Análises Deco ETF Short: Ganhe com as quedas da bolsa

ETF Short: Ganhe com as quedas da bolsa

Se gosta de arriscar, veja como pode lucrar com as turbulências dos mercados. Vai precisar de experiência e nervos de aço
ETF Short: Ganhe com as quedas da bolsa
Pedro Catarino/CM
Deco Proteste 03 de julho de 2018 às 09:57
O ano começou bem para os investidores, com as principais bolsas mundiais a atingirem recordes. A euforia, porém, esvaneceu-se num instante. Os ganhos de janeiro foram anulados, num golpe de mágica, em fevereiro. Em abril, voltaram a subir bastante. Turbulência é a palavra certa para definir os mercados financeiros este ano. Como lucrar neste cenário?

Os ETF (Exchange Traded Funds ) - fundos de investimento transacionados em bolsa - são uma presença constante nas nossas análises e são conhecidos, sobretudo, por terem comissões de gestão baixas e replicarem fielmente a evolução dos índices de bolsa. Contudo, nem todos os ETF são iguais. Alguns foram elaborados para reproduzir o comportamento dos mercados, mas na direção oposta! Ou seja, permitem lucrar com a queda das bolsas. Estes ETF incluem na sua designação termos ingleses como short, bear e inverse.


Investir num ETF short dependerá, sobretudo, da experiência do investidor. É um exercício especulativo, que não aconselhamos.


Em português, podemos denominá-los ETF "curtos". Estar "curto" no mercado significa apostar numa descida das cotações. Vejamos um exemplo: se o índice de ações Euro Stoxx 50 registar numa sessão uma perda de 1%, um ETF short sobre esse índice valorizará cerca de 1%.

E, claro, se o Euro Stoxx 50 avançar 1%, o ETF short perderá 1%. É uma forma simples e direta de obter ganhos quando as bolsas registam quedas (e perdas quando os mercados sobem). Há ETF short dedicados aos índices das principais bolsas mundiais, mas também sobre índices setoriais e matérias-primas.

O desafio é conseguir antever quando a bolsa irá registar um mau momento e durante quanto tempo permanecerá negativa. Um exercício difícil, pois não há metodologias fiáveis para prever com exatidão o comportamento das bolsas a curto prazo. Por outras palavras, a decisão de investir num ETF short dependerá, sobretudo, da experiência do investidor.

Para alguns, é mais fácil perceber para onde se direciona a bolsa ou um setor do que prever a evolução de uma ação. É um exercício especulativo. Ou seja, impróprio para investidores pouco experientes, ou conservadores e avessos ao risco.

Não há bela sem senão

Apesar das vantagens, os ETF short são poucos e falham em alguns aspetos. Como se pode ver no quadro, a replicação inversa funciona bem quando os índices são de mercados da Zona Euro, mas pode haver grandes divergências quando se trata de outros mercados, devido às flutuações cambiais. Por exemplo, a bolsa de Nova Iorque acumula perdas em euros desde o início do ano (-1%), mas quem tiver comprado um db x-trackers S&P 500 Short ETF está em terreno negativo (-0,5%). Ora, isso não acontece com os índices da Zona Euro. A bolsa de Frankfurt perdeu 2,4% e Xtrackers ShortDAX Daily Swap ETF ganhou 1,6%.

Também é certo que a expectativa de queda do mercado não precisa de se confirmar no imediato. Pode manter o ETF short até que o palpite de queda da bolsa se revele acertado. Contudo, essa posição tem duas (arriscadas) desvantagens.


-2,4%
Foi quanto caiu a bolsa de Frankfurt nos primeiros quatro meses do ano. O ETF Xtrackers ShortDAX valorizou 1,6%.

11,9%
A evolução positiva do petróleo implicou a descida do ETF DB Crude Oil Short ETN, que caiu 14%.


Primeira: a tendência dos mercados a longo prazo é para subir, não para descer. Como tal, manter este tipo de ETF por um largo período de tempo pode levar à acumulação de prejuízos e afastar para sempre a possibilidade de recuperar o capital investido. Segundo: como os ETF short replicam o inverso das variações diárias, os ganhos ou perdas acumulados divergem da evolução do índice. Imagine, por exemplo, que compra e mantém um ETF short durante um ano e o índice de bolsa respetivo perde 10%. Seria de esperar um ganho de 10%. Na realidade, o resultado pode ser muito diferente e até pode resultar numa perda. Em suma, os ETF short são pouco adequados para fazer "apostas" de queda a longo prazo.

A replicação (exemplo: -1% gera +1%) que funciona diariamente vai-se distorcendo com o passar do tempo.

Regras de ouro

Se gosta de arriscar, os ETF short podem ser um instrumento financeiro atrativo. No momento de maior volatilidade dos mercados, é tentador ganhar com as quedas. Contudo, quando a bolsa retoma a sua tendência de longo prazo, é quase certo e sabido que quem tem um ETF short vai perder dinheiro. É, por isso, essencial que fixe desde logo uma meta para o ganho que pretende e um limite para a perda que está disposto a suportar. Se a evolução do ETF short atingir uma dessas barreiras, venda de imediato. Não hesite. Tal como as ações, os ETF têm de ser comprados e vendidos em bolsa através de um banco, ou corretora, que permita o acesso a mercados onde são negociados (Euronext Frankfurt, Nova Iorque, etc.). As comissões de transação tendem a ser idênticas às da negociação de ações estrangeiras. Se quiser diluir os custos precisará, no mínimo, de 1.000 euros. Dada a semelhança dos nomes dos ETF, convém saber o código ISIN respetivo para negociar (disponível no portal financeiro), para evitar confusões. Há ETF que incluem a designação short, mas podem referir-se a obrigações de curta duração. Outros dizem-se ultra short, ou seja, multiplicam ganhos (e perdas).

É fácil comprar gato por lebre. É importante que acompanhe e se familiarize com a evolução do ETF antes de avançar para qualquer transação. Se ainda não tem experiência em negociação na bolsa, nem tente começar por estes produtos. Acima de tudo, seja muito prudente e nunca aplique mais de 5% das suas poupanças em estratégias especulativas. Os ETF, à semelhança dos fundos de investimento tradicionais, não garantem rentabilidades nem o reembolso do capital investido.



Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.






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