Sexta, 03 Setembro 2010
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JENE
Empreenda no feminino

São jovens, mulheres e empresárias. Joana Silva, Patrícia Silva e Cláudia Ferraz frequentaram o curso da ANJE e conseguiram concretizar os seus projectos. Hoje, as ideias são verdadeiros negócios e as empresas ultrapassaram o limite dos sonhos....
São jovens, mulheres e empresárias. Joana Silva, Patrícia Silva e Cláudia Ferraz frequentaram o curso da ANJE e conseguiram concretizar os seus projectos. Hoje, as ideias são verdadeiros negócios e as empresas ultrapassaram o limite dos sonhos.

Joana Silva trabalhava há 10 anos como delegada de informação médica quando resolveu mudar de vida. Disse "adeus" à indústria farmacêutica e projectou abrir uma empresa sua: o centro de pré e pós parto D'Barriga.

De empresas e negócios, nada sabia. Foi aí que um familiar lhe sugeriu dirigir-se à ANJE - Associação Nacional de Jovens Empresários, para procurar apoio. Estava dado o passo para conhecer o programa de acção JENE - Jovens Empreendedoras para Novas Empresas. Frequentou-o, elaborou um plano de negócios, teve apoio a nível de consultoria e, em Agosto de 2007, abriu as portas aos futuros e recém pais.

Durante o curso, foi colega de Patrícia Silva e Cláudia Ferraz, agora sócias - gerentes da Criar Comunicação, uma empresa de comunicação multimédia. Em comum, as jovens empreendedoras tinham a vontade de lançar projectos e o JENE como "treino" para enfrentarem o mundo empresarial. Cerca de dois anos depois, os negócios prevalecem e a vontade de inovar não pára de crescer.

O projecto JENE surgiu em 2004 e dirige-se, exclusivamente, a empreendedoras do sexo feminino. Desde então, já realizou acções de formação para 157 mulheres e ajudou a criar 15 empresas. O objectivo é o de incentivar o acesso à função empresarial e apoiar a criação de novos negócios. Mais: quer "combater as assimetrias entre homens e mulheres em matéria de empreendedorismo e de actividade empresarial", explica Cottim Oliveira, membro do Conselho de Gestão da ANJE e director da Área de Formação e Ensino.


Crie a sua própria empresa

As mulheres que baterem à porta do curso Jovens Empreendedoras para Novas Empresas terão apoio a vários níveis. Basta que sejam empreendedoras e tenham um projecto seu.

Criar um plano de negócio
Numa primeira fase de acompanhamento, as formandas são apoiadas na elaboração do plano de negócios. Aqui, recebem o suporte necessário ao desenvolvimento de competências pessoais e profissionais.

Apoiar a criação empresarial
No "arrancar" das empresas, a ANJE presta auxílio técnico, empresarial e logístico, para facilitar a criação da mesma.

Constituir uma rede inter-empresas
Numa última fase, há a constituição de uma rede de informação inter-empresas, através da qual se pretende estimular a troca de experiências entre as empresárias, para potenciar o "networking" empresarial e o desenvolvimento dos negócios criados.


Todas as mulheres activas, desempregadas, à procura do primeiro emprego, habilitadas a nível superior e que pretendam desenvolver um projecto empresarial podem participar. O projecto experiência uma nova abordagem: "não se esgota na sala de aula e na mera transmissão de conceitos e conhecimentos por parte dos formadores." Vai mais além: complementa a formação em empreendedorismo com períodos de consultoria.

Primeiro, as formandas são apoiadas na elaboração do plano de negócios. Aí, recebem o suporte necessário ao desenvolvimento de competências pessoais e profissionais, "essenciais ao bom desempenho" do mundo empresarial.

Durante o período de arranque, a ANJE apoio a nível técnico - empresarial e logístico, que facilita a criação das empresas. Por último, constitui-se uma rede de informação, que pretende estimular a troca de experiências entre empresárias. Este "networking" empresarial ajuda a potenciar o desenvolvimento dos negócios, como comprova o exemplo de Joana Silva, Patrícia Silva e Cláudia Ferraz, colegas do mesmo curso. Foi a Criar Comunicação, das últimas duas empreendedoras, que desenvolveu o primeiro "site" da D'Barriga.








A crise tem dificultado o negócio da D'Barriga, mas Joana Silva não baixa os braços.





Querer construir

Quando Joana Silva, 34 anos, entrou num dos cursos JENE - Jovens Empreendedoras para Novas Empresas, já sabia bem o que queria. Uma ideia formada, muito espírito empreendedor e o apoio da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE): estavam reunidas as condições para dar corpo e voz ao projecto D'Barriga.

