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Publicado 03 Outubro 2008  19:18
Economia
Há riscos de falência na banca portuguesa?

Jornal de Negócios  Online
negocios@negocios.pt

Há bancos em Portugal que apresentam mais risco de falência que outros? Quais? Paulo O.

Não há qualquer receio de que haja bancos portugueses em risco de falência. Todos os bancos respeitam os rácios de solvabilidade impostos pelo Banco de Portugal que, no mínimo, permite que a solvabilidade seja de 8% (relação entre os fundos próprios e os activos cujo valor é ponderado pelo risco - quanto maior for o seu risco maior é a percentagem de fundos próprios que consomem). Em Portugal, desde meados dos anos 80 do século passado que não há qualquer falência no sistema. Nessa altura, colapsaram a Caixa Económica Açoreana e a Caixa Económica Faialense (CEF), mas tratou-se de falências fraudulentas. Ou seja, houve dolo por parte de antigos gestores daquela instituição.


Em caso de pânico, cenário em que a maioria dos depositantes corria ao seu Banco na tentativa de levantar as suas poupanças, haveria instituição financeira que resistisse? Em caso afirmativo, como iria arranjar essa liquidez? E, no seguimento desta questão: Não deveriam os rácios de liquidez ser aumentados para acautelar situações destas? Carlos F

Numa situação de pânico em que a maioria dos clientes de uma instituição financeira fosse resgatar os seus depósitos, naturalmente que nenhum banco teria disponível nos seus cofres liquidez suficiente para fazer face a esses pedidos. No entanto, a provável incapacidade dos bancos em responder a um pedido avassalador de levantamentos não significa que essa instituição esteja com graves problemas financeiros. A verdade é que a banca funciona numa lógica em que capta recursos junto de uma parte dos seus clientes, comprometendo-se a pagar juros por esses fundos que, de seguida, utiliza para financiar outros clientes, a quem cobra juros. No entanto, todos os bancos estão obrigados pelo Banco de Portugal a manter níveis mínimos de liquidez, para fazer face aos pedidos de levantamento dos seus clientes e a outras necessidades. Numa situação normal, os mínimos actualmente em vigor têm-se revelado suficientes.


















A recessão económica é um facto consumado a nível mundial, ou apenas alguns países sofrerão desse mal? Quais? Aldo P.

Com os dados que existem neste momento, em que a grande instabilidade financeira se traduziu no aumento do custo do financiamento para empresas e famílias, parece inevitável que alguns países entrem em recessão, no sentido de produzirem menos do que produziam. Irlanda e Dinamarca já registaram dois trimestres consecutivos de quebra na produção (medida pelo PIB). Também para as grandes economias do euro como a França, Alemanha e Espanha a recessão parece inevitável.


Podemos esperar alterações na regulação dos mercados financeiros? Aldo P.

Sim e tornou-se claro para os governos e autoridades de supervisão que será necessário rever os mecanismos de regulação do sistema financeiro - o que inclui mais que apenas os mercados - de forma a que seja mais eficaz. Os governos adoptaram algumas decisões "ad hoc", como a limitação das vendas a descoberto - 'short selling' - que são transitórias. Passada a tempestade é muito provável que se repense todo o sistema. Economistas e analistas pensam que não existe, nesta fase, grande urgência porque a crise em si, pelo susto que pregou, fez o sistema recuar significativamente - até em excesso - dos activos mais arriscados.


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Comentários
  • Sr Ministro da Economia: Apresse-se, por favor, a REGULAMENTAR a Lei QUE JÁ EXISTE e que permite terminar com o MONOPÓLIO da GALP em termos de refinação, armazenagem e distribuição de combustíveis. Ou será que quer levar a Economia Portuguesa os Portugues
  • Nãaaaa
  • Sim!!! Como em qualquer negócio.
  • Total de comentários: 5
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