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Publicado 22
Janeiro
2009 13:00 Editorial |
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Não é apenas cortar o "rating", é de cortar a respiração. O risco de emprestar a Portugal e a quem lá anda aumentou, o que significa que vamos pagar mais pelo dinheiro que nos emprestam cada vez menos. Nesta escala tipo Estrelas Michelin, Portugal passou de AA- para A+. E essa foi apenas uma das más notícias do dia.
Na Europa, o FMI dramatiza a crise e a Alemanha agrava as suas previsões recessivas. Em Portugal, o ministro Vieira da Silva já assume como vitória chegar ao fim da legislatura 150 mil empregos abaixo do objectivo com que a iniciou, aumentando entretanto o subsídio social de desemprego e criando balcões privados de apoio aos desempregados. O ministro Manuel Pinho tirou o chapéu de vendedor e anda pelo País com uma mala de dinheiro para pagar salários, agora aos trabalhadores da Bordalo Pinheiro, que engrossa uma lista de insolvências para onde hoje entra a segunda maior corticeira do País e de onde tenta sair a Vista Alegre, cuja massa quase falida foi comprada pela Visabeira num negócio difícil de compreender: ou é ingenuidade deles, ou é ingenuidade nossa.
Na banca, regressa o medo. Fala-se de novo em nacionalizações, até do Barclays, e de empréstimos dos Estados. O BPI faz uma razia em 31 preços-alvo de acções portuguesas cotadas em Bolsa, onde as cotações continuam a derreter como cera ao sol, bancos à cabeça. Bancos que, pelo caminho, aproveitam todas as nesgas para aumentar receitas e compensar a perda de rentabilidade que lhes corrói a solidez. Mesmo sendo legal (rever um contrato é fazê-lo de novo) e mesmo havendo justificação técnica (quem pede mais tempo para pagar uma dívida está a assumir maior risco em pagá-la), é eticamente questionável exigir a um endividado aflito, que pede para renegociar um crédito à habitação como quem escreve SOS em Morse, maior "spread". Soa a oportunismo e abuso de poder de quem, num contrato, está em posição de vantagem. A questão é que os bancos não o estão a fazer por ganância, mas por instinto de sobrevivência. Os maiores bancos portugueses têm, em conjunto, que refinanciar mais de 11 mil milhões de euros às empresas este ano e a redução do "rating" vem na pior altura. Aliás: quando passa a ser necessário dizer que Portugal não corre o risco de deixar de pagar as suas dívidas, é porque se passou a admitir que o problema existe. Um dos problemas desta crise de excesso de envididamento no passado é que ela está a ser resolvida com mais endividamento para o futuro. Os Estados estão a investir para puxar pela economia, a gastar mais com subsídios sociais, nacionalizações, garantias e fundos a empresas. Pior ainda, a redução de cobrança de impostos decorrente do arrefecimento económico desequilibrará irremediavelmente a balança. E neste jogo deficitário e endividado, Portugal está particularmente mal posicionado, por ter agora um dos piores "ratings" da Zona Euro e por ter uma dívida externa já tão elevada. É por isso que já se fala na Europa da necessidade de Estados maiores serem solidários com os menores, dando-lhes eles próprios garantias para nivelar o acesso ao crédito por países como Portugal. Depois de os privados se virarem para o Estado, vai o Estado que temos virar-se para o Estado ao lado? Nunca houve tanta emissão de dívida pública num tão curto espaço de tempo como agora. Os orçamentos estão sobrecarregados para as gerações futuras. Para já, cuidemos das presentes. Certo?... |
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