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“Neste momento há um risco específico de empresas e países falirem. Portugal é um deles. Há o risco de Portugal estoirar”. As declarações são de Mira Amaral, presidente do Banco BIC e ex-ministro da Indústria.Numa conferência da Ordem dos Engenheiros, moderada por Belmiro de Azevedo, Mira Amaral mostrou-se pessimista quanto ao futuro da situação económica de Portugal, que não está preparado, devido ao excessivo endividamento do país e ao não concretizado corte na despesa corrente. A dívida pública pesa 75% do PIB, o que se se juntar os passivos acumulados, os encargos com parceiras público-privadas e o peso do envelhecimento da população, dá um endividamento de mais de 100%. “É um mix explosivo”. Com dívida baixa, um país pode acomodar um aumento na despesa. Não é o caso português, que com maior despesa prejudica a competitiva fiscal. As políticas de investimento público vão conduzir também ao aumento de stocks da dívida, além de que esta vai ser contraída a um custo mais elevado. Para Mira Amaral, Portugal não fez o que devia – reduzir a despesa. Baixou o défice actuando na receita. “Há dois anos chamei a atenção”. “Há um problema de sustentabilidade da economia portuguesa”. Ainda assim, acaba por considerar que o Governo de José Sócrates “foi o melhor que apareceu nos últimos 10 anos”, mas depois de um início em que “fez alguma coisa”, acabou “a marcar passo”. |
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