A porta da ANJE foi aberta por um familiar. Com um bacharelato em Educação Social, pela Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico do Porto, e 10 anos de experiência como delegada de informação médica, Joana quis montar um negócio só seu. O desemprego ajudou-a a mudar de vida e, hoje, é dona do Centro Pré e Pós Parto - D'Barriga, no Porto. Três anos depois de ter aberto a porta, ainda não consegue tirar um ordenado, mas o sonho, esse, já está realizado.

"Quando me propuseram frequentar o JENE, não tive dúvidas. Eu queria montar um negócio e não sabia nada", diz. Tudo o que envolvia abrir uma empresa era território desconhecido. Joana não conhecia trâmites a nível empresarial, burocráticos, as etapas necessárias para conseguir abrir uma empresa, o que era necessário fazer.
Por isso, o curso ajudou-a a definir um pensamento estratégico. "As nossas previsões, mesmo que realistas, não têm nunca em conta as conjunturas nacionais e internacionais, que podem alterar o panorama inicial", explica.

Com o JENE, Joana aprendeu a definir primeiro o que é essencial e a interpretar a linguagem empresarial. "Foi extremamente importante para saber o que perguntar", acrescenta. Aprendeu termos como "balanço" ou "fundo de caixa", que a marca era importante, bem como o nome que ia escolher e a pesquisar sobre a concorrência. "Apesar de já ter muitas ideias formadas sobre o meu negócio, o curso fez-me ir ver os meus concorrentes, o que é que diferenciava o meu projecto do resto", explica.

Joana Silva queria criar factores de diferenciação, mas o curso obrigou-a a repensar todos os aspectos do seu projecto. Houve ideias que manteve, outras que adaptou. Hoje, se lhe perguntarem porque é que o D'Barriga é diferente, explica que é pelo espaço, 183 m2, pelo "staff" diversificado e porque tem também uma loja com artigos diferenciados. Mas quer mais, muito mais.

O D'Barriga abriu em Agosto de 2007, quando a crise batia à porta. "Tem sido duro, tenho de trabalhar noutras actividades para conseguir comprar o meu sonho", diz. Mas nem tudo dão más notícias: os volumes de facturação têm crescido de mês para mês, bem como o número de pessoas que recorre aos seus serviços. Hoje, a empresa já se auto-sustenta.

No final, tudo compensa. "Faço uma coisa que amo e lido com a Vida todos os dias", admite.
Se não tivesse frequentado o JENE, Joana teria aberto a D'Barriga, mas teria "tropeçado muito mais". "Não sei se estaria onde estou", diz. Até porque não é a ANJE que as transforma em empreendedoras. "Ser empreendedor tem de estar dentro de nós, temos de ter o 'bichinho' de querer construir algo. Eu não estou preocupada por não ter um euro, porque tenho um sonho."

E o sonho de Joana não se fica por aqui: os objectivos vão crescendo e as ideias não param de nascer.


Fomentar a inovação
O apoio da associação não acaba no JENE. A ANJE propõe-se a acompanhar as formandas no desenvolvimento das empresas, disponibilizando serviços de incubação a baixo custo numa das nove infra-estruturas que dispõe pelo pais fora. Além disso, realiza formação complementar em diversas áreas, apoio consultivo especializado, acesso a instrumentos financeiros capazes de potenciar novos investimentos, entre outros.

"Este programa vem de encontro à missão da ANJE, que se empenha em fomentar o empreendedorismo junto dos mais jovens, contribuindo para uma cultura de inovação, de assunção de risco, de igualdade de oportunidades e de qualidade", adianta Cottim Oliveira. Na verdade, a associação tem vindo a promover cursos dedicados às mulheres empreendedoras desde a década de 80.

"Enquanto sentirmos que continua a prevalecer uma cultura avessa ao empreendedorismo feminino, continuaremos empenhados em investir em actividades que contribuam para a qualificação de empresárias e para as mudanças de valores e atitudes da classe empresarial", acrescenta.

A integração da mulher no meio empresarial tem as suas especificidades, segundo Cottim Oliveira. O facto de terem vidas cada vez mais activas e de acumularem várias funções dificulta a conquista da igualdade de género em matéria de oportunidades e reconhecimento profissional.

Em ambas as edições, o número de formandas foi superior ao que estava previsto em candidatura. "Estima-se que sejam já largas as centenas de mulheres portuguesas que receberam formação e apoio da associação para dar os passos necessários à criação de um negócio próprio", diz Cottim Oliveira.








A Internet levou Patrícia Silva e Cláudia Ferraz à ANJE e a decisão foi imediata. Com o apoio do JENE, concretizaram o projecto Criar Comunicação..





