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Publicado 26
Junho
2009 12:55 Opinião |
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Pode criticar-se um negócio, os seus valores e favores; pasmar com prosperidades particulares e ruínas colectivas; enfileirar vitórias e derrotas políticas; denunciar a manipulação, torpedear a pressão, reis nus, travestidos, príncipes, sapos, escorpiões. Pode-se. Faz-se. Critica-se. Todos os dias. Mas não hoje. Hoje, está em causa o bem superior que permite tudo isso: a qualidade da democracia. "Pelo ar que respiramos."
Pode criticar-se um negócio, os seus valores e favores; pasmar com prosperidades particulares e ruínas colectivas; enfileirar vitórias e derrotas políticas; denunciar a manipulação, torpedear a pressão, reis nus, travestidos, príncipes, sapos, escorpiões. Pode-se. Faz-se. Critica-se. Todos os dias. Mas não hoje. Hoje, está em causa o bem superior que permite tudo isso: a qualidade da democracia. "Pelo ar que respiramos."
A entrada da Portugal Telecom na TVI não é "business as usual". Não interessa se as acções descem, se o valor é caro, se Ferreira Leite, Cavaco ou Sócrates estão a capitalizar. Há uma preocupação maior que a do investidor, a do accionista, a do candidato: a preocupação do cidadão, eleitor ocasional, contribuinte permanente. A democracia é um bem que conquistamos mas que não nos pertence. E isso devia estar na cabeça de quem manda na PT. Quem manda na PT? Ninguém é feliz duas vezes no mesmo sítio. A PT vai ser infeliz duas vezes na comunicação social. Da primeira vez saiu com prejuízo nas contas, nas audiências e na credibilidade. Jurou para nunca mais. Ei-la de volta, as mesmas pessoas, ladinas, boas intenções. O Inferno de dantes. Não é apenas a PT. Há mudanças na comunicação social que mudam a linha editorial dos produtos. Nem todos, mas muitos no pior sentido: o casamento de conveniência com o poder. Gere comunicação social quem pode e quem quer. Infelizmente. Porque só tem vocação para ser dono de TV's, jornais ou rádios quem abdica de mandar neles todos os dias. Querer ganhar dinheiro é a melhor razão para ter jornais ou estações de TV - todas as outras razões são piores. Mas não se faz jornalismo para ganhar dinheiro. Ganha-se dinheiro para fazer jornalismo. Leia "O Quarto Poder", de Jeffrey Archer. Está lá tudo: a economia, a política, a manipulação de massas, os jornalistas bananas e dependentes. Mas há mais que figuras de ficção e "Citizens Kane". O mundo tem gente do "lado negro da Força", os Maxwell ambiciosos, perigosos, sem escrúpulos. A opinião pública não pode encolher os ombros. Ou se resigna ou contesta. Escolhe o que vê e o que lê. Mas informe-se antes de embarcar nas justificações do costume. Que se vai salvar a TVI dos espanhóis. O regresso dos Centros de Decisão Nacionais. Tretas, as mesmas tretas, sempre as mesmas tretas, dos "defensores da nação" que assim legitimam os seus lucrativos negócios. São sempre os mesmos: os que fazem os negócios em nome dos portugueses; os portugueses embalados nas balelas dos que fazem os negócios. A TVI é o melhor exemplo: foi a espanhola que mais cresceu, que mais incómoda foi... que mais pelos portugueses fez. O mérito não tem sotaque. A liberdade de imprensa não está ao serviço de quem escreve, está ao serviço de quem lê. A comunicação social não pode ser mais uma vítima desta crise ética e de valores. Ela informa, forma, critica, liberta, risca e arrisca. O eterno proteccionismo estatal, intervencionismo governamental, o privilégio acima do mérito arrasta-nos para o abismo. Nos "rankings" da riqueza. E nos da decência democrática. Fá-lo-ia com mais conforto sem imprensa. As empresas de comunicação social estão vulneráveis, perdem receita, vêem os leitores mudarem depressa de hábitos. A crise de uns é a oportunidade de outros. O País está cheio de amigos, que são para as ocasiões. E cada ocasião faz o que sabe. As mesmas pessoas continuam a fazer os mesmos negócios e a tomar as mesmas decisões. Agora é a PT que volta à TVI. O mundo muda 180 graus, Portugal muda 360. Anda às voltas, a correr atrás da cauda. E irrespira-se. Negócio fechado. |
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