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Publicado 30
Setembro
2008 13:00 Opinião |
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Há vinte anos, ao investigar a falência da Banque Franco-Portugaise (só se salvou porque o Estado lá meteu mais de 150 milhões de euros!), aprendi uma grande lição sobre banca. O "mestre", banqueiro da velha guarda, a dado momento da conversa atirou: "A banca é como as senhoras. Quando se começa a falar delas, está tudo estragado".
Peço aos leitores, e especialmente às leitoras, que perdoem o sexismo do comentário (que não subscrevo) e que se concentrem na sabedoria popular que ele encerra. Porque há poucas expressões que sintetizem o que se está a passar com o sistema financeiro. Os bancos cometeram disparates, encorajados pelo comportamento omisso de governantes, supervisores, reguladores e... jornalistas. Daí à perda de confiança na sua capacidade para honrar compromissos foi um passo.
O problema é que essa desconfiança, que poderia ter sido contida, agravou-se (na 6ª feira, os bancos não emprestavam dinheiro entre si, além de 24h). Daí as falências dos últimos dias, que não devem ficar por aqui (numa confirmação de que quando o falatório se agrava, até as senhoras "sérias" levam por tabela). Não há fórmulas sagradas para sair deste ciclo vicioso. A menos que estados, governantes, partidos, reguladores e accionistas deixem cair os anéis para salvar os dedos. A não ser que queiram transferir a propriedade dos bancos para o estado. É que o ponto de ruptura nunca esteve tão próximo. |
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