, admitindo, no entanto, que é difícil ir contra o que é típico desta época, uma imensidão de presentes que é tanto maior quanto mais novas forem as crianças. "A Leonor e os primos mais novos são os que recebem mais porque os presentes para os mais velhos são mais caros", explica.
Para reduzir os exageros consumistas do Natal, Luisa todos os anos entra na "guerra de que os pais só dão um presente a cada filho" sabendo que, no total, "entre família e amigos são uma infinidade de prendas".
Além disso, crianças e adolescentes, fazem uma lista do que querem, (a da Leonor para o Pai Natal já foi reduzida de 24 para oito ou nove) e, com base nessa lista, "dou orientações à família e distribuo os presentes para cada um dar".
Os presentes dos pais são planeados, garante Luisa: "são sempre surpresa mas aproveito para lhes comprar uma peça de roupa que lhes faz falta, por exemplo".
Outra forma de educar as crianças mais novas de forma a não crescerem como consumistas exagerados passa por incentivá-las a fazerem presentes para a família, em vez de comprar. A Leonor faz desenhos e o João, no Natal passado, ofereceu uma pega à tia, feita com a ajuda da mãe.
Cinco dicas que ajudam a gerir os presentes de Natal
Compre poucas prendas O ideal é cada criança receber apenas duas ou três prendas, mas verdadeiramente do seu interesse.
Não escolha com base no preço Um presente não é o ideal porque é caro. Para as crianças o preço não interessa nada.
Aposte em presentes que passam a "habituais" Em vez de presentes com os quais a criança brinca só uma vez, opte por presentes com os quais possa e goste de brincar durante algum tempo.
Em vez de mais prendas brinque com o seu filho A companhia dos pais para brincar com os presentes novos substitui muito melhor uma série de brinquedos.
Não dê presentes a dividir Um presente mais caro para dois não é a solução que deve adoptar para poupar. O melhor para as crianças são presentes individuais, ainda que mais baratos.
Vasco Soares - Psicólogo
Dê poucas prendas mas com muito interesse para o seu filho
Quantidade não é qualidade. É este o lema que os pais devem ter presente quando começam a comprar os presentes de Natal para os seus filhos.
Vasco Catarino Soares, psicoterapeuta e ludoterapeuta na Insight-Psicologia, não tem dúvidas de que é muito importante para o desenvolvimento e saúde psicológica das crianças resistir aos incentivos à compra de brinquedos e todos os acessórios electrónicos muito requeridos pelos jovens.
Na realidade, o ideal seria cada criança receber no Natal duas ou três prendas do seu interesse, sendo que por interesse se entendem os presentes que "entram no leque dos habituais das crianças". O especialista em psicologia infantil chama a atenção para o facto de na maioria dos casos "o que se observa são crianças com quartos cheios de brinquedos em que a criança pega em todos mas não brinca com nenhum".
Por isso, Vasco Soares recomenda que os pais comprem poucas prendas, mas se apliquem em escolher uma que seja significativa para os filhos. E garante que não é por ser cara que as crianças vão gostar mais. "A aposta certa é dar presentes poucos, bons e personalizados", diz, lembrando ainda que "uma das partes mais importantes da prenda é a disponibilidade dos pais para brincar com os filhos".
Outra das preocupações que os pais devem ter é a de organizarem a família para uma distribuição mais equilibrada das prendas, uma vez que, no Natal, a troca de presentes se alarga a todos os familiares.
Além disso, os pais devem explicar aos filhos mais velhos, que já não acreditam no Pai Natal, que o dinheiro custa a ganhar e que serve para comprar coisas mais importantes para viver, como alimentação e vestuário. Para as mais novas, basta dizer que o Pai Natal dá presentes a todas as crianças do mundo e, por isso, não pode dar muito a cada uma. Vasco Soares alerta ainda para o facto de o conselho sobre poucas prendas não significar que se deve comprar um presente único para os irmãos. Esta opção gera insatisfação e guerras entre crianças, o que não é desejável. O presente individual é muito importante para os miúdos, por mais pequeno que seja.