Publicado 23 Outubro 2009  11:44
Opinião
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Fernando Braga de Matos 
Ler o "Expresso" no dia mundial da depressão


A notícia refere-se às contrapartidas relativas a megacontratos de compra de armamento pelo Ministério da Defesa, por efectivar em 80%. À primeira, dava para pensar qualquer coisa como: aconteceu alguma coisa de especial? E como em Portugal se...

(Onde o autor entra em detalhes da vida pessoal quando, sábado passado, apenas lendo a primeira e última página do ilustre semanário, se agarrou ao Prozac para evitar uma depressão mais funda, exactamente no dia mundial da mesma - mas tendo a sorte de estar a tomar o pequeno-almoço na cama, assim se iniciando de imediato a convalescença. Veja o leitor, a seguir, os títulos da amargura.)

1 - "Estado não cobrou 2,3 mil milhões a fabricantes de armas"
A notícia refere-se às contrapartidas relativas a megacontratos de compra de armamento pelo Ministério da Defesa, por efectivar em 80%. À primeira, dava para pensar qualquer coisa como: aconteceu alguma coisa de especial? E como em Portugal se fala sempre em dinheiro do Estado, em vez de "dinheiro dos contribuintes", e se vê a verdade do aforismo "o que é de todos não é de ninguém", haveria igualmente a tentação de dizer aos botões: mas o que é que eu tenho a ver com isto?

Mas a questão é que o dinheiro é mesmo da comunidade, e os nossos estimados representantes agem sem perturbações ou responsabilização, sabendo todos que se estivéssemos num negócio privado, ou iam todos para a rua ou o empreendimento seguia rapidamente para a falência. E isto passa-se consecutivamente ao longo dos anos - diz também a notícia.

Alguém acha mesmo que o País vai a algum lado?

2 - "Cancro mata três pessoas por hora"
A narração prossegue esclarecendo que os cancros mais letais têm sido os do recto e do ânus, os quais aumentaram 11% nos últimos 5 anos. Se relacionarmos os anos de governação mais recente com a parte do corpo vilipendiada, encontramos seguramente uma correlação e até, em dia de má disposição, uma causalidade.

Esperamos, então, de Ana Jorge uma resposta do seu timbre, suave nas palavras e delico-doce nos actos, passando, por exemplo, pela distribuição gratuita de vaselina aos portugueses(as). Isto urgentemente, claro, pois, com o Serviço Nacional de Saúde a caminho da falência (1), dentro de pouco tempo não vai haver carcanhol - nem sequer para os abortos a pagar pelos contribuintes, ainda a interrogarem-se o que faziam essas mulheres quando ficaram grávidas e por que hão-de eles suportar efeitos indesejados facilmente evitáveis por várias maneiras bem publicitadas.

3 - "Lider parlamentar abre guerra no PSD"
Parece que Aguiar Branco avançou sem autorização do partido e que "o mal-estar no PSD está ao rubro" e o facto é que a actuação parlamentar dos social-democratas vai ser decisiva para o presente e futuro do País, como modo de segurança da rotatividade do exercício do poder.

Eu sei que Pacheco Pereira, o Grande Hermeneuta das declarações de Ferreira Leite, falando sobre o futuro orçamento, declarou que o PSD recebeu "mandato para fazer oposição", insinuando que o "bota-abaixo" é o grande desígnio do partido. Ora, eu, pela minha parte, penso que o PSD recebeu, antes, um "desmandato" para governar, e que, mesmo para quem entenda, como eu próprio, que com esta gente a Pátria vai mesmo ao fundo, trata-se de um diagnóstico, nunca de um desejo.

O PSD, que faz da guerra interna o desporto preferido, ou vai brincar para o recreio e dissolve-se para não chatear mais, ou se comporta como um conjunto de homenzinhos, mesmo que tenham que passar por um tratamento de banhos escoceses.

E, agora, que faça oposição construtiva, apresentando soluções melhores - o que nem sequer é difícil quando a alternativa é má (a não ser falhando promessas e expectativas) - e que pense num bom entendimento para a crucial revisão da Constituição, para a qual a presente legislatura tem mandato.

4 - "Emigram de Portugal uma centena de licenciados por mês"
É a crónica de uma morte anunciada sobre a qual eu já aqui escrevi, num artigo intitulado "Este país não é para novos", com inspiração no nome do famoso filme dos Cohen.
E como isto é infelizmente assim, com esta estrutura político-económica e com esta governança, termino como comecei:
Alguém acha mesmo que o País vai a algum lado?


(1) Questão matemática, não política: se o País cresce economicamente a menos de 1% ao ano ( e, mesmo assim, só graças a fundos europeus que um dia acabarão) e a despesa do SNS prossegue em subida vários pontos percentuais acima, o resultado é...


Advogado, autor de "Ganhar em Bolsa" (ed. D. Quixote), "Bolsa para Iniciados" e "Crónicas Politicamente Incorrectas" (ed. Presença). fbmatos1943@gmail.com
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Comentários
  • Como não uso Prozac,
  • Como não uso Prozac,
  • Conclusão:sexo anal e oral são perigosos.Portugal já distribuia pés pelo mundo ,agora distribui cabeças
  • Total de comentários: 3
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