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Publicado 31
Julho
2009 11:28 Opinião |
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Nas últimas semanas, têm sido publicados dados sobre a demografia portuguesa, revelando uma população envelhecida, por via da baixa taxa de natalidade e da queda dos movimentos imigratórios. Paralelamente, a lista dos...
Nas últimas semanas, têm sido publicados dados sobre a demografia portuguesa, revelando uma população envelhecida, por via da baixa taxa de natalidade e da queda dos movimentos imigratórios. Paralelamente, a lista dos países mais envelhecidos é encabeçada por economias que, na última década à semelhança de Portugal, têm revelado crescimentos económicos débeis: Japão, Alemanha e Itália. Esta circunstância desperta interrogações sobre um eventual nexo entre envelhecimento e fraco crescimento.
Para Portugal, inevitavelmente, o envelhecimento coloca importantes desafios à sustentabilidade da Segurança Social e do Serviço Nacional de Saúde, impondo a refundação dos regimes prevalecentes. Para além deste efeito, analisando o andamento das economias nipónica, alemã e italiana, emerge a ideia de que o envelhecimento poderá constituir um factor adicional para o empobrecimento da economia nacional ou obstaculizar a desejada reversão da tendência dos últimos dez anos. O diagnóstico das dificuldades da economia portuguesa condensa-se em reduzida produtividade com excessivo peso do sector dos bens não transaccionáveis, baixa poupança, limitado investimento em investigação e desenvolvimento, empreendedorismo mitigado, desadequação da qualificação da força de trabalho. Relembrando o modelo de crescimento económico de Solow: simplificadamente, o crescimento económico explica-se pela expansão da população, pela evolução do investimento/da utilização de capital e, por último, pelo progresso da produtividade ou inovação. Olhando para a economia portuguesa, a população definha, a utilização de capital é baixa e o investimento, no curto prazo, está comprometido pela escassa poupança. Restam acréscimos de produtividade. Ora, o envelhecimento da população, como a evidência empírica demonstra, implica alterações significativas nas preferências dos agentes económicos, resultando em impactos não negligenciáveis na produtividade. Primeiro, uma economia envelhecida caracteriza-se por acréscimo das preferências por bens não transaccionáveis: cuidados de saúde, lazer e cultura, entre outros. Sectores de actividade que tendem a revelar níveis de produtividade inferiores aos dos sectores manufactureiros. Ou seja, a população portuguesa tenderá, a prazo, a procurar com mais intensidade serviços, quando se deseja que a oferta nacional e a afectação de recursos se oriente e expanda em sectores industriais, os quais oferecem maiores acréscimos de produtividade. Segundo, sociedades mais envelhecidas apresentam níveis de poupança relativamente mais baixos por incremento do consumo. No Japão, país com elevada taxa de poupança, esta tem declinado acompanhando o movimento demográfico. Relembre-se que a baixa poupança nacional e o seu reflexo, elevado endividamento, podem constituir restrições ao investimento. Terceiro, economias mais envelhecidas tendem a revelar inovação e empreendedorismo tímidos, quando para fomentar a produtividade nacional é indispensável promover a inovação. Uma vez que Portugal não pode competir através dos custos laborais e é um dos países europeus em concorrência mais directa com a produção do sudoeste asiático, o necessário sucesso sustentável das exportações portuguesas, mesmo em sectores tradicionais, tem de se ancorar no acréscimo da componente tecnológica incorporada (desenvolvida localmente), o que passa inevitavelmente por mais inovação e criatividade. Quarto, o envelhecimento da população e a ampliação da idade activa prolongam a renovação necessária da qualificação da força de trabalho. A perspectiva de envelhecimento concomitante com empobrecimento é assustadora; mormente, pelo que a baixa natalidade e o acréscimo dos fluxos emigratórios dizem das expectativas dos portugueses sobre o futuro da economia nacional: pessimismo, desalento, resignação, desesperança. Subsistem, no entanto, soluções conciliatórias de envelhecimento e crescimento, designadamente através da expansão de sectores como: o turismo, concretamente de saúde; serviços de cultura e lazer; e transportes e logística; as quais favorecem o reequilíbrio externo. Não obstante, a aceleração do crescimento económico em Portugal, ao radicar na melhoria da produtividade, tende a passar decisivamente pela reversão do envelhecimento demográfico. Um facto que os países nórdicos e a França, entre outros, compreenderam no início dos anos 90, o qual impõe repensar as políticas domésticas de natalidade e imigração. Economista-chefe do Banco BPI Assina esta coluna mensalmente à sexta-feira |
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