Cortar caminho

Patrícia Silva e Cláudia Ferraz eram colegas de trabalho antes de entrarem na "odisseia" JENE - Jovens Empreendedoras para Novas Empresas e abrirem a Criar Comunicação. Descontentes com o rumo que a sua vida profissional estava a traçar, as licenciadas em Comunicação Multimédia resolveram "pôr mãos à obra" e abrir um negócio seu.

O JENE surgiu pela Interne. "Quando surgiu a ideia de abrir uma empresa, começámos a pesquisar apoios para o efeito", explica Patrícia Silva, uma das sócio-gerentes da empresa. Mas antes de conseguirem um apoio, precisavam de estruturar um plano de negócios. "Percebemos que a ANJE [Associação nacional de Jovens Empresários] iria iniciar uma formação em que um dos principais objectivos era precisamente a elaboração de um plano de negócios. Decidimos inscrever-nos de imediato", acrescenta.

Frequentar o JENE ajudou-as a estruturarem tudo aquilo que queriam que a empresa fosse. "Quando entrámos, tínhamos apenas uma ideia de negócio e terminámos o JENE com um plano de negócios real, com a Criar Comunicação bem estruturada e quase pronta a iniciar actividade", adianta Patrícia.

Se não tivessem frequentado o programa promovido pela ANJE, Patrícia e Cláudia teriam criado a empresa na mesma, mas de forma diferente. "O curso fez com que conseguíssemos 'cortar caminho'", acrescenta. Mais: permitiu que fossem apoiadas a nível de consultoria e que tivessem acesso a um incentivo financeiro. "Foi extremamente útil, na medida em que ouvir a opinião de pessoas com muita experiência na área nos ajuda, sobretudo, a evitar muitos erros."

O curso dividiu-se em três momentos. Além da formação, do apoio na elaboração do plano de negócios e das 100 horas de consultoria, as empresárias naturais de Vila Nova de Gaia ainda tiveram um prémio de incentivo ao arranque de 4.836 euros, por cada uma das promotoras. Em Novembro de 2007, a empresa iniciava a sua actividade.

Até ao momento, o percurso da Criar Comunicação tem sido de crescimento sustentado, segundo as gerentes. "Todos os nossos indicadores têm sido positivos, pelo que o balanço é, naturalmente, favorável", acrescenta. Se 2009 parece ter resistido à crise, então as esperanças aumentam para 2010. "Ao contrário da maioria das empresas, 2009 foi um bom ano. Conseguimos clientes importantes, o que nos permite prever que o ano 2010 será ainda melhor."

A Criar Comunicação é uma empresa de comunicação multimédia, com 3 áreas de actuação: edição e paginação de revistas, assessoria de imprensa e produção de conteúdos para "web sites". "Conseguimos, muitas vezes, a custo zero para a empresa que nos contrata, criar uma revista e pô-la a circular", explica Patrícia. Também trabalham tudo o que esteja relacionado com "marketing" directo na "web", que passa pela criação de "newsletters" digitais, "e-mail" de "marketing" ou gestão de empresas nas redes sociais. É "uma área de negócio que se encontra, actualmente, em expansão". Nem todas as formandas frequentaram o curso com o objectivo de concretizar a sua ideia de negócio. "Em muitos casos, serviu para testar a viabilidade da mesma e organizar as ideias por escrito, até que surja o momento mais conveniente para pô-las em prática", diz. Para Patrícia e Cláudia, o momento chegou cedo: a tempo de fazer frente à crise.


Numa altura em que o desemprego tem vindo a destruir muitas carreiras, a adesão ao JENE comprova que existem mulheres portuguesas com força para empreender, que precisam de reforçar competências e reunir apoios através de projectos desde género. O Banco Central Europeu (BCE) previu um aumento do desemprego nos países da Zona Euro para 2010 e 2011, no boletim mensal de Fevereiro. No terceiro trimestre de 2009, 9,8% da população activa portuguesa estava desempregada, segundo os dados do Instituto nacional de Estatística (INE).

"A ANJE defende o empreendedorismo como a via mais eficaz para gerar investimento, criar postos de trabalho e aumentar a confiança dos agentes económicos", diz. Por isso, um programa como o JENE terá sempre um impacto positivo na economia nacional, segundo o director.

O projecto JENE é desenvolvido com o apoio do QREN, através do POPH - Programa Operacional Potencial Humano e tem, como organismo intermédio a CIG - Comissão para a Igualdade de Género. Como grandes vantagens, Cottim destaca "a promoção do empreendedorismo feminino e a criação de novos negócios por parte de gestoras qualificadas para a actividade empresarial, com base em planos de negócio sustentados e promissores".
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