São análises dos mercados e a tentativa de, sobre elas, fazer uma previsão, tendo por metodologia a que descrevo no meu livro “Ganhar em Bolsa”(1). E como a grande regra não é acreditar em quem diz (2), mas ponderar a força dos argumentos e razões, vamos exactamente começar por aí. Pensar e demonstrar é seguramente mais profícuo, e deixa maior espaço para uma adesão interactiva ou…repúdio.
A metodologia não é como a dos Greenspans, que conseguem fazer antevisões sobre a economia (credo!), mas, modesta e realisticamente, tentar devassar o que o mercado diz.
A aproximação deste modesto autor é a de que “ o mercado tem sempre razão” (eu acrescento: “mesmo quando não tem”), e, por conseguinte, os investidores o que têm que fazer é procurar nos indícios (fortes e cada vez mais analisados e acessíveis às pessoas vulgares) para onde se encaminham os preços, ou melhor, as tendências.
Ora, resumindo, o que fui escrevendo ao longo do tempo aqui no “JN” foi batendo certo.
Acima de tudo, o mais importante, consiste no diagnóstico de que o fundo foi atingido, e, nos EU (o grande farol), ficou nos 1.220.012.700 DJIA, e parece continuar firme.
A ideia era que a onda do tsunami do ‘subprime’ fez como o cataclismo: subiu as barreiras, mas, depois, entrou no refluxo. Aparentemente os mercados, “descontaram tudo o que havia a considerar” e, daí, uma certa segurança nos indicadores que seguimos quanto à “definição” de “fundo”.
Mas realmente “é muito difícil prever, principalmente para o futuro”, e o mercado, aparentemente, considerou, nesse tempo, como preço topo do petróleo a zona dos 120 dólares.
Como julgar diferentemente? O preço do petróleo triplicou em um ano, sem qualquer razão fundamental. Nem a chatice de um tufão apareceu para dar uma ênfase à subida, nem os chatos dos rebeldes na Nigéria parece fazerem outra coisa, hoje em dia, senão umas violações nas aldeias vizinhas.
Ora, o preço do petróleo, até um limite, entra no ‘airbag’ das economias. Depois, provoca inflação clara e, por arrastamento, aumento das taxas de juro. Uma merda!
Que diz a bola de cristal?
– O petróleo, como ‘commodity’, entrou numa zona de especulação evidente, mas não é a Galp ou uma prima sua qualquer que tem algo a ver, nem consegue. Nem sequer a OPEP. Os especuladores estão em acção e, em geral, “jogam” no sentido dos fundamentais da economia, única maneira estratégica de ganharem. Isso aconteceu com o Sistema Monetário Europeu em 1992, quando a libra estourou. Mas também se enganam como com o rublo em 1998.
Aqui estão a jogar na subida, mas, diz quem sabe, é possível ter-se entrado numa “exuberância irracional”. O senso comum, julgo, corrobora.
Mas há outro ponto crucial. O dólar já não dá para comprar uma “bica”. Então, porque não deter “futuros” de petróleo em vez do ainda famoso “greenback”? Há dúvida na resposta? O ponto crítico é o do desequilíbrio, e, aí, os mercados, ainda estão hesitantes.
Soros sustenta que os fundamentais da economia, como sempre, têm a última palavra, e adivinha que o petróleo só desce quando a economia americana entrar em recessão.
Não perguntei ao meu guru, Pinto da Costa, mas julgo que nem ele sabe.
Por mim – e é um “educated guess” – o petróleo já não tem espaço para subir, no critério dos “fundamentais”. Mas não consigo ler o que as Bolsas dizem. Julgo que elas tão pouco tomaram um rumo.
E mais acrescento, cheio de dúvidas, que estamos de volta ao fundo, numa Tendência Lateral, com um nível de “suporte” um tanto mais abaixo – como dizia há 3 meses sem saber o que o futuro reservava. Mas se for mesmo uma queda, quem ainda não aplicou o “stop loss”, é tempo de o fazer.
Penso eu de que.
(1) A propósito, já comprou? É que embora não contribua para a Associação Abraço, nem para a Salvemos a Amazónia, está a aderir a uma causa também meritória, a minha conta bancária – e até pode ser que se aprenda alguma coisinha.
(2) Não é que seja “guru”, mas às vezes saiem-me umas coisas com jeito. A propósito, desde o início da crise sub-prime, na imprensa, rádio e televisão, ainda não entrei em falha, até preconizando sair de acções (excepto Apple) e entrar em ‘commodities’ e liquidez, salvo parcialmente no que é tema deste artigo.