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Publicado 28
Abril
2009 13:00 Opinião |
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No princípio dos anos 90, conversando em Nova Iorque e Londres com casais amigos com filhos de idades à volta dos 30 anos, ouvi frequentemente que esses filhos, formados nas principais "business schools", trabalhavam nos "hedge funds" e ganhavam milhões.
No princípio dos anos 90, conversando em Nova Iorque e Londres com casais amigos com filhos de idades à volta dos 30 anos, ouvi frequentemente que esses filhos, formados nas principais "business schools", trabalhavam nos "hedge funds" e ganhavam milhões.
Eu não sabia muito bem o que era um "hedge fund" e nasceu no meu espírito a pergunta se esses jovens operadores nos mercados financeiros seriam génios. À medida que o tempo avançava apareciam as notícias dos seus estratosféricos ganhos, com a correspondente exibição de iates, aviões, casas fabulosas, colecções de arte último grito e, naturalmente, novas mulheres "trophy wifes" saídas directamente das capas das revistas cor-de-rosa. Curiosamente, constatei que ninguém que eu conhecia parecia participar na bonança. Começaram a surgir os primeiros rombos. Nick Leeson, um jovem "trader" baseado em Singapura levou à falência o venerando banco Baring Brothers, que havia financiado a viagem de D. João VI ao Brasil. O mercado e as entidades públicas não foram alertados por este episódio que foi visto como uma aberração. Depois foi o caso de Jerome Kerviel, que causou um prejuízo no banco Société Générale que abalou a economia francesa. Ainda assim ninguém achou que estávamos diante de um problema sistémico. O que aconteceu foi que a geração no topo da pirâmide empresarial e financeira não tinha a capacidade ou a proficiência técnica para perceber, e menos ainda para detectar, os esquemas desenvolvidos pelos jovens turcos. Ofuscados pela cornucópia de benefícios materiais e o prestígio pessoal produzido pela situação que não compreendiam, nunca lhes ocorreu que algo não batia certo. Assessorados por bajuladores, entretidos nas tarefas de representação pública, voando nos aviões das suas empresas para encontrar nos Davos do Mundo os chefes de governo e os ministros das Finanças aos quais ofereciam sábios conselhos, os astros empresariais entregaram-se ao culto do seu próprio ego e souberam do desastre pelo noticiário das televisões. Quando foram obrigados a entregar os seus gabinetes receberam indemnizações na proporção inversa dos prejuízos sobre os quais haviam presidido. A confissão de culpa e arrependimento do obscuro programador americano que construiu o modelo pelo qual foi possível criar pacotes de hipotecas "subprime" passíveis de receber um rating "AAA" de seguro de crédito, demonstrou que os rapazes não são propriamente génios, mas sabem que o computador, para quem domina a alta matemática, serve para mais do que mandar emails, conhecer pessoas no Facebook e conversar pelo Skype. A Grande Crise de 2009 demonstrou que o modelo empresarial de crescimento ilimitado baseado em alavancagem falhou, e que os tradicionais valores da prudência e da responsabilidade continuam indispensáveis. A natural modéstia portuguesa, com as excepções conhecidas, salvou-nos do pior. |
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