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Publicado 03
Novembro
2008 13:00 Opinião |
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Já reparou que os activistas do ambiente afirmam quase inevitavelmente que não só o aquecimento global está a acontecer, e em força, como também aquilo a que estamos a assistir é ainda pior do que o previsto?
É bastante curioso, porque qualquer pessoa que entenda minimamente as técnicas científicas esperaria que, à medida que refinamos o nosso conhecimento, fossemos descobrindo que as coisas às vezes são piores e outras vezes são melhores do que o esperado e que a proporção mais provável é de 50-50. No entanto, os militantes ecologistas quase sempre a vêem como 100-0.
Se nos surpreendermos regularmente numa única direcção, se os nossos modelos fizerem caso omisso de uma realidade cada vez mais deteriorada, isso não joga muito a favor da nossa abordagem científica. Com efeito, poderá dizer-se que se os modelos estão constantemente equivocados, é porque provavelmente esses modelos estão errados. E se não conseguirmos confiar nos nossos modelos, não conseguiremos saber que medidas políticas tomar se quisermos fazer a diferença. Ainda assim, se novos factos nos demonstram constantemente que as consequências das alterações climáticas estão a agravar-se cada vez mais, os nobres argumentos acerca do método científico poderão não ter muito peso. Por certo, essa parece ser a postura prevalecente no domínio da interpretação do aquecimento global. Uma vez mais, a situação está pior do que pensávamos e, apesar dos nossos modelos deficientes, pensamos saber exactamente o que fazer: reduzir de forma drástica as emissões de dióxido de carbono. Mas simplesmente não é correcto dizer que os dados sobre o clima são sistematicamente piores do que o previsto; em muitos aspectos, estão em linha com o estimado ou são até melhores do que o projectado. Se ouvimos dizer outra coisa, isso é apenas um sinal do vício dos meios de comunicação social pelos piores cenários das histórias, mas esse não é um fundamento sólido para políticas inteligentes. O aspecto mais óbvio acerca do aquecimento global é o de que o planeta está a aquecer. Aqueceu cerca de 1°C ao longo do último século e o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas, das Nações Unidas, prevê que aqueça entre 1,6ºC e 3,8°C durante este século, essencialmente devido ao aumento das emissões de CO2. A média das 38 medições "standard" do IPCC mostra que os modelos prevêem um aumento da temperatura nesta década de cerca de 0,2°C. Mas não é nada disso que temos observado. E o mesmo acontece em relação a todas as medições de temperatura da superfície e, mais ainda, no que diz respeito às duas medições satelitares. As temperaturas nesta década não foram piores do que o esperado; de facto, nem sequer têm estado a subir. Na verdade, desceram entre 0,01 e 0,1°C por década. Quanto ao mais importante indicador do aquecimento global, a evolução da temperatura, deveríamos perceber que os dados são, na realidade, muito melhores do que o esperado. Da mesma forma, e sem dúvida muito mais importante, o calor contido nos oceanos de todo o mundo tem estado a descer nos últimos quatro anos, pelo menos nos locais onde é possível fazer medições. Ao passo que a energia, em termos de temperatura, pode desaparecer de forma relativamente simples do espaço atmosférico mais leve, não é bem claro qual o destino do calor do aquecimento global – e seguramente isto é, uma vez mais, bem melhor do que o esperado. Ouvimos constantemente dizer que o gelo do mar Árctico está a desaparecer mais rapidamente do que o previsto, e isso é verdade. No entanto, a maioria dos cientistas sérios também admite que o aquecimento global é apenas parte da explicação. A outra é que a chamada Oscilação Árctica – circulação dos fluxos de ar sobre o Oceano Ártico – impede actualmente a acumulação de gelo antigo, já que precipita de imediato grande parte do gelo para o Atlântico Norte. Mais importante ainda é que raramente ouvimos dizer que o gelo do oceano Antártico não só não está a diminuir, como também está acima da média desde há um ano. Os modelos do IPCC prognosticavam uma diminuição do gelo em ambos os hemisférios, mas apesar de o Ártico estar a ter resultados piores do que o previsto, a Antártida está a sair-se melhor. Ironicamente, a Associated Press, de par com muitos outros meios de comunicação, disse-nos, em 2007, que "o Ártico está a gritar" e que a Passagem do Noroeste estava aberta "pela primeira vez na História, desde que existem registos". Isto apesar de a BBC ter noticiado em 2000 que a lendária Passagem do Noroeste já estava sem gelo. Somos constantemente inundados com artigos sobre o aumento previsto dos níveis do mar e estudos atrás de estudos revelam que a situação será muito pior do que aquilo que foi previsto pelo IPCC. Mas a maioria dos modelos mostra resultados que estão compreendidos no intervalo de previsões do IPCC, que é o de um incremento do nível do mar de 18 a 59 centímetros durante este século. Esta é, supostamente, a razão pela qual os milhares de cientistas do IPCC projectaram aquele intervalo. No entanto, os estudos que falam num aumento de um metro ou mais, obviamente que dão melhores manchetes. Desde 1992 que temos satélites que medem o aumento mundial dos níveis do mar e estes mostraram um incremento estável de 3,2 milímetros por ano – que corresponde exactamente à previsão do IPCC. Além disso, nos últimos dois anos, os níveis do mar nem sequer aumentaram – na realidade, até diminuíram ligeiramente. Não deveriam dizer-nos que isto é muito melhor do que o esperado? Os furacões foram a imagem de arquivo do famoso documentário de Al Gore sobre as alterações climáticas, e é certo que se tratou de um fenómeno que flagelou os Estados Unidos de forma devastadora em 2004 e 2005, o que deu origem a acesas argumentações de que vão registar-se tempestades ainda mais fortes e dispendiosas no futuro. Mas, nos dois anos que se seguiram, os custos estiveram bastante abaixo da média, tendo sido praticamente nulos em 2006. Isto foi, decididamente, melhor do que o esperado. Gore citou um investigador do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Kerry Emmanuel, para sustentar um alegado consenso científico de que o aquecimento global está a tornar os furacões cada vez mais destruidores. Mas Kerry Emmanuel publicou agora um estudo mostrando que mesmo num mundo em forte situação de aquecimento, a frequência e a intensidade dos furacões não deverão aumentar substancialmente nos próximos dois séculos. Essa conclusão não teve grande cobertura por parte dos meios de comunicação social. Evidentemente que nem todas as coisas são menos más do que pensávamos. Mas o exagero unilateral não é o caminho a seguir. Necessitamos, quanto antes, de equilíbrio, caso queiramos fazer escolhas sensatas. |
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