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O economista e ex-ministro das Finanças mostrou-se hoje contra um aumento de salários na actual conjuntura, afirmando que estes são “fábricas de desemprego”. Silva Lopes diz que vai ser difícil reduzir o défice para 3% e alerta para o aumento da instabilidade política em Portugal.
Na intervenção proferida na abertura do segundo dia da conferência “Direito e Economia, um ano depois da crise”, organizada pelo IDEFF com o apoio do Negócios, Silva Lopes adiantou que Portugal registou o maior aumento dos custos unitários do trabalho no conjunto da União Euro peia, o que “explica a nossa recente perda de competitividade” e capacidade em exportar.À margem da conferência, Silva Lopes não quis concretizar uma recomendação quanto a aumentos salariais, voltando apenas a sublinhar que os custos do trabalho em Portugal não podem aumentar mais que na União Europeia, uma vez que ameaça a viabilidade das empresas, gerando falência e desemprego. O economista acredita que a taxa de desemprego em Portugal vai chegar aos 10% em 2010. Silva Lopes acrescentou que “o investimento público estimula o crescimento” da economia, “mas depende do tipo de investimento”, colocando assim em causa “a rentabilidade de alguns projectos, nomeadamente auto-estradas”. “No passado investimos demais, [Portugal] foi o país que mais investiu e menos crescimento económico gerou, o que significa que foi menos eficiente”, acrescentou. Acerca do défice orçamental, Silva Lopes concorda com as previsões da Comissão Europeia, que apontam para um valor na ordem dos 8% do PIB este ano. Considerou que vai ser muito difícil regressar ao défice de 3%, devido ao baixo crescimento económico que se vai viver em Portugal. Acrescentou que “a instabilidade politica em Portugal vai aumentar muito. O futuro não é desesperado, mas não é brilhante”. “Só o aumento do crescimento económico pode evitar o agravamento da instabilidade politica”, disse Silva Lopes, adiantando que é “radicalmente contra a redução de impostos” em Portugal. |
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