Crie a sua própria empresa As mulheres que baterem à porta do curso Jovens Empreendedoras para Novas Empresas terão apoio a vários níveis. Basta que sejam empreendedoras e tenham um projecto seu. Criar um plano de negócio Numa primeira fase de acompanhamento, as formandas são apoiadas na elaboração do plano de negócios. Aqui, recebem o suporte necessário ao desenvolvimento de competências pessoais e profissionais. Apoiar a criação empresarial No "arrancar" das empresas, a ANJE presta auxílio técnico, empresarial e logístico, para facilitar a criação da mesma. Constituir uma rede inter-empresas Numa última fase, há a constituição de uma rede de informação inter-empresas, através da qual se pretende estimular a troca de experiências entre as empresárias, para potenciar o "networking" empresarial e o desenvolvimento dos negócios criados. |
Quando Joana Silva, 34 anos, entrou num dos cursos JENE - Jovens Empreendedoras para Novas Empresas, já sabia bem o que queria. Uma ideia formada, muito espírito empreendedor e o apoio da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE): estavam reunidas as condições para dar corpo e voz ao projecto D'Barriga. A porta da ANJE foi aberta por um familiar. Com um bacharelato em Educação Social, pela Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico do Porto, e 10 anos de experiência como delegada de informação médica, Joana quis montar um negócio só seu. O desemprego ajudou-a a mudar de vida e, hoje, é dona do Centro Pré e Pós Parto - D'Barriga, no Porto. Três anos depois de ter aberto a porta, ainda não consegue tirar um ordenado, mas o sonho, esse, já está realizado. "Quando me propuseram frequentar o JENE, não tive dúvidas. Eu queria montar um negócio e não sabia nada", diz. Tudo o que envolvia abrir uma empresa era território desconhecido. Joana não conhecia trâmites a nível empresarial, burocráticos, as etapas necessárias para conseguir abrir uma empresa, o que era necessário fazer. Por isso, o curso ajudou-a a definir um pensamento estratégico. "As nossas previsões, mesmo que realistas, não têm nunca em conta as conjunturas nacionais e internacionais, que podem alterar o panorama inicial", explica. Com o JENE, Joana aprendeu a definir primeiro o que é essencial e a interpretar a linguagem empresarial. "Foi extremamente importante para saber o que perguntar", acrescenta. Aprendeu termos como "balanço" ou "fundo de caixa", que a marca era importante, bem como o nome que ia escolher e a pesquisar sobre a concorrência. "Apesar de já ter muitas ideias formadas sobre o meu negócio, o curso fez-me ir ver os meus concorrentes, o que é que diferenciava o meu projecto do resto", explica. Joana Silva queria criar factores de diferenciação, mas o curso obrigou-a a repensar todos os aspectos do seu projecto. Houve ideias que manteve, outras que adaptou. Hoje, se lhe perguntarem porque é que o D'Barriga é diferente, explica que é pelo espaço, 183 m2, pelo "staff" diversificado e porque tem também uma loja com artigos diferenciados. Mas quer mais, muito mais. O D'Barriga abriu em Agosto de 2007, quando a crise batia à porta. "Tem sido duro, tenho de trabalhar noutras actividades para conseguir comprar o meu sonho", diz. Mas nem tudo dão más notícias: os volumes de facturação têm crescido de mês para mês, bem como o número de pessoas que recorre aos seus serviços. Hoje, a empresa já se auto-sustenta. No final, tudo compensa. "Faço uma coisa que amo e lido com a Vida todos os dias", admite. Se não tivesse frequentado o JENE, Joana teria aberto a D'Barriga, mas teria "tropeçado muito mais". "Não sei se estaria onde estou", diz. Até porque não é a ANJE que as transforma em empreendedoras. "Ser empreendedor tem de estar dentro de nós, temos de ter o 'bichinho' de querer construir algo. Eu não estou preocupada por não ter um euro, porque tenho um sonho." E o sonho de Joana não se fica por aqui: os objectivos vão crescendo e as ideias não param de nascer. |
Patrícia Silva e Cláudia Ferraz eram colegas de trabalho antes de entrarem na "odisseia" JENE - Jovens Empreendedoras para Novas Empresas e abrirem a Criar Comunicação. Descontentes com o rumo que a sua vida profissional estava a traçar, as licenciadas em Comunicação Multimédia resolveram "pôr mãos à obra" e abrir um negócio seu. O JENE surgiu pela Interne. "Quando surgiu a ideia de abrir uma empresa, começámos a pesquisar apoios para o efeito", explica Patrícia Silva, uma das sócio-gerentes da empresa. Mas antes de conseguirem um apoio, precisavam de estruturar um plano de negócios. "Percebemos que a ANJE [Associação nacional de Jovens Empresários] iria iniciar uma formação em que um dos principais objectivos era precisamente a elaboração de um plano de negócios. Decidimos inscrever-nos de imediato", acrescenta. Frequentar o JENE ajudou-as a estruturarem tudo aquilo que queriam que a empresa fosse. "Quando entrámos, tínhamos apenas uma ideia de negócio e terminámos o JENE com um plano de negócios real, com a Criar Comunicação bem estruturada e quase pronta a iniciar actividade", adianta Patrícia. Se não tivessem frequentado o programa promovido pela ANJE, Patrícia e Cláudia teriam criado a empresa na mesma, mas de forma diferente. "O curso fez com que conseguíssemos 'cortar caminho'", acrescenta. Mais: permitiu que fossem apoiadas a nível de consultoria e que tivessem acesso a um incentivo financeiro. "Foi extremamente útil, na medida em que ouvir a opinião de pessoas com muita experiência na área nos ajuda, sobretudo, a evitar muitos erros." O curso dividiu-se em três momentos. Além da formação, do apoio na elaboração do plano de negócios e das 100 horas de consultoria, as empresárias naturais de Vila Nova de Gaia ainda tiveram um prémio de incentivo ao arranque de 4.836 euros, por cada uma das promotoras. Em Novembro de 2007, a empresa iniciava a sua actividade. Até ao momento, o percurso da Criar Comunicação tem sido de crescimento sustentado, segundo as gerentes. "Todos os nossos indicadores têm sido positivos, pelo que o balanço é, naturalmente, favorável", acrescenta. Se 2009 parece ter resistido à crise, então as esperanças aumentam para 2010. "Ao contrário da maioria das empresas, 2009 foi um bom ano. Conseguimos clientes importantes, o que nos permite prever que o ano 2010 será ainda melhor." A Criar Comunicação é uma empresa de comunicação multimédia, com 3 áreas de actuação: edição e paginação de revistas, assessoria de imprensa e produção de conteúdos para "web sites". "Conseguimos, muitas vezes, a custo zero para a empresa que nos contrata, criar uma revista e pô-la a circular", explica Patrícia. Também trabalham tudo o que esteja relacionado com "marketing" directo na "web", que passa pela criação de "newsletters" digitais, "e-mail" de "marketing" ou gestão de empresas nas redes sociais. É "uma área de negócio que se encontra, actualmente, em expansão". Nem todas as formandas frequentaram o curso com o objectivo de concretizar a sua ideia de negócio. "Em muitos casos, serviu para testar a viabilidade da mesma e organizar as ideias por escrito, até que surja o momento mais conveniente para pô-las em prática", diz. Para Patrícia e Cláudia, o momento chegou cedo: a tempo de fazer frente à crise. |
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