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A Caixa Geral de Depósitos emitiu hoje um comunicado onde explica os contornos da aquisição da posição de Manuel Fino na Cimpor. O banco estatal, depois da polémica que este negócio suscitou, adianta que a operação enquadra-se nas “normais práticas bancárias” e que a opção tomada permite reduzir as perdas de crédito do banco estatal.
O negócio entre a CGD e Manuel Fino foi anunciado na semana passada, tendo desde então crescido a polémica sobre este caso, que foi ontem discutido no Parlamento, com os partidos da oposição a pedirem explicações ao Governo. Hoje, a instituição financeira estatal, no dia em que vai anunciar as contas de 2008, resolveu publicar um comunicado, onde explica porque pagou um “prémio” a Manuel Fino, na compra das acções da Cimpor, face à cotação das acções na bolsa. A CGD comprou uma posição de 9,58% do capital da Cimpor, tendo pago ao empresário Manuel Fino um total de 305,9 milhões de euros, mais de 25% acima do valor de mercado desta participação financeira. Três opções No comunicado a CGD adianta que face à necessidade de reforçar as garantias da Investifino junto do banco, que tinham de ser actualizadas devido à desvalorização dos activos colaterais dos empréstimos a Manuel Fino, tinha três opções. A primeira passava por “nada fazer”, o que foi solicitado por Manuel Fino, que justificava esta opção com o facto de a desvalorização das garantias “se dever exclusivamente à queda anormal das Bolsas de Valores e não ao incumprimento do serviço da dívida”. A Caixa optou por não seguir com esta solução, uma vez que “representaria o registo de uma imparidade, de montante significativo, com reflexos negativos directos nos resultados da CGD”. Quanto à segunda opção, passava por “declarar o vencimento antecipado dos contratos e executar as respectivas garantias, registando as respectivas perdas que uma solução precipitada deste tipo necessariamente implicaria”. Também esta foi recusada, uma vez que, explica a Caixa, tal medida “poderia também criar forte instabilidade na estrutura accionista da Cimpor, dado tratar-se de uma participação financeira muito relevante (9,58%), com potenciais reflexos negativos no mercado bolsista e podendo pôr mesmo em causa a estrutura accionista da empresa, que é uma das mais relevantes empresas industriais portuguesas”. Restou assim seguir a terceira opção, que passou por reestruturar a dívida da Investifino junto da CGD, assegurando que “a CGD não perdesse garantias”, que a nova operação resultasse num rendimento financeiro não inferior aos juros que constavam nos contratos de crédito e que se reduzisse a imparidade do crédito existente, tendo, por esta via, um efeito positivo no património e nos resultados da CGD. No âmbito deste negócio, a dívida de Manuel Fino foi reduzida em 305,9 milhões de euros, o equivalente ao valor pago pela posição do empresário na Cimpor, tendo sido revisto em alta o juro da dívida remanescente. Além disso, a CGD, lembra o banco, fica com os direitos de voto da posição de 9,58% e os dividendos da empresa. Compra da posição permite registar menos perdas No comunicado a Caixa enumera as quatro vantagens desta opção: não perde garantias, pois fica com as mesmas garantias que são as acções da Cimpor, além de todas as outras; fica com os direitos de voto das acções (antes não tinha estes direitos), bem como com os dividendos respectivos; mantém estabilizada a estrutura accionista numa das maiores empresas industriais portuguesas, que é a Cimpor, sob controlo de capitais nacionais; reduziu a imparidade de crédito, de valor significativo, valor este que se reflectiu positiva e directamente nos resultados da CGD. Quanto o prémio de 25% pago pelas acções, a CGD adianta que “esta operação se enquadra nas normais práticas bancárias, para situações como a presente, sobretudo nas circunstâncias que se verificam”. “A posição de 9,58% na Cimpor ao preço de 4,75 euros por acção tem plena justificação por se tratar de um bloco de acções relevante e com um prémio de controlo implícito (inferior ao habitualmente praticado), na medida em que é uma participação financeira “charneira” no controlo accionista da Cimpor”, explica a CGD, adiantando que “este lote de acções tem, e teria sempre, um prémio de controlo”. A Caixa adianta que os prémios de controlo variam entre 25% e 35% sobre o preço médio em bolsa dos últimos 6 meses, sendo que este negócio com Manuel Fino “foi efectuada com um prémio de 25%, isto é, no limiar mínimo do intervalo dos prémios de controlo” e abaixo dos 36% verificados em transacções com contornos semelhantes, no mercado de valores da Bolsa de Lisboa. Quanto ao preço pago, de 4,75 euros por acção, a CGD cita ainda a média das acções no último ano, de 4,76 euros, e de dois, de 5,63 euros. È também inferior ao preço-alvo dos analistas, que segundo a CGD avaliam em média a Cimpor em 5,55 euros por acção. |
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