A entrada em funcionamento da alta velocidade ferroviária (TGV) vai colocar Portugal num "patamar superior" em termos de competitividade e atractividade, disse hoje o ministro das Obras Públicas, António Mendonça, considerando que Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid .
A entrada em funcionamento da alta velocidade ferroviária (TGV) vai colocar Portugal num "patamar superior" em termos de competitividade e atractividade, disse hoje o ministro das Obras Públicas, António Mendonça, considerando que “Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid”. "Temos de olhar para a alta velocidade não apenas como mais um passo no desenvolvimento do transporte ferroviário mas, de facto, como o início de uma alteração qualitativa: vamos passar para um patamar superior de condições de competitividade e de atractividade do país", afirmou António Mendonça durante a apresentação de um estudo sobre o impacto da alta velocidade no sector do turismo, que decorreu hoje na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). "Não estou preocupado em justificar mais um investimento, mais uma obra pública, mas em salientar o impacto positivo que isso vai ter em termos económicos", acrescentou o ministro. À margem da apresentação do estudo, o ministro reafirmou que o novo aeroporto de Lisboa e a alta velocidade ferroviária são projectos "absolutamente essenciais para a modernização do país". No entanto, acrescentou, "temos de estar sempre abertos para ajustamentos que eventualmente se tornem necessários". António Mendonça disse ainda que "o discurso do défice ou o discurso da dívida é um discurso fácil, que releva do senso comum". "É evidente que é sempre fácil dizer que temos dificuldades, que temos constrangimentos. Isso é um facto. O discurso mais difícil é o que aponta para aquilo que é necessário fazer para ultrapassar as nossas dificuldades. E o que estamos a fazer com estes investimentos é criar as condições para ultrapassar os constrangimentos estruturais que determinam a existência de défice, a existência de dívida", disse. António Mendonça salientou que a concretização do projecto português de alta velocidade vai permitir às empresas portuguesas que nele participem adquirir competência e conhecimentos, o que facilitará a internacionalização. O ministro sublinhou a importância de "pensar com antecipação" nas mudanças que a concretização deste projecto vai trazer e afirmou que "está na altura de começar a preparar o plano de 'marketing' para a chegada da alta velocidade a Madrid". "Lisboa e Madrid vão estar ligadas por 02:45 e isso é uma mudança radical relativamente à nossa noção de tempo, à nossa noção de espaço", disse, acrescentando que, com a entrada em funcionamento da rede portuguesa de alta velocidade, Lisboa pode transformar-se na "capital atlântica da Europa". "Quando estivermos ligados a Madrid, Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid", afirmou António Mendonça. Questionado sobre a possibilidade de a entrada em funcionamento da rede de alta velocidade acabar com as ligações aéreas Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid, o ministro disse que "há enormes potencialidades que podem resultar da introdução e da articulação da alta velocidade com o transporte aéreo". A este propósito, António Mendonça salientou a importância de articular a "vocação" da TAP, que "neste momento se afirma como uma empresa que assegura as ligações intercontinentais, com a alta velocidade, no sentido de potenciar as duas coisas". O Estudo sobre o Impacto da Rede de Alta Velocidade no Turismo Nacional, elaborado pela consultora Deloitte e hoje apresentado, conclui que a entrada em funcionamento da alta velocidade poderá gerar 3.725 novos empregos no turismo e aumentar o valor acrescentado gerado pelo sector em 57 milhões de euros em 2015.