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Publicado 04 Novembro 2009  20:59
Cimeira de Copenhaga
"Se o clima fosse um banco já estaria salvo"
A possibilidade dos líderes mundiais chegarem a um acordo global em Copenhaga parece cada vez mais distante. A União Europeia e as Nações Unidas já admitiram que as negociações podem ser um fracasso. Os Estados Unidos continuam sem uma solução interna. Os países africanos estão descontentes e já exigiram aos países industrializados novas metas de redução de emissões. No meio de tudo isto ainda não começou a ser debatido o excesso de direitos de emissões da Rússia e dos países do Leste da Europa.

Ana Luísa Marques
anamarques@negocios.pt

A possibilidade dos líderes mundiais chegarem a um acordo global em Copenhaga parece cada vez mais distante. A União Europeia e as Nações Unidas já admitiram que as negociações podem ser um fracasso. Os Estados Unidos continuam sem uma solução interna. Os países africanos estão descontentes e já exigiram aos países industrializados novas metas de redução de emissões. No meio de tudo isto ainda não começou a ser debatido o excesso de direitos de emissões da Rússia e dos países do Leste da Europa.

A pouco mais de um mês da Cimeira de Copenhaga, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, admitiu ontem em Washington, que pode não haver tempo suficiente para chegar a um acordo global na capital dinamarquesa. A mesma opinião foi manifestada hoje pelo representante da CE na ronda de negociações de Barcelona.

Artur Runge-Metzger admitiu que em vez de um acordo vinculativo – com sanções para quem não cumpra os objectivos – podem ser alcançado um acordo político de alto nível com compromissos concretos de redução de emissões. As negociações seriam retomadas em Janeiro para alcançar um acordo mais alargado, admitiu Runge-Metzger, citado pelo "El País".

"Cada vez ouvimos mais vozes dizerem que o tempo está a terminar, incluindo alguns dos nossos líderes, que defendem que as negociações deviam ser retomadas em 2010. É isso que estamos a debater", disse Artur Runge-Metzger durante uma conferência de imprensa em Barcelona.

O retomar das negociações em 2010 pode beneficiar os Estados Unidos, que ainda não conseguiram aprovar internamente a legislação que define os limites de emissões. Se isso não acontecer até Dezembro, o país não tem margem política para um acordo vinculativo em Copenhaga.

Os enviados da Casa Branca a Barcelona já afirmaram que estão à espera da decisão do Congresso norte-americano sobre a proposta de lei apresentada pelos Senadores democratas John Kerry e Barbara Boxer.


O representante da delegação norte-americana, Jonathan Pershing, afirmou que é "extremamente importante" que os Estados Unidos façam parte do acordo mas sublinhou que atribuir as culpas aos Estados Unidos pelos lentos progressos nas negociações "não é uma atitude construtiva".


Pershing acredita que até Dezembro a delegação do seu país vai ter informação suficiente para assinar um acordo em Copenhaga.

Ontem, as negociações em Barcelona ficaram marcadas pelo boicote dos países africanos. Os representantes africanos exigem aos países industrializados que definam novas metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa. Esta posição foi apoiada por um grupo de países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

A representante do Quénia afirmou ao "El Pais" que acredita no sucesso de Copenhaga "se os países ricos definirem limites de reduções de emissões".

No entanto, as negociações estão numa fase tão inicial que ainda não começou a ser debatido o excesso de direitos de emissão da Rússia e dos países da Europa de Leste.

Quem começa a ficar impaciente com o ritmo das negociações são os ecologistas. "Se o clima fosse um banco já estaria salvo", podia ler-se à entrada para o local onde estão a decorrer as negociações na capital catalã.

Esta opinião foi partilhada pelo representante do Sudão, Lumumba Stanislaus: "Não podemos aceitar como opção a destruição total do planeta. Quanto dinheiro usaram os países ricos durante esta crise financeira? E agora dizem que não há tempo?”



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Comentários
  • Já dizia o Índio : Enquanto houver 1 árvore para derrubar e 1 Rio para destruir o "Homem Branco" vai seguir cego...
  • Parabéns pela expressão que diz tudo. SE O CLIMA FOSSE UM BANCO JÁ ESTARIA SALVO.
  • Será que a humanidade não tem um mecanismo de auto-defesa! Como pode o interesse individual sobrepor-se ao geral... que vivam em vergonha quem impede acordos deste tipo!
  • Total de comentários: 3

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