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As crises provocam depressões. E com as crises financeiras não é diferente. A falta de dinheiro para honrar compromissos, a perda de reputação, do emprego e, até, da casa, levam a actos de desespero tão extremos como o suicídio.
São muitas as tragédias pessoais que nos últimos meses têm vindo a lume. A mais recente envolveu o empresário alemão que esteve recentemente nas bocas do mundo quando perdeu centenas de milhões de euros numa operação de "short selling" na Volkswagen, que correu mal. Este homem, Adolf Merckle, suicidou-se na segunda-feira à noite. Atirou-se para a frente de um comboio, incapaz de resistir à pressão. Católico devoto, não foi o prejuízo financeiro que o matou, mas sim a vergonha. No dia seguinte, o director de uma grande casa de leilões de imóveis dos EUA, Steven Good, foi encontrado morto no interior do seu carro, tudo apontando para suicídio devido à crise económica. No mês passado, o francês Thierry de la Villehuchet, com 65 anos, que investiu num fundo de Bernard Madoff, também optou por pôr termo à vida. Foi encontrado no seu escritório com os pulsos cortados. Na Índia, multiplicaram-se os casos de suicídio nos últimos meses. Operadores e corretores no topo da lista, alguns com menos de 30 anos, outros com mais de 70. A mostrar que a crise e a perda do sentido da vida não escolhe idades. E estes actos desesperados têm também tido consequências fatais para os membros mais chegados da família. No Canadá e na Índia, por exemplo, vários operadores de bolsa com dificuldades económicas arrastaram consigo para a morte as mulheres e filhos. Muitos especialistas em doenças mentais e assistentes sociais têm vindo a alertar para os estragos que a crise económica e financeira está a provocar em centenas de milhares de pessoas, salientou o "site" espanhol "El Siglo de Torreón". Os especialistas em doenças mentais sublinham que a depressão se está a tornar na principal causa de absentismo e que os casos de suicídio estão a aumentar. Os investidores Ashish Khetri, Gurcharam Sing, Joseph Luizzi, Kantilal Tanna, A. Nair, Ryu, Aamir Virani, Ravi Sharma, Marc Gauthier-Lachance e Kirk Stephenson foram alguns dos que optaram por essa solução quando já nada parecia ter solução. Investidores não aguentam pressão Kirk Stephenson Idade: 47 anos Profissão: Chefe operacional da capital de risco Olivant Advisers Óbito: 25 de Setembro de 2008 A Olivant tinha acções no UBS, cujo valor de mercado caiu mais de 20%. O colapso da Lehman Brothers, na qual a empresa também tinha uma posição, contribuiu para os apuros da Olivant, fundada em 2006 e conhecida por, em 2008, pretender 15% do Northern Rock, que foi depois nacionalizado. Stephenson, neo-zelandês, trabalhava na City de Londres há 20 anos. Joseph Luizzi Idade: 44 anos Profissão: Operador independente Óbito: 16 de Outubro de 2008 Operador de contratos de futuros no Standard & Poor's 500, acumulou mais de um milhão de dólares de perdas ao fazer uma má aposta na evolução daquele índice. Deixou um bilhete para a esposa, no qual dizia não acreditar que alguma vez pudesse recuperar aquele dinheiro. Thierry de La Villehuchet Idade: 65 anos Profissão: CEO do Access Advisers Óbito: 23 de Dezembro de 2008 Era sócio fundador e CEO do fundo Access International Advisers, que investiu num fundo de Bernard Madoff. Villehuchet geria cerca de dois mil milhões de euros para clientes europeus e 75% desse dinheiro estava investido num fundo de Madoff. O gestor francês sentia--se culpado por ter confiado em Madoff. |
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