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O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que o fundamental neste momento é agir para que a actual recessão não degenere numa depressão mundial que poderá ter consequências sociais e mesmo políticas muitíssimo graves".
Qual é a mensagem, que, em sua opinião, não pode deixar de sair deste G20? É fundamental que saia uma mensagem de confiança, porque é precisamente a falta de confiança que hoje afecta o normal funcionamento dos mercados financeiros que, por sua vez, afecta o funcionamento de todos os mercados. É, por isso, muito importante que deste encontro saiam orientações precisas e medidas coordenadas para combater esta crise global, e será através delas que poderá ser dada esta mensagem de confiança. Persistem clivagens importantes entre a Europa e os Estados Unidos sobre a prioridade e o grau de ambição que deve ser dada à reforma do sistema financeiro mundial, por um lado, e resposta à actual crise económica, por outro. Será possível aproximar estas posições que, por sua vez, é fundamental para a tal mensagem de confiança? É preciso não alimentar expectativas excessivas em relação ao alcance prático imediato das decisões deste encontro. Esta cimeira não pode, por si só, inverter a situação económica. Esta é uma crise muito profunda e que, por isso, vai durar. É importante, por isso, ter consciência de que nenhuma decisão política pode automaticamente fazer desaparecer os problemas, e perspectivar esta cimeira como uma etapa de um processo necessariamente mais longo de reconfiguração do próprio sistema geo-político e de reajustamentos macro-económicos que a eclosão desta crise veio precipitar. E h á grandes desequilíbrios macro-económicos a nível global que afectam as economias mais importantes do mundo. E como é que Portugal se posiciona neste debate? Se ouvirmos o primeiro-ministro, parece que este alinha mais com as posições dos EUA que acham que a prioridade neste momento deve ser combater a crise. Já quando escutamos o ministro das Finanças, Portugal parece mais alinhado com a França e a Alemanha, que querem decisões firmes sobre a reforma do sistema financeiro, enquanto se espera pelo resultado das medidas de relançamento económico já anunciadas... Não há nenhuma divergência no Governo, possivelmente apenas diferentes tónicas em função do contexto em que foram feitas essas afirmações. Mas é obvio que tem de haver um equilíbrio muito ponderado entre as medidas de curto e de médio e longo prazo. Aliás, o grande desafio político é esse mesmo. Quando olhamos para os défices públicos e para a dívida , sabemos que eles representam encargos para as gerações vindouras, do mesmo modo que sabemos que o combate à deflação pode gerar hiperinflação no futuro. Tudo isto tem de ser muito bem ponderado. Mas o que é absolutamente necessário é impedir que possamos cair numa depressão à escala mundial, que pode ter consequências sociais e mesmo políticas muitíssimo graves. É preciso, portanto, tudo fazer para relançar a actividade económica. É verdade que podemos estar a gerar outros problemas, mas lá estaremos depois para os resolver. O fundamental é sair desta crise em que estamos mergulhados. A relevância do G20 como fórum de coordenação de políticas, ao nível mundial, tem vindo crescentemente a impor-se. Portugal acha que este fórum tem legitimidade suficiente para ser o "pivot" da montagem de uma nova arquitectura financeira mundial e, tendencialmente, de uma ordem nova política global? Os mercados financeiros globalizaram-se mais rapidamente do que quaisquer outros sectores e não têm uma supervisão nem uma regulação global. O modelo ultra-liberal do " Estado mínimo " à escala global é, no caso dos mercados financeiros, o do " Estado nulo " . É absolutamente inadiável criar uma liderança e mecanismos de supervisão e de regulação mundiais. Essa liderança só pode ser conferida a uma estrutura muito mais do tipo do G20 do que do G7. Nós apoiamos o G20 nessa perspectiva, porque é mais abrangente, integra as economias emergentes e uma massa crítica de Estados que são responsáveis por mais de 80% do PIB mundial. Mas propusemos que lhe sejam associados mecanismos de consulta, de modo a que sejam abrangidos também os espaços regionais de integração económica. |
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