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A bolsa nacional registou a maior queda semanal em cerca de dois meses, numa altura em que os receios com o abrandamento económico a nível mundial e até mesmo com uma eventual recessão voltaram a assombrar os mercados bolsistas. A Galp Energia destacou-se nas quedas, com uma descida de mais de 14% - numa semana de fortes desvalorizações do petróleo.
A semana começou logo com dados económicos negativos para a Zona Euro. Terça-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu fortemente em baixa a sua previsão de crescimento para a Zona Euro neste ano, advertindo que a crise financeira, aliada à alta de preços do petróleo e dos bens alimentares de base, tenderá a fazer-se sentir com ainda maior impacto ao longo de 2009. Enquanto as bolsas europeias reagiram em queda em quase todas as sessões da semana (à excepção de uma), o PSI-20 ia escapando a este sentimento negativo. O período foi, de facto, marcado quer por dados negativos quer por revisões em baixa do crescimento. E o mercado estava essencialmente expectante no discurso de Trichet, que acabou por deprimi-lo ainda mais, atingindo irremediavelmente a bolsa nacional na sessão de quinta-feira. O Banco Central Europeu (BCE) optou por manter, nesse dia a taxa de juro de referência para a Zona Euro nos 4,25%, tal como era estimado pelos economistas. Mas o facto de ter revisto em baixa as estimativas de crescimento para a Zona Euro para este ano e para 2009 foi a “gota de água” para a desvalorização dos mercados. Para além disso, reiterou dois dias consecutivos que o BCE vai fazer de tudo para controlar a inflação. Estas declarações deprimem os mercados por duas razões: por um lado o receio do abrandamento económico, por outro, a ideia de que o BCE continua a ter como objectivo o controlo da inflação seja sinónimo de que não vai descer os juros. Foi exactamente na sessão de quinta-feira que o PSI-20 não resistiu e com uma queda de 1,94% anulou os ganhos das três sessões anteriores. Esta depreciação, juntamente com a desvalorização de 2,68% de sexta-feira, conduziu o principal índice da bolsa nacional a registar um declino semanal de 2,86%, o maior desde a semana que terminou dia 4 de Julho, em que caiu 5%. O sector bancário foi o que mais pressionou as bolsas europeias durante a semana porque Trichet anunciou ainda um conjunto de mexidas na política de colaterais do BCE, através das quais os bancos vão ter de dar mais garantias nos empréstimos ao BCE. Por cá, à excepção do Banco Comercial Português que acabou por não registar variação, a banca também contribui para a queda. No entanto, foi essencialmente a Galp Energia que mais pressionou. A petrolífera afundou 14,64% numa semana marcada pelas fortes quedas do petróleo. A seguir, numa lista em que 14 cotadas registaram quedas, de sublinhar o BPI que mais perdeu 5,36%, a Sonae SGPS que deslizou 5,18%, a Energias de Portugal, que escorregou 4,90% e o Banco Espírito Santo que caiu 4,42%. Pela positiva fecharam cinco empresas, sendo a Portucel a que mais subiu, com uma valorização de 4,98%. |